A presidente da Comissão Europeia condenou esta segunda-feira a exclusão social, discriminação e violência contra a comunidade cigana na União Europeia e pediu união no combate ao racismo e ao ódio em “todas as suas formas”.
“O anticiganismo continua a ser um desafio persistente para muitos ciganos em toda a Europa, perpetuando desigualdades, exclusão social, discriminação sistémica e violência. Isto é inaceitável. Permanecemos unidos contra a discriminação, o racismo e o ódio em todas as suas formas”, afirma Ursula von der Leyen numa declaração divulgada um dia depois de se ter assinalado o Dia Europeu em Memória dos Ciganos Vítimas do Holocausto, em 2 de agosto.
Nessa declaração, igualmente subscrita pela vice-presidente da Comissão Europeia Roxana Mînzatu, com a pasta dos Direitos Sociais, e pela comissária para a Igualdade, Hadja Lahbib, von der Leyen afirmou que em 2 de agosto de 1944 se escreveu “um dos capítulos mais sombrios da história da Europa”.
“Na noite de 2 de agosto de 1944, 4.300 crianças, mulheres e homens das comunidades roma e sinti foram assassinados no [campo de concentração de] Auschwitz-Birkenau”, indica a presidente da Comissão Europeia, que refere que, no total, morreram 500 mil ciganos durante o Holocausto, um quarto da população total cigana europeia naquela altura.
Von der Leyen frisou que, durante décadas, o sofrimento dos ciganos durante a Segunda Guerra Mundial foi “ignorado, as suas vozes não foram ouvidas e as suas famílias ficaram marcadas por uma ausência que nunca pôde ser colmatada”.
“Hoje, homenageamos a sua memória e reafirmamos a nossa responsabilidade comum de garantir que este capítulo do Holocausto nunca seja esquecido nem desvalorizado”, frisa.
No entanto, além de “retirar ensinamentos do passado”, Von der Leyen defende que é também necessário “enfrentar as injustiças do presente”.
Com esse objetivo, a presidente da Comissão Europeia recorda que o executivo comunitário desenvolveu uma estratégia para a população cigana “que promove a inclusão da comunidade em todos os domínios”.
“A Estratégia Antirracismo 2026-2030, recentemente adotada, identifica igualmente de forma explícita o anticiganismo como uma forma distinta e particularmente grave de racismo, que exige uma ação específica”, acrescenta.
Von der Leyen defende que é “através da memória, da educação e de uma ação determinada” que se pode contribuir para uma União Europeia (UE) onde “todas as pessoas podem viver com dignidade, igualdade e liberdade”.
“O ódio não tem lugar na Europa. ‘Na bisteras’. Nunca nos esqueceremos”, conclui.
O Dia Europeu em Memória dos Ciganos Vítimas do Holocausto foi estabelecido em 2015 pelo Parlamento Europeu para recordar o genocídio nos territórios ocupados pelos nazis de mais de 500.000 ciganos europeus, que representavam cerca de um quarto do total da população cigana naquela altura.
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