O Governo italiano liderado por Giorgia Meloni aprovou esta terça-feira um projeto de lei que permitirá a detenção preventiva de menores que possam colocar em risco manifestações públicas, alargando assim esta controversa doutrina de segurança.
Em fevereiro passado, a coligação governamental de direita e extrema-direita aprovou um pacote de medidas que incluía a “detenção preventiva”, durante algumas horas, de pessoas consideradas perigosas antes de uma manifestação pública, entre outras disposições, tendo agora decidido “alargar esta medida também aos menores”.
O ministro do Interior, Matteo Piantedosi, explicou, em conferência de imprensa, que o objetivo é impedir que pessoas consideradas suscetíveis de “perturbar a ordem pública” possam, por exemplo, aceder às zonas de lazer noturno mais concorridas.
“Trata-se de pessoas em relação às quais, no âmbito de operações policiais específicas destinadas a prevenir crimes que perturbem a ordem pública – como, por exemplo, nas zonas de lazer noturno -, existam motivos fundamentados para considerar que poderiam adotar comportamentos que representem um perigo para a segurança pública”, sustentou.
O ministro confirmou que, no momento de deter “preventivamente” uma pessoa, serão envolvidas todas as forças de segurança, incluindo a polícia local.
O primeiro “pacote de segurança” adotado em fevereiro passado surgiu na sequência de numerosos distúrbios e confrontos ocorridos à margem de uma manifestação em Turim (norte), durante os quais vários agentes da polícia foram feridos.
Na altura, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, assegurou que o objetivo da chamada “detenção preventiva” – uma medida muito contestada pelos partidos da oposição, de centro-esquerda – é impedir a presença de “grupos organizados e dedicados à violência que nada têm a ver com o direito de manifestação”.