O PS questionou esta quinta-feira o Governo sobre o abandono da solução em “laço” na futura Linha Circular do Metropolitano de Lisboa e pediu a divulgação dos estudos técnicos e financeiros que fundamentaram a decisão.
Numa pergunta dirigida ao ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, os deputados socialistas pedem o envio à Assembleia da República do estudo técnico e da estimativa orçamental que fundamentam a decisão, nomeadamente o investimento adicional necessário, de cerca de 10 milhões de euros.
“A informação tornada pública não permite conhecer com rigor quais as intervenções adicionais que são efetivamente necessárias para viabilizar a operação em laço. Numa primeira análise, a configuração das vias na estação Campo Grande deverá permitir todas as combinações de itinerários para os comboios”, lê-se na iniciativa parlamentar.
Nesse sentido, os socialistas pedem ao Governo que detalhe “qual é o custo estimado de cada uma dessas intervenções e como se decompõe o valor global de cerca de 10 milhões de euros divulgado publicamente”.
“Quais são, em concreto, as intervenções e os investimentos que o Metropolitano de Lisboa considera necessários para viabilizar a operação em laço? Isto é, para que, na estação Campo Grande, seja possível que os comboios oriundos de Lumiar possam seguir para Cidade Universitária e os comboios oriundos de Alvalade possam seguir para Telheiras, como acontece atualmente”, questionam os socialistas.
Por outro lado, o PS critica a ausência de auscultação dos municípios da zona norte da Área Metropolitana de Lisboa antes da decisão, tendo em conta o impacto que terá nas deslocações diárias das populações.
“A ausência de um diálogo institucional profundo com as autarquias afetadas é especialmente difícil de compreender numa decisão com impacto duradouro para milhares de utilizadores e para a organização da mobilidade metropolitana”, criticam.
Segundo uma notícia publicada no sábado pelo jornal Público, que cita fonte do gabinete do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, o Governo optou pela exploração exclusivamente em sistema circular, abandonando em definitivo uma solução mista, que incluía a modalidade de “Linha em Laço”.
Contactada pela Lusa, fonte do Ministério das Infraestruturas e Habitação justificou a manutenção da solução exclusivamente circular por considerar que permitirá reduzir os transbordos e os tempos de viagem para a maioria dos passageiros.
“A operação no cenário circular será a adotada, uma vez que, com esta opção, 90% dos utilizadores irão diminuir ou manter o número de transbordos e, na grande maioria dos casos, o tempo de viagem irá reduzir-se“, referiu o Ministério tutelado por Miguel Pinto Luz.
A mesma fonte acrescentou que a opção oferece também melhores condições para futuras expansões da rede e maior flexibilidade operacional.
Relativamente à solução em laço, a tutela reconheceu que se revelou tecnicamente viável, mas considerou que a sua adoção nesta fase implicaria novos encargos financeiros e atrasos na execução do projeto.
A decisão do Governo motivou também críticas de autarcas, como do presidente da Câmara Municipal de Odivelas e de movimentos de utentes do Metropolitano de Lisboa.
Há uma semana, peticionários de um abaixo-assinado contra a Linha Circular entregaram na quarta-feira uma carta ao presidente da Câmara de Lisboa para que intervenha junto do Governo de PSD/CDS-PP pela implementação de um traçado em laço.
Em causa está o abaixo-assinado “A Linha Circular vai atrasar a nossa vida!”, promovido pelo PCP e que reúne mais de 4.000 assinaturas de cidadãos que contestam o projeto da Linha Circular do Metropolitano de Lisboa e defendem a sua substituição pela solução da Linha em Laço.
A Linha Circular pretende ligar a estação do Rato ao Cais do Sodré, com duas novas estações — Estrela e Santos —, numa extensão de dois quilómetros, bem como criar um anel circular na Linha Verde, implicando com o trajeto na Linha Amarela a partir do Campo Grande.
A conclusão da obra da Linha Circular introduzirá um novo interface no Campo Grande, “obrigando milhares de utentes provenientes do Lumiar, Telheiras, Quinta das Conchas, Santa Clara/Ameixoeira e Odivelas a um transbordo adicional para aceder ao centro da cidade”, realçam os peticionários, defendendo que esta alteração representa “um agravamento das condições de mobilidade”.