A Câmara de Coimbra aprovou esta segunda-feira por unanimidade a revogação do apoio atribuído na mesma reunião a uma associação, que tinha sido criticado pela oposição, após os serviços técnicos terem detetado a necessidade de reanálise do processo.
Depois de ter sido aprovado na reunião do executivo desta segunda-feira um apoio de 15 mil euros para um projeto da associação Maré Dialética, a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa (PS/Livre/PAN), teve de propor, duas horas depois, no mesmo órgão, a revogação da deliberação.
Segundo a autarca, os serviços técnicos que acompanhavam a reunião detetaram “a necessidade premente de reanálise de um aspeto pertinente” do apoio atribuído, propondo a revogação da deliberação e “consequente agendamento do assunto para reanálise e nova deliberação em reunião futura”.
O apoio ao projeto da associação tinha sido aprovado duas horas antes com os votos contra dos vereadores da coligação Juntos Somos Coimbra (PSD/CDS-PP/IL/Nós, Cidadãos!/MPT/PPM/Volt).
A oposição criticou a atribuição do apoio de 15 mil euros para um projeto da associação Maré Dialética, com cerca de três meses de vida e dirigida por um apoiante da coligação encabeçada pelo PS.
A vereadora do Juntos Somos Coimbra Ana Cortez Vaz afirmou que a proposta “é insuficientemente fundamentada para justificar a atribuição do apoio financeiro previsto“.
“Estamos perante uma associação constituída apenas em abril de 2026 e um projeto apresentado sobretudo em termos concetuais, sem um plano operacional detalhado, sem metas quantificadas, sem indicadores de avaliação e sem identificação do universo de beneficiários”, criticou.
O PSD de Coimbra já tinha emitido esta segunda-feira um comunicado, criticando aquele mesmo apoio e afirmando que a responsável da associação, Élia Ramalho, “apoiou publicamente a candidatura de Ana Abrunhosa e cedeu esse mesmo espaço para iniciativas da campanha eleitoral da atual presidente”.
“Os factos falam por si: dinheiro público, processo mal fundamentado, e uma beneficiária com ligação direta à campanha de quem agora aprova o apoio”, afirmaram os sociais-democratas.
A responsável pela associação e pelo espaço, Élia Ramalho, integrou a comissão de honra da coligação Avançar Coimbra (PS/Livre/PAN), com A Fábrica a ter sido palco para vários momentos da campanha, nomeadamente conversas temáticas.
De acordo com o processo consultado pela agência Lusa, o projeto da associação prevê oficinas de formação, jogos, yoga, teatro, residências artísticas e outras atividades, pensadas para diversos públicos.
A iniciativa “assume-se como um projeto de intervenção social e cultural de base comunitária, desenvolvido a partir do território da Baixa de Coimbra e orientado para a promoção da inclusão social, da participação cidadã e do fortalecimento dos laços comunitários através da arte e da cultura”, lê-se no processo da iniciativa, que usa o brincar como “eixo metodológico agregador das diferentes ações”.
O projeto assumia um orçamento global de 19.640 euros.
*Notícia atualizada às 22h05 com a revogação do apoio