O Presidente russo, Vladimir Putin, reforçou esta quarta-feira a defesa da vulnerável retaguarda russa e as forças de drones, pondo dois generais no comando dessas unidades, para combater a bem-sucedida escalada no conflito ucraniano contra alvos no seu território. O líder da Rússia criou ainda uma unidade de drones e espera que, num “futuro próximo”, esteja operacional.
Com os seus ataques de drones, a Ucrânia conseguiu transformar a retaguarda russa numa segunda linha da frente, que avança cada vez mais sobre a capital russa, Moscovo. Kiev conseguiu expor as fragilidades dos sistemas de defesa aérea russos e criou vários constrangimentos à população.
Aliás, inimigos atacaram esta quarta-feira outro armazém de comércio eletrónico na Rússia, enquanto o diretor-geral da Uraldronzavod, empresa especializada na produção de drones kamikaze FPV Upir, Vladimir Tkachuk, se encontra em estado crítico, após ser vítima de um atentado bombista, segundo fontes policiais.
Cerca de 30 civis morreram na Rússia desde sábado passado — sete dos quais na explosão de um drone numa praia — em ataques ucranianos com drones, mísseis e artilharia, e numa tentativa de assassínio em Moscovo de um oficial de alta patente do Exército.
Por causa destes ataques, Putin convocou uma reunião extraordinária no Kremlin, onde recebeu o chefe do Estado-Maior, Valeri Gerasimov, e o ministro da Defesa, Andrei Belousov.
O líder do Kremlin também anunciou a nomeação do chefe das novas Forças de Sistemas Não Tripulados (drones), que serão a partir de agora lideradas pelo coronel-general Denis Lyamin. “Este novo tipo de força ainda está a ser criado. Quero expressar a minha esperança de que o senhor (…), sendo um dos especialistas mais qualificados, conclua com êxito a sua formação”, disse.
Denis Lyamin, de 47 anos, desempenhava anteriormente as funções de chefe do Estado-Maior do Distrito Militar Central. “Continuamos a aperfeiçoar as estruturas do Ministério da Defesa de acordo com as exigências e a experiência da operação militar especial”, acrescentou Putin.
Vladimir Putin anunciou a criação de um novo serviço de defesa da retaguarda, uma vez que os drones ucranianos estão a bombardear praticamente toda a Rússia europeia, do Báltico até aos Urais. “Nas atuais condições, este é também trabalho de combate, totalmente de combate”, observou.
O chefe de Estado russo explicou que a decisão é a resposta a uma proposta de Belousov de “concentrar todas as unidades da retaguarda sob um único comando”.
O novo comandante da retaguarda russa será o coronel–general Valeri Solodchuk — o recém-nomeado vice-ministro da Defesa –, que até agora dirigia o Grupo Militar Central, “o encarregado da libertação da República Popular de Donetsk”.
Também esta quarta-feira, o presidente da Câmara de Moscovo, Serguei Sobyanin, anunciou planos para reforçar a defesa antiaérea em redor da capital, alvo de dois terços dos drones que Kiev lança diariamente sobre o território russo.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, lançou a 25 de junho uma intensa campanha de ataques à retaguarda russa, com duração prevista de 40 dias.
Nesse período, o Exército ucraniano atacou cerca de 20 centros logísticos da companhia Wildberries, 25 refinarias e infraestruturas energéticas e aproximadamente 200 petroleiros e navios mercantes nos mares Negro e de Azov.
Em resposta, Moscovo lançou, só em julho, 381 mísseis, mais do que em qualquer outro mês desde o início da guerra, com a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022.
Putin nomeou ainda o coronel-general Andrei Ivanayev como novo chefe do Grupo Centro e o tenente-general Piotr Bolgarev como novo chefe do Grupo Vostok (Leste).