Os incêndios florestais em Espanha e em França continuam fora de controlo e já provocaram milhares de deslocados, obrigando os executivos governamentais a tomar medidas drásticas e a requisitar ajuda à União Europeia. O Governo de Pedro Sánchez emitiu a declaração do estado de emergência na região de Madrid e Ávila. A norte, as autoridades francesas ordenaram a retirada de cerca de 40 mil pessoas de região balnear.

Em Espanha, estão em curso incêndios de grandes proporções nos municípios de Villa del Prado e San Martín de Valdeiglesias, localizados na Comunidade de Madrid, e um em Burgohondo, na província de Ávila. Na região autónoma da capital foram retiradas de casa, de forma preventiva, cerca de 40.000 pessoas, enquanto na região vizinha de Castela e Leão, outras 1.500 estão neste momento deslocadas. De acordo com o conselheiro do governo regional de Madrid, o incêndio está “no auge”, sendo nesta fase “impossível” de extinguir.

O delegado do Governo espanhol na região de Madrid, Francisco Martín, disse aos jornalistas, por volta das 18h00 locais (17h00 em Lisboa), que as autoridades não descartam que haja mais pessoas retiradas de casa “nas próximas horas”, devido à evolução das chamas.

O governo regional de Madrid disse hoje às 7h00 locais (6h00 em Lisboa) que “os três fogos simultâneos que afetam a região” continuavam “sem estar circunscritos nem controlados”, embora os trabalhos de combate durante a noite e madrugada tenham tido bons resultados. “As condições meteorológicas, fundamentalmente o vento, complicarão os trabalhos de extinção esta sexta-feira”, acrescentaram as autoridades regionais, num comunicado.

Entretanto, o representante do governo central em Madrid, Francisco Martín, afirmou aos jornalistas que a situação ainda se vai agravar mais, visto que “dois incêndios, o de San Martín e o de Villa del Prado, estão prestes a fundir-se e a tornar-se um único incêndio que avança em direção a Navas del Rey”, encontrando-se ambos “fora de controlo”. Por esse motivo, foi também decretada a evacuação das localidades de Chapinería, Navas del Rey e Colmenar del Arroyo.

Espanha declara estado de emergência em Madrid e Ávila devido a incêndios florestais

A gravidade da situação levou o ministro espanhol do Interior, Fernando Grande-Marlaska, a declarar o estado de emergência nacional nas províncias de Madrid e Ávila esta quinta-feira à noite. É apenas a segunda vez na história do país que esta medida é tomada, sendo que a primeira ocorreu em 2025 por conta do apagão que também afetou Portugal.

Esta decisão decorreu a pedido da Comunidade de Madrid, que, alertando que os incêndios estão para além da sua capacidade de extinção, requisitou a declaração de Situação Operacional 3 do Plano de Proteção Civil contra Incêndios Florestais na Comunidade (INFOMA).

Pedro Sánchez já se pronunciou quanto a esta situação, recorrendo à rede social X para alertar para “uma situação dramática, não apenas em diferentes províncias espanholas, como também em comarcas de países vizinhos”.

O líder do Governo espanhol disse que os incêndios “estão a arrasar milhares de hectares e a afetar diversas povoações”, tendo garantido que já foram mobilizados “todos os efetivos”. Sánchez pediu também “muita precaução” e para serem seguidas as indicações das autoridades.

Entretanto, o Ministério do Interior espanhol comunicou esta manhã o seu pedido da ativação do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia, requisitando “pelo menos quatro meios aéreos de luta contra incêndios”. A Grécia já respondeu ao Estado espanhol, disponibilizando dois Canadair CL-415, disse o ministério.

Este ano já arderam perto de 130.000 hectares em Espanha, segundo o sistema europeu EFFIS, fruto de 350 incêndios. Só em 2025 foi consumida uma área recorde de 393.000 hectares, a maior de que há registo no país.

Incêndios em França já mataram dois bombeiros e obrigam à retirada de mais de 150 mil pessoas

No sul de França também os fogos de grandes dimensões causam preocupação. O departamento de Gironda está a ser particularmente fustigado, em Lège-Cap Ferret e Le Porge, próximos da bacia de Arcachon. Um outro incêndio violento está a devastar a floresta das Landes de Gascogne próxima da comuna de Biscarrosse, no departamento de Landes. O Presidente Emmanuel Macron pediu a mobilização das Forças Armadas para “prestar o máximo de apoio à proteção civil”.

