A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, descreveu-a como uma “medida extraordinária” e que duraria “o tempo estritamente necessário”. Apesar de várias ameaças de outros Estados-membros como a Finlândia ou a República Checa, Itália foi o único a avançar com o encerramento de fronteiras marítimas e aéreas com Espanha, após a crise migratória em Ceuta, durante a qual 60 mil pessoas entraram no enclave espanhol no Norte de África.
Itália não partilha qualquer fronteira terrestre com Espanha, mas decidiu fortalecer as medidas migratórias para desagrado de Espanha, que acusou Roma de incitar uma “confusão interesseira”. Ainda assim, Giorgia Meloni defendeu a decisão. “Isto é uma medida extraordinária, adotada para salvaguardar a segurança nacional e para prevenir possíveis repercussões para a nossa nação”, destacou a chefe do Executivo italiano, numa nota no X.
Il Governo ha deciso di sospendere temporaneamente il regime di libera circolazione previsto da Schengen nei collegamenti marittimi e aerei con la Spagna, reintroducendo i controlli di frontiera.
Si tratta di una misura straordinaria, adottata per tutelare la sicurezza nazionale… pic.twitter.com/bpszoG8soX
— Giorgia Meloni (@GiorgiaMeloni) July 31, 2026
Giorgia Meloni assegurou que a medida estará em vigor “apenas o tempo necessário” e não vai ter impactos “nos fluxos turísticos” de verão. “Itália está pronta para apoiar as instituições espanholas”, garantiu ainda. A política — que sempre adotou uma posição bastante dura na imigração — assinalou que “defender as fronteiras significa defender a segurança dos cidadãos, o combate à imigração ilegal e o desmantelamento de redes criminosas onde começa o tráfico humano”.
Ainda assim, Espanha não gostou deste gesto. O chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, rebateu as críticas de que está a ser alvo: “Solidariedade e empatia são opcionais. Respeito pelos tratados e dados, não”. Nesta lógica, o líder do Executivo publicou várias estatísticas que mostram que, no número de entradas irregulares na União Europeia entre 2021 e 2026, 478.600 ocorreram desde Itália, 340.600 desde os Balcãs Ocidentais, 259.800 desde a Grécia e 234.760 desde Espanha.
“Este não é momento para divisões. É o momento de continuarmos a construir uma União Europeia forte e unida”, apelou Pedro Sánchez, numa publicação antes de Itália ter decidido encerrar efetivamente as fronteiras com Espanha. Mais tarde, o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, veio a público frisar que Madrid cumpre com as regras da União Europeia no que toca às políticas de asilo, lembrando que Ceuta não pertence ao Espaço Schengen.
La solidaridad y la empatía son opcionales.
El respeto a los tratados europeos y a los datos, no.
????????Número de entradas irregulares entre 2021 y 2026 según Frontex:
Por Italia: 478.600
Por los Balcanes occidentales: 340.600
Por Grecia: 259.800
Por España: 234.760
Por la…— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) July 31, 2026
José Manuel Albares recordou que não é possível ir de Ceuta e Melilla para a Península Ibérica sem haver uma identificação prévia num posto fronteiriço. “A integridade do espaço Schengen está absolutamente garantida”, enfatizou o líder da diplomacia espanhola, que não deixou de mandar uma farpa para o Governo italiano: “Basta desta confusão interesseira”.
La práctica totalidad de quienes entraron en Ceuta han vuelto ya a Marruecos.
No es posible trasladarse de Ceuta y Melilla a la Peninsula sin identificarse en un control de policía. La integridad del espacio Schengen está absolutamente garantizada. Basta de confusión interesada
— José Manuel Albares (@jmalbares) July 31, 2026
Se inicialmente Itália não tinha divulgado grandes detalhes sobre como encerraria as fronteiras marítimas e aéreas com Espanha, o Governo de Roma veio prestar esclarecimentos. Segundo avançou a imprensa espanhola, os controlos aeroportuários e portuários serão aleatórios e apenas afetarão turistas que chegam de Espanha e que não tenham um passaporte de um dos Estados-membros da União Europeia.
“O restabelecimento dos controlos de acesso nas fronteiras aéreas e marítimas com Espanha não levará a nenhuma mudança para os turistas espanhóis ou europeus para Itália, que continuarão a poder entrar no nosso país como sempre, sem nenhum trâmite adicional”, lê-se num esclarecimento do Governo italiano.
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