O congressista republicano Max Miller está a ser alvo de uma investigação por parte da Comissão de Ética da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos após ser acusado de violência doméstica e de uso de drogas ilícitas. A informação foi avançada pela própria comissão em comunicado.
Miller é acusado pela ex-mulher de abuso físico contra ela e a filha de dois anos do casal, algo que o congressista nega, refere o The Washington Post. As acusações sobre uso de drogas ilícitas referem-se a uma “terapia de substituição de testosterona” e não ao consumo de substâncias ilícitas, garantiu Miller numa entrevista concedida na terça-feira à CNN, referindo que o caso tinha acontecido “há vários anos”.
Na terça-feira, o congressista republicano afirmou no X que iria colaborar com a comissão e entregar documentação para “limpar” o seu nome, sublinhando que “não tem nada a esconder”.
“Daremos à comissão todos os documentos necessários para uma análise detalhada. As acusações continuam a mudar, mas os factos permanecem os mesmos. Aguardo ansiosamente que os meus colegas leiam tudo por si mesmos”, referiu.
In light of all the renewed interest in my family affairs I am going to file my own paperwork for an ethics investigation into myself to clear my name from these horrific attacks on myself and family. I have absolutely nothing to hide.
We will be providing the committee all…
— Max Miller (@MaxMillerOH) August 4, 2026
O congressista está a concorrer à reeleição pelo sétimo distrito eleitoral e afirmou que não irá desistir da corrida na sequência da investigação. O sogro, o senador republicano Bernie Moreno, afirmou que Miller “não está apto” para continuar como congressista, e Donald Trump também o terá avisado de que vai ser “uma disputa difícil” se não desistir. “Ele disse: ‘Não sei se vais conseguir reverter esta situação'”, relatou Miller à CNN, citando o Presidente dos Estados Unidos.
Max Miller e Emily Moreno casaram-se em agosto de 2022 e divorciaram-se em junho de 2025. No depoimento policial da queixa por violência doméstica, a ex-mulher afirmou que, no dia em que planeava deixar o congressista, este “atirou-lhe água quente de uma panela com ovos que acabara de cozinhar“, o que a fez cair.
Miller também é acusado de ter agredido a filha de dois anos, que sofreu uma fratura na clavícula e que apresentava “uma contusão que acompanha a lesão, que parece ser uma marca de mão e aparenta ter sido infligida”. Miller também terá apontado uma arma à cabeça de Moreno, além de a agredir à frente da filha.
O congressista nega as acusações, afirmando que a ex-mulher sofre de problemas mentais, algo que é negado pelos advogados, e que o incidente com água quente foi uma “brincadeira“, que não envolveu líquidos quentes. Também chegou a apresentar uma queixa por violência contra Moreno, que foi arquivada. Miller e Moreno pediram ordens de restrição mútuas um contra o outro.
Bernie Moreno pediu publicamente mesmo a demissão do congressista, descrevendo-o como “um perigo”. “Foi horrível assistir a tudo isso acontecer em público, sabendo que uma menina inocente de dois anos estava no meio de tudo. A nossa prioridade sempre foi proteger a nossa filha e a nossa neta. Por preocupação com a segurança da minha família, eu esperava manter o assunto em sigilo, mas o comportamento cada vez mais errático e perigoso de Max Miller tornou isso impossível”, lamentou o senador, no X.
As a father and husband, I can tell you the last two years have been pure hell for my wife Bridget, our daughter Emily, me, and our entire family in the aftermath of Emily's divorce.
It has been horrific to watch this play out in full public view, all while knowing an innocent…
— Bernie Moreno (@berniemoreno) August 2, 2026
O congressista também é acusado de divulgar fotografias íntimas da filha, que se encontravam junto de documentos partilhados num Dropbox para provar a sua inocência. As imagens faziam parte de uma troca de mensagens entre Miller e Moreno, datada de 18 de fevereiro de 2025, quando aguardavam a decisão sobre a guarda da menor, e que mostrava um grande hematoma na clavícula da criança. A lesão motivou uma investigação policial que terminou sem que nenhuma acusação fosse formalizada, segundo a CNN.
Na entrevista concedida à mesma estação televisiva, afirmou que nunca foi a sua intenção divulgar as fotografias, mas que não considerava tal como sendo “chocantemente imprudente”. O seu advogado assumiu a responsabilidade pela publicação da fotografia, por não ter visto as três últimas páginas de um documento que continha as imagens.
Estas não são as primeiras acusações de violência contra o congressista. Stephanie Grisham, ex-secretária de imprensa da Casa Branca e ex-namorada de Miller, também o acusou de violência doméstica, em 2021, quando fez uma publicação no Washington Post a acusar um homem de violência, sem o nomear. No entanto, Miller processou Grisham por “declarações caluniosas e difamatórias”. Posteriormente, foi revelado que o acusado era o congressista. Grisham pediu uma ordem de restrição contra Miller na segunda-feira, refere o The Washington Post.
[A investigação ao espião português suspeito de vender segredos à Rússia é inesperadamente confrontada com uma vida dupla. Tem relações com várias mulheres do leste, é frequentador de bares de alterne e striptease e é ainda presença habitual em reuniões da maçonaria. Ao mesmo tempo, os serviços secretos norte-americanos querem montar uma armadilha à “toupeira” no interior do SIS. Já pode ouvir o segundo episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor” no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]