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O número de mortos no ataque houthi que esta terça-feira visou um navio junto à costa do Iémen subiu para seis, após os rebeldes xiitas terem atingido a embarcação uma segunda vez quando as equipas de socorro estavam a bordo.

Quatro marinheiros do cargueiro de bandeira alemã “Tihamah”, três cidadãos paquistaneses e um indonésio, morreram numa primeira salva que “provocou um incêndio a bordo e causou danos significativos”, detalhou a guarda costeira do Governo iemenita, reconhecido pela comunidade internacional.

Posteriormente, um segundo ataque atingiu o navio enquanto as equipas de socorro realizavam uma operação de evacuação, matando dois membros das forças mobilizadas, de acordo com a mesma nota informativa.

Dez pessoas ficaram também feridas, segundo a guarda costeira, neste ataque que ocorreu numa zona próxima do estreito de Bab el-Mandeb.

Esta prática, conhecida como double tap, é uma ação militar ilegal segundo o direito internacional, que visa causar baixas num primeiro ataque, aguardar que alguém socorra as vítimas e atacar uma segunda vez.

O Ministério dos Transportes, que anteriormente tinha anunciado um balanço de quatro mortos, acusou os rebeldes xiitas iemenitas houthis, apoiados pelo Irão, de terem atingido o cargueiro com “três mísseis balísticos sucessivos, enquanto este atravessava o estreito”.

O ministério precisou que o navio transportava géneros alimentícios.

A agência marítima britânica UKMTO e a empresa de segurança Vanguard Tech também relataram o ataque.

Segundo um meio de comunicação social afiliado aos houthis, as forças armadas do grupo atacaram um navio que transportava equipamento militar saudita.

O mar Vermelho tornou-se uma passagem vital desde que o estreito de Ormuz foi bloqueado pelo Irão, do outro lado da Península Arábica.

As hostilidades entre os houthis e o Governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita, recomeçaram no mês passado, pela primeira vez desde o cessar-fogo negociado em 2022, numa nova fase da escalada regional na sequência da guerra entre os Estados Unidos e o Irão.

Para além do bloqueio marítimo, os rebeldes reivindicaram ataques contra instalações petrolíferas no reino saudita e, no Iémen, contra bases militares do Governo, bem como contra tropas e equipamentos do “inimigo saudita” em Mokha.

Os ataques fazem parte de uma escalada por parte dos houthis contra as forças governamentais no Iémen e as instalações petrolíferas na vizinha Arábia Saudita, que apoia o governo iemenita, bem como contra a navegação de Riade no mar Vermelho.

Os ataques dos houthis poderão reacender a guerra civil no Iémen e abrir uma nova frente na guerra do Médio Oriente.

O principal negociador e porta-voz dos houthis, Mohammed Abdul-Salam, acusou a Arábia Saudita, numa publicação nas redes sociais, de explorar o cessar-fogo para reforçar o bloqueio aéreo e marítimo que impôs em 2015.

Afirmou ainda que os houthis estão abertos a negociações, mas que qualquer acordo deve incluir o levantamento do bloqueio saudita.

Com o estreito de Ormuz bloqueado pelo Irão, tem havido uma atenção renovada em relação ao mar Vermelho e ao estreito de Bab el-Mandeb, no extremo sul do Iémen, que constitui uma rota alternativa para a Arábia Saudita exportar o seu petróleo.