Os incêndios mais a norte, em Gironda, levaram o governo francês a ordenar esta sexta-feira a evacuação da região, forçando a retirada de milhares de pessoas esta manhã da península de Cap-Ferret, uma área balnear que conta com 8.000 residentes permanentes mas que atrai dezenas de milhares de turistas durante o verão.

Os serviços de emergência já retiraram mais de 141 mil pessoas desta região — 110 mil na região de Gironda e cerca de 31 mil no departamento de Landes. Os incêndios dirigem-se agora para a área metropolitana de Bordéus. O presidente da Câmara, Thomas Cazenave, afirmou à BFM TV que “há um cheiro persistente a fumo”, embora o fogo ainda não esteja “às portas” da cidade. Já foram mobilizadas centenas de embarcações para transportar turistas e residentes. Além da via marítima, a outra rota de evacuação é a única estrada que liga a península ao continente.

Ao todo, estes focos — que tiveram início na terça-feira — já consumiram mais de 19 mil hectares e causaram a morte de dois bombeiros perto do aeroporto de Bordéus. Nuñez alertou que “o incêndio ainda não está sob controlo e continua a alastrar-se”, encontrando-se perto de 1000 bombeiros no local a combater as chamas.

Além disso, “um total de 80 casas arderam, das quais cerca de 50 ficaram completamente destruídas”, afirmou o ministro, citado pela BBC. A emissora britânica adianta também que o presidente da Câmara de Arès, localidade situada a sudeste de Lège-Cap Ferret, comunicou que esta cidade também foi evacuada.

A sul, o incêndio que começou em Biscarosse, no sudoeste de França, avançou para sudeste em direção a Parentis e 8.000 pessoas tiveram de ser retiradas preventivamente, além das 23.000 já retiradas desde quinta-feira à noite, anunciaram as autoridades locais. “Não há vítimas, até ao momento, entre a população civil. No que diz respeito aos bombeiros, registaram-se cinco feridos ou casos de mal-estar, mas de natureza leve”, acrescentou o representante do Estado na região, Gilles Clavreul.

Este fogo, que começou esta quinta-feira, já consumiu mais de 2500 hectares e danificou ou destruiu 105 casas, estando a ser combatido por 700 bombeiros. No entanto, Nuñez referiu que as condições meteorológicas se encontram “extremamente desfavoráveis” e que “o incêndio continua a alastrar-se”.

Portugal envia dois aviões e uma equipa para combater fogos em França

Esta situação levou a França a solicitar também a ativação do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia na quinta-feira à noite, com o Presidente Emmanuel Macron a anunciar que o país vai receber rapidamente reforços aéreos europeus para combater os incêndios, incluindo dois aviões portugueses.

“Poderemos contar rapidamente com reforços de dois aviões anfíbios Canadair da Croácia, dois aviões Air Tractor portugueses, bem como dois helicópteros de transporte pesado Black Hawk da República Checa e da Eslováquia”, detalhou Macron, através da rede social X.

“Esta solidariedade concreta, rápida e operacional é uma força preciosa nesta provação”, afirmou o líder francês, agradecendo aos parceiros europeus e apelando aos franceses que “mantenham a máxima vigilância”.

Existem ainda outros dois incêndios ativos de alguma gravidade em França. Um deles, também originado na terça-feira, está a afetar o departamento do Var, no sudeste do país, tendo percorrido cerca de 2.500 hectares e atingido particularmente os arredores da vila histórica de Cotignac, tendo destruído pelo menos 25 casas. No entanto, “permanece estável”, segundo o prefeito Simon Fabre, que autorizou na manhã de hoje as 400 pessoas que foram retiradas a regressarem às suas casas.

O outro incêndio está a castigar o departamento dos Altos Alpes, perto de Freissinières. Provocado pela queda de um raio, este fogo já consumiu 240 hectares “numa área de difícil acesso, a uma altitude de 1.800 metros”, comunicou Nuñez.