Novos dados revelados pela CNN Portugal trazem uma nova luz ao chamado caso do atrelado da droga. O diretor financeiro da Polícia Judiciária (PJ), Álvaro Pires, terá assumido internamente que foi o responsável pela entrega a guarda provisória do atrelado de droga apreendido em dezembro de 2024 no âmbito da ‘Operação Pacoba’ à empresa Construbarcelos, do empreiteiro João Santos Carvalho, amigo do atual ministro da Administração Interna e ex-diretor nacional da PJ, Luís Neves, revela aquela estação de televisão.
De acordo com a CNN Portugal, a sugestão de Álvaro Pires foi validada por Luís Neves, devido à falta de alternativas existentes, uma vez que o atrelado com bidões com produtos químicos não poderia continuar nas instalações da Autoridade Marítima Nacional, no Seixal, por alegado risco de incêndio. Terá sido então que o atrelado com os precursores químicos rumou em setembro de 2025 do Seixal até às instalações da Construbarcelos.
A PJ — designadamente o departamento que lida com os bens apreendidos e que estará na dependência de Álvaro Pires — terá recebido um orçamento de uma empresa para a destruição dos produtos químicos no valor de 144 mil euros, uma verba que, naquele momento, não teria cabimentação orçamental da PJ.
Esse orçamento chegou na sequência de uma auscultação ao mercado para o cumprimento de uma ordem de destruição dos produtos químicos, que tinha sido emitida pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), logo em dezembro de 2024, no âmbito do processo Operação Pacoba. “Determino a destruição da totalidade dos materiais químicos e resíduos apreendidos, nos termos do disposto no artigo 185.º, n.º 1, do Código de Processo Penal. Comunique à PJ”, lê-se no despacho do processo, citado pela CNN Portugal.
A Marinha terá também tentado encontrar uma solução para a destruição dos produtos químicos, refere a estação televisiva, mas não terá sido encontrada uma alternativa, acabando por pedir a retirada imediata do atrelado contendo bidões com precursores para a produção de droga.
Essa comunicação chegou, segundo a CNN, quando Álvaro Pires, enquanto diretor de património da PJ, estava a fiscalizar uma obra em curso na companhia do empreiteiro João Santos Carvalho. E terá sido então que o empreiteiro — e amigo de Luís Neves — se ofereceu para ajudar para guardar gratuitamente o atrelado com os bidões nas instalações da sua empresa, em Barcelos, enquanto tentaria também encontrar outras empresas e orçamentos para a destruição dos referidos produtos.
A solução acabou por ser aceite por Luís Neves e o atrelado foi transportado para Barcelos no dia 5 de setembro de 2025, com a escolta de elementos do núcleo de apreendidos da PJ.
A PJ, ainda de acordo com as informações avançadas esta terça-feira, já pediu em abril e maio deste ano — após a saída de Luís Neves do cargo de diretor nacional — novos orçamentos às empresas Veolia e Egeo para a destruição dos produtos químicos.
O Observador já tentou contactar Álvaro Pires para obter uma reação a estas novas informações, mas até ao momento não foi possível obter uma resposta do diretor financeiro e de património da PJ.