O verão chegou há menos de um mês. No calendário de um país em guerra isso quer dizer que chegou a altura de começar a preparar o país para o inverno. Foi com esta prioridade em mente que Volodymyr Zelensky nomeou Serhii Koretskyi para o cargo de primeiro-ministro, proposta que foi aprovada esta quarta-feira pela Verkhovna Rada, o Parlamento ucraniano, com 289 votos a favor (de um total de 392 deputados). Koretskyi sucede assim a Yulia Svyrydenko na liderança do Governo ucraniano — e estreia-se na política.
Koretskyi, de 48 anos, nasceu na cidade de Lutsk, no oeste da Ucrânia e nunca teve um cargo político ou esteve filiado num partido. Esta neutralidade política terá funcionado a seu favor na hora de Zelensky substituir Svyrydenko, argumenta Volodymyr Fesenko ao Kyiv Independent. “Ele não está ligado a nenhuma fação política nem a nenhum grupo oligárquico. Esse é um dos seus maiores pontos fortes, sobretudo do ponto de vista de Zelensky”, elabora o analista político ucraniano.
Longe da política, a formação do novo primeiro-ministro passa pela engenharia e pela economia e foi no setor energético que Koretskyi brilhou. Ao longo da carreira, ocupou cargos na administração de empresas como a Western Oil Group, que detém grande parte das estações de serviço e lojas de conveniência na Ucrânia. Em novembro de 2022, ao fim de seis meses de guerra, foi convidado para diretor executivo de duas empresas públicas em simultâneo: a Ukrtatnafta e a Ukrnafta, a maior produtora de combustível do país.
No período em que liderou as duas empresas estatais, Koretskyi levou-as de um registo de prejuízo a um registo de lucros recorde: aumentaram a produção, foram alvo de um processo de modernização e tornaram-se uma das maiores fontes de receita do Estado. Na primavera de 2025, Koretskyi voltou ao setor privado, como diretor executivo da Naftogaz, a maior empresa de produção e importação de petróleo do país. O seu papel ao longo do último ano esteve diretamente relacionado com o esforço de guerra: à medida que a Rússia visou a infraestrutura energética ucraniana, coube a Koretskyi manter a produção estável.
Fontes governamentais ouvidas pelo jornal Ekonomichna Pravda avançam que foi a sua reputação como um bom gestor de crises que levou Zelensky a fechar a decisão relativa à sua nomeação. “Se eu estivesse responsável pelo processo, eu teria três critérios para um primeiro-ministro. Primeiro, obediência, segundo, falta de carisma e terceiro, falta de ambição política. Koretskyi encaixa nisso”, sintetizou um deputado do partido de Zelensky, salientando este seu perfil mais técnico e menos político como uma vantagem para o esforço de guerra ucraniano.
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