Sem dar tréguas, os violentos incêndios que afetam Ávila e os pontos que confluem na região de Madrid, continuavam pela manhã deste sábado “ativos” e ainda por controlar, ao mesmo tempo que, do outro lado da fronteira, em França, as autoridades têm em curso uma megaoperação de evacuação da região de Bordéus, ameaçada pelas chamas. Os territórios de França e Espanha estão há vários dias a ser fortemente afetados por múltiplos incêndios, que se contam já entre os mais graves das suas histórias, e entre os dois países mais de 200 mil pessoas já foram retiradas de casa ou colocadas em isolamento.
No caso espanhol, a situação mais preocupante encontra-se às portas da capital, com dois incêndios, em Madrid e Ávila, que se juntaram num único fogo de enormes dimensões. Segundo o El País, o balanço fornecido pelos serviços de emergência apontava que a evolução do fogo “irá ser determinada pelo regime de ventos nas próximas horas”. Já foi considerado “o mais grave na história de Madrid”, nas palavras da presidente da Comunidade, Isabel Díaz Ayuso, enquanto as autoridades espanholas admitiam estar “fora da capacidade de extinção”, perante o cenário ameaçador.
Esta manhã de sábado, detalha o El Mundo, Ayuso juntou-se ao presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, na reunião de emergência que decorre no CEDOC, o Comité Estatal de Coordenação e Direção do Plano Estatal de Emergências. Sánchez deverá este sábado visitar as zonas mais afetadas pelos fogos.
Uma das principais preocupações esta sexta-feira à noite era que as chamas que varrem os municípios de Villa del Prado e San Martín de Valdeiglesias, localizados na Comunidade de Madrid, se unissem ao fogo que fustiga Burgohondo (Ávila), um cenário que os meios terrestres no terreno ao longo de toda a noite conseguiram travar. De resto, o ponto de situação mais recente feito pela delegação do Governo em Madrid adianta que os incêndios na zona da capital “avançaram pouco” durante a noite e que “não há muita intensidade” neste momento. O avanço da frente de Ávila ocorreu principalmente em Cebreros e em El Tiemblo.
A mudança de condições meteorológicas, com menos vento, maior humidade e temperaturas mais baixas foi também decisiva para travar a progressão das chamas, indicaram as mesmas fontes.
Até ao momento, registaram-se já cerca de 15.000 hectares de área ardida e um impacto direto em mais de 60 mil pessoas. Cerca de 40 mil terão sido retiradas das suas casas e outras 20 mil estarão isoladas. E os constrangimentos continuam. Os múltiplos incêndios ativos em Espanha provocaram o encerramento de 35 estradas às primeiras horas deste sábado, 14 delas em Guadalajara, nove em Ávila, oito na Comunidade de Madrid, três em Teruel e uma em Huelva, informa a agência Efe.
De acordo com os últimos dados atualizados do EFFIS, o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, em Espanha, foram queimados 145.218 hectares desde o início do ano até este 25 de julho, acima da média dos últimos 20 anos a esta altura da temporada.
França manda evacuar zonas urbanas à volta de Bordéus
No caso francês, a situação mais grave continua a ser o grande incêndio na região de Gironda, no sudoeste do país. Na sexta-feira, o fogo já tinha obrigado à retirada de milhares de pessoas da península de Cap-Ferret, famosa estância balnear que, no verão, costuma atrair milhares de turistas. Na madrugada deste sábado, a área geográfica das evacuações alargou ainda mais: as autoridades regionais determinaram esta noite a evacuação de três áreas residenciais nos arredores da cidade de Bordéus (Le Haillan, Eysines e Mérignac).
????⚠️#Gironde | La préfète Sophie BROCAS ordonne de manière préventive l'évacuation des communes de :
– Le Haillan
– Eysines (extra rocade)
– Mérignac (extra rocade)Respectez les consignes des autorités et restez informés de l'évolution de la situation.
➕d'infos sur:… pic.twitter.com/3waQZdHZjv— Préfète de la Nouvelle-Aquitaine et de la Gironde (@PrefAquitaine33) July 25, 2026
Antes, as autoridades já tinham anunciado a evacuação preventiva das cidades de Saint-Médard-en-Jalles, Saint-Jean-d’Illac, Martignas-sur-Jalle e Saint-Aubin-de-Médoc, que juntas somam uma população de aproximadamente 60 mil habitantes.
Já o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, tinha dito na noite de sexta-feira que, até então, mais de 141 mil pessoas já tinham sido retiradas das suas casas, perante incêndios que atingiam “um nível inédito” e perante um fenómeno com o qual os especialistas em proteção civil nunca se tinham confrontado. A crise levou à mobilização de um grande número de recursos, incluindo mais mil militares para apoiar os bombeiros, várias unidades policiais enviadas para o terreno para apoiar as evacuações, requisição de meios de transporte para retirar as pessoas e distribuição de milhões de máscaras pela população.
Les incendies qui frappent notre pays ont atteint un niveau inédit. Plus de 141 000 personnes ont déjà été évacuées en Gironde et dans les Landes pour être mises en sécurité.
En Gironde, nous sommes confrontés à un feu convectif : un incendie qui crée ses propres vents, accélère…
— Sébastien Lecornu (@SebLecornu) July 24, 2026
Este sábado, o governo francês anunciou que requisitou às forças armadas o empenho de um avião de transporte militar — um Airbus A400M — que só deveria estar em funções no final do mês, para ajudar no combate aos fogos em Gironda. Ao mesmo tempo, França já tinha ativado o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, que vai incluir o envio de aviões de vários países europeus (incluindo Portugal) para França.
França já registou mais de 50 mil hectares queimados por incêndios florestais este ano, quase o triplo da quantidade registada no mesmo período de 2015, afirmou esta sexta-feira o ministro do Interior, Laurent Nuñez.