O Presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, rejeitou ter ameaçado demitir-se durante as negociações sobre o Estreito de Ormuz, algo que foi alegado no início desta semana pelo clérigo xiita Mohammad Bagher Kharazi, próximo do Líder Supremo.
“Se me demitir, irei anunciá-lo oficialmente. Mas eu não me vou demitir e permanecerei firme”, garantiu Pezeshkian, no trailer de uma entrevista que será transmitida pela televisão estatal iraniana.
Iran's President Pezeshkian:
If I resign, I will announce it officially. But I will not resign and I will stand firm. They want to sow discord, trying to say that the Leader says something and the others something else. We are in complete coordination with the armed forces. pic.twitter.com/VNFMWhXgkG
— Iran's Today (@Iran) August 4, 2026
Na segunda-feira, o clérigo xiita Mohammad Bagher Kharazi afirmou que Mojtaba Khamenei, o Líder Supremo do Irão, iria aceitar o próximo pedido de demissão de Pezeshkian se o Presidente iraniano voltasse a fazê-lo.
“Isto pode ser transmitido oficialmente: [Mojtaba Khamenei] anunciou oficialmente que se Pezeshkian tentar renunciar mais uma vez, depois de já ter ameaçado demitir-se 28 vezes, ele iria aceitar. Ele disse ‘mais uma demissão e eu aprovo'”, afirmou Kharazi. No entanto, as alegações foram negadas pelo gabinete do próprio Líder Supremo como sendo “totalmente falsas”, refere a agência de notícias iraniana Tasnim. Do mesmo modo, o gabinete da Presidência acusa Kharazi de ter espalhado uma “mentira descarada” e de fazer parte de uma “sinistra coligação de difamadores e defensores do extremismo e da má gestão“, cita a mesma agência de notícias.
Iran’s Supreme Leader Mojtaba Khamenei warned President Masoud Pezeshkian that he would accept his resignation if he submitted it again, prompting him and other senior officials to back down, senior cleric Mohammad-Bagher Kharrazi, a relative of Mojtaba Khamenei by marriage,… pic.twitter.com/SlTslC85wW
— Iran International English (@IranIntl_En) August 3, 2026
De acordo com o Iran International, canal iraniano da oposição com sede em Londres, o Presidente do Irão já tinha apresentado a sua demissão em maio, por considerar que o seu Governo tinha sido “excluído de decisões importantes e que os membros mais ortodoxos haviam assumido o controlo do país”, algo que foi negado por Teerão na altura.
Mohammad Bagher Kharazi é uma personalidade controversa no Irão, conhecido pelo seu “histórico de fazer alegações sem provas”, refere o The Guardian. Apesar da sua proximidade com Khamenei — foi o seu professor no seminário e é casado com a irmã da mulher de um irmão do Líder Supremo — não se sabe se viu Khamenei desde o início dos ataques norte-americanos, a 28 de fevereiro.
O caso expõe profundas divergências internas sobre a forma de lidar com os Estados Unidos. Na segunda-feira, a Assembleia de Peritos, dominada por conservadores e responsável por escolher o Líder Supremo, emitiu um comunicado a afirmar que o memorando de entendimento assinado com os Estados Unidos é uma “traição” e “capitulação”, além de ter descrito como “inúteis” as esperanças de Pezeshkian em ver cumpridas as exigências impostas aos Estados Unidos no documento.