A liga de basquetebol feminino norte-americana (WNBA) e o sindicato de jogadoras da liga (WNBPA) lançaram na quarta-feira um comunicado em que prometem um “diálogo conjunto” no combate a todas as formas de abuso. Em colaboração com o Comité para a Justiça, Equidade, Diversidade e Inclusão (JEDI) da WNBPA, discutiram o “recente aumento de mensagens abusivas e racistas” direcionadas a jogadoras.

Na nota divulgada, os dois organismos destacam o papel da “comunicação proativa” como forma de melhorar as condições de segurança dentro de campo e fora dele. Assumiram também a vontade de trabalhar com organizações “que partilhem dos valores da liga”.

Em causa está um incidente, ocorrido a 24 de junho, no jogo entre as Phoenix Mercury e as Indiana Fever, que terminou em vitória para a equipa da região do Midwest. Durante o segundo “quarter” de jogo, houve um momento de maior tensão em campo e Alyssa Thomas, dianteira das “Mercury”, atingiu involuntariamente Caitlin Clark, jogadora das “Fever”, na zona da garganta.

Na conferência de imprensa pós-jogo, a treinadora das “Fever”, Stephanie White, criticou a arbitragem por “permitir golpes baixos” sem qualquer tipo de penalização para Thomas e afirmou que a falta de intervenção por parte dos oficiais da liga demonstrou um aparente critério de “privilégio” em relação a outras jogadoras.

A WNBA acabou por suspender Alyssa Thomas, mas apenas no dia a seguir ao jogo. A organização considerou que o episódio motivou uma falta, designada na liga como “Flagrant 2 Foul“, a categoria mais severa no jogo.

De acordo com declarações da dianteira citadas pelo The Guardian, a 30 de junho, Thomas denunciou ter recebido ameaças de morte e insultos racistas após a suspensão. A jogadora considerou “lamentável” que a situação tivesse chegado àquele ponto “apenas por basquetebol”. Afirmou que jogadoras, no geral, estão a ser retratadas como “bandidas” e insistiu na necessidade de rever procedimentos para lidar com este tipo de episódios no desporto.

Além disso, a atleta criticou na altura a comissária da liga, Cathy Engelbert, por não conseguir proteger as jogadoras nestas situações.

Na rede social X, Alexa Philippou, jornalista da ESPN, destacou as declarações de Engelbert.

Em declarações à comunicação social, no início de julho, Caitlin Clark, a jogadora agredida, considerou “inaceitável” qualquer tipo de ódio ou assédio, seja envolvendo adversários, companheiras de equipa ou equipa técnica.

O “Efeito Caitlin Clark” também tem tido impacto no número de espetadores da WNBA, muito por conta do percurso que trazia do desporto universitário. Isto, combinado com a gradual aceitação e compromisso com o desporto feminino, fez disparar as audiências no principal escalão do basquetebol feminino dos Estados Unidos. Em menos de uma semana, de acordo com a Fox News, os números de espectadores em jogos onde a “guard” jogou chegaram a 2,5 milhões de pessoas.

No entanto, estes números têm também um efeito negativo. Segundo a agência Reuters, a liga norte-americana tem desde 2025 em prática um programa de proteção de jogadoras, que considera ser consequência do aumento exponencial de popularidade, algo com que a competição parece não ter conseguido lidar.

Além disso, a liga tem também os habituais protocolos com equipas de segurança privada, que colaboram com as forças de segurança sempre que necessário.

Texto editado por Pedro Raínho