Letícia Ugboaja estava a caminhar até à igreja de Nossa Senhora das Dores na cidade de McAllen, no Texas, quando foi intercetada pelos agentes do Serviço de Controlo de Imigração e Alfândegas dos Estados Unidos. Na manhã de domingo, 28 de junho, dia de missa, as autoridades norte-americanas detiveram a freira nigeriana a poucos quilómetros da fronteira com o México, avançou a Associated Press, após a congregação das Filhas de Nossa Senhora da Misericórdia ter denunciado o episódio.

Os agentes não apresentaram “grande explicação” para a detenção da freira, admitiu o advogado Carlos M. Garcia à imprensa, referindo que o ICE queria deportá-la para um “terceiro país”. Isto porque, apesar de não ter conseguido asilo nos Estados Unidos da América, as autoridades de imigração concederam a Letícia Ugboaja uma proteção que impedia que fosse enviada de volta para a Nigéria, alegando que seria torturada caso regressasse ao seu país de origem.

Para além de freira, Letícia Ugboaja é enfermeira no sul do Texas, perto da fronteira com o México, e, de acordo com a sua representação legal, estava autorizada a estar no país com as devidas permissões para trabalhar em solo norte-americano. Foi só quando a sua paróquia começou a denunciar o caso nas redes sociais que a detenção da freira chegou aos ouvidos de diferentes congressistas locais, que garantiram a sua libertação após “várias horas” nas instalações do ICE.

“Honestamente, naquele momento, não percebi o que se estava a passar, o que me estava a acontecer”, confessou Letícia Ugboaja esta sexta-feira, quase um mês após ter sido detida pelos agentes de imigração dos EUA. Em declarações citadas pela Associated Press, a freira, que viveu durante uma década na Escócia antes de chegar ao Texas, relatou os acontecimentos daquele domingo em que encontrou as autoridades de forma inesperada.

Letícia Ugboaja revelou que só pediu aos agentes para a deixarem comungar na missa, mas que o pedido foi rejeitado. “Para mim, uma freira, não poder ir à missa de domingo, não poder receber a comunhão foi muito, muito doloroso para mim”, desabafou. Assim, admite que decidiu partilhar o seu testemunho para ajudar “os tantos que estão numa situação semelhante, pessoas a quem foi concedida alguma forma de proteção ao abrigo da lei, que cumpriram todas as regras que lhes foram exigidas e que continuam a viver na incerteza”.

Apesar de manifestar a sua gratidão para com aqueles que contribuíram para a sua libertação, defende que “isso não significa que possa ficar calada sobre o que aconteceu, nem sobre o que continua a acontecer a outras pessoas”.

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