Matthias Schmale, coordenador da ação do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA na sigla em inglês) na Ucrânia, condenou, na noite desta quarta-feira, a nova onda de ataques de larga escala da Rússia sobre o território vizinho — chamando a atenção para o mês de julho, que registou o maior número de fatalidades de civis ucranianos desde abril de 2022.

Segundo a CNN Internacional, os ataques russos provocaram pelo menos 377 vítimas mortais e 2.129 feridos apenas no último mês.

“Agosto começou com duas noites consecutivas de ataques em larga escala que mataram e feriram civis na capital de Kiev e arredores, enquanto hostilidades intensificadas também afetaram outras partes do país”, escreveu no comunicado de imprensa publicado no site da OCHA.

“De acordo com as autoridades, os ataques registados entre ontem e a manhã de hoje [desta quarta-feira] mataram pelo menos 20 civis e feriram mais de 120, incluindo crianças”, garantiu Matthias Schmale, sendo que “a região de Kiev foi a mais fortemente atingida”.

Ao redor do país, também as zonas de Donetsk, Dnipro, Kharkiv, Kherson, Odessa, Sumy e Zaporíjia tiveram edifícios públicos e residenciais atingidos.

“Ontem, ataques danificaram um veículo de saúde móvel […] e um armazém contendo bens essenciais para crianças”, continua o texto. “Nenhum dos trabalhadores que oferecem assistência ficou ferido” nas circunstâncias descritas.

O gabinete da ONU e várias ONGs já se mobilizaram, a fim de oferecer “materiais para abrigos de emergência, primeiros socorros psicológicos, apoio social às famílias afetadas e assistência humanitária em dinheiro”.

A situação foi considerada como “terror deliberado” pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que referiu terem sido usados por Moscovo quase 1.700 drones, mais de 1.630 bombas aéreas guiadas e mais de 50 mísseis balísticos só na última semana.

“Ataques aéreos e com drones atingiram as cidades de Kramatorsk, Kherson e Zaporíjia, matando e ferindo dezenas de residentes, incluindo crianças”, disse Matthias Schmale, lembrando que o direito internacional humanitário obriga os dois lados em guerra a protegerem pessoas e infraestruturas civis. “Os civis de toda a Ucrânia devem poder viver, trabalhar e criar filhos sem medo de novos ataques”, concluiu.