Mais de 200 estudantes manifestaram-se esta quarta-feira em Coimbra contra a proposta do Governo para descongelar as propinas, defendendo também um reforço da ação social direta e indireta no ensino superior.
Mais de 200 estudantes concentraram-se hoje ao final da tarde junto ao Largo D. Dinis, na Alta Universitária, com marcha depois até à sede da Associação Académica de Coimbra (AAC), passando pelas escadas monumentais, empunhando uma tarja onde se pedia mais ação social e o fim das propinas no ensino superior.
Nos cartazes, havia mensagens de defesa das repúblicas de estudantes, mas também críticas ao ministro da Educação, Fernando Alexandre, dizendo que “o futuro não se fatura”, e também ao primeiro-ministro, Luís Montenegro: “Egoísmo é roubar o futuro dos jovens”.
“Bolsas sim, propinas não!”, “Propinas e Bolonha, é tudo uma vergonha”, “Estudantes unidos, jamais serão vencidos”, gritavam os estudantes ao longo do protesto.
Para José Fernandes, representante do movimento Avançamos pela Académica, que convocou a manifestação, o protesto surge depois de uma tentativa do Governo “de criar ainda mais barreiras no ensino superior, seja através da proposta de aumento da propina, seja no constante ataque às repúblicas” ou pela “falta de ação social”.
O estudante de História de 19 anos considerou que o único sucesso possível de atribuir ao Governo “é fazer com que os estudantes saiam à rua”.
Além do descongelamento das propinas, José Fernandes realçou a falta de oferta nas residências universitárias, atrasos nas bolsas e aumento do custo de vida e do preço da habitação.
“São inúmeros os colegas que têm pais que trabalham dois e três empregos, eles próprios também acabam por ter de arranjar um emprego e têm de pensar se no final do mês vão dormir para a rua, vão comer latas de atum, se vão estar por aí a passar fome ou se então vão continuar os seus estudos”, disse o membro do movimento que começou como uma lista candidata à Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra em 2025.
Beatriz Rosa, aluna de Estudos Artísticos, disse à agência Lusa que a proposta do Governo de descongelar a propina motivou aquela manifestação, sublinhando que está “tudo a falhar — a habitação, a ação social, tudo”.
“O descongelamento das propinas, neste momento, não deve ser a prioridade do Governo português com a educação”, vincou António Pinto, estudante de Serviço Social, recordando que devia ser assegurado um acesso universal em todos os níveis de ensino, incluindo no ensino superior.
Já Isabel Figueiredo, aluna de Arqueologia, é estudante internacional e paga 7 mil euros de propina anual.
“Eu venho de um lugar de bastante privilégio, mas acho que é preciso a gente unir-se à causa e ajudar os nossos colegas. A educação não deve ser um privilégio, mas um direito. Ela devia ser acessível a todas as pessoas”, disse a estudante brasileira, vincando que os estudantes internacionais “sabem na pele o que é pagar os custos integrais de um mestrado”.