A Associação Portuguesa de Professores de Física e Química (APPFQ) reforça que os critérios de classificação correspondentes a uma questão de escolha múltipla do exame de segunda fase da disciplina dos 10.º e 11.º anos não estão corretos, depois de uma primeira resposta do EduQA ao aviso dos docentes. O EduQA considerou que, embora “a interpretação apresentada pela APPFQ seja cientificamente legítima”, não está “enquadrada nas Aprendizagens Essenciais” da disciplina.
Contudo, a APPFQ não desarma. “Reitera-se que a chave de resposta relativa ao item 5.2, constante dos critérios de classificação da prova, está cientificamente errada. A sua manutenção, num item com a cotação de dez pontos, criará uma situação de grave injustiça: serão validadas as respostas correspondentes à chave e classificadas com zero pontos respostas cientificamente corretas“, lê-se num comunicado a que o Observador teve acesso.
A discordância entre a APPFQ e o EduQA verifica-se quanto a uma pergunta de escolha múltipla. “Duas seringas, contendo, cada uma, uma mistura igual dos dois gases, em equilíbrio químico, apresentam, a 20ºC, a mesma cor acastanhada. Considere duas experiências: I ‒ o êmbolo da primeira seringa é pressionado, comprimindo a mistura gasosa; II ‒ a segunda seringa é colocada num gobelé contendo gelo”, lê-se no enunciado.
“Prevê-se que, comparativamente com a cor inicial da mistura dos dois gases, a intensificação da cor castanha: (A) não ocorra na experiência I nem na experiência II; (B) ocorra na experiência I, mas não ocorra na experiência II; (C) não ocorra na experiência I, mas ocorra na experiência II; (D) ocorra na experiência I e ocorra na experiência II” são as respostas disponíveis.
Segundo os professores, a opção correta é a B (em ambas as versões, de acordo com os enunciados consultados pelo Observador), apesar de os critérios de classificação indicarem que é a A (na versão 2) e D (na versão 1). Esta pergunta faz parte de um grupo de oito em que só as quatro perguntas de maior pontuação são consideradas na classificação final do exame.
No comunicado deste domingo, que se seguiu à tomada de posição deste sábado do EduQA, a APPFQ defende que “a mobilização de conhecimentos de nível mais avançado não conduz a uma conclusão diferente daquela que pode ser alcançada com os conhecimentos previstos para o 11.º ano”, ao contrário do que diz o instituto do Ministério da Educação. “A interpretação científica da situação conduz, portanto, à mesma resposta, quer seja formulada por um aluno universitário, quer por um aluno do 11.º ano.”
Os professores sustentam que o EduQA, ao descrever como “cientificamente legítima” a interpretação feita pela associação, “não pode simultaneamente considerar errada e classificar com zero pontos a opção que dele [do raciocínio] resulta”. Por isso, restam duas hipóteses: “ou se aceita o raciocínio qualitativo exposto no parecer da APPFQ e agora reforçado, reconhecendo como correta a opção correspondente, ou se considera que o examinando não dispõe de elementos suficientes para decidir, caso em que o item deve ser anulado (há duas variações que influenciam o valor da concentração final de NO2 em sentidos opostos: por um lado, a quantidade de NO2 diminui e por outro o volume também diminui)”.
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No sábado, o EduQA criticou a APPFQ por ter participado no “processo de auditorias do Conselho Científico, prévio à impressão da versão final das provas de avaliação externa” e “ter considerado o item pedagógica e cientificamente adequado, não tendo feito qualquer referência à situação agora elencada”. A associação responde que “persegue o objetivo último de contribuir para a melhoria do ensino e da aprendizagem da Física e da Química em Portugal” e que “assumirá sempre os seus erros, falhas e imperfeições, até porque a cidadania não se apregoa, mas pratica-se”.
O problema com o exame da segunda fase segue-se a outro aviso da APPFQ sobre o exame da primeira fase, que levou o Júri Nacional de Exames (JNE) e o EduQA a reclassificar as provas e as escolas a afixar novas pautas. Esta solução fez com que 10.294 notas subissem, e que 1.025 descessem.
As notas da segunda fase de exames têm afixação prevista nas escolas para 7 de agosto e os professores devem corrigir as provas até dia 4.