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Governo francês pondera congelar as pensões mais altas para conter défice

Governo francês debate medida a semanas de apresentar orçamento para ano eleitoral. Pensionistas são quase 25% da população e têm alta taxa de participação eleitoral.

epaselect epa10533575 Protesters participate in a demonstration over the Pension reform held by Unions of Retired people in Paris, France, 20 March 2023. Protests continued in France after French Prime Minister Elisabeth Borne announced on 16 March 2023 the use the Article 49 paragraph 3 (49.3) of the French Constitution to have the text on the controversial pension reform law be definitively adopted without a vote in the National Assembly (lower house of parliament). The bill would raise the retirement age in France from 62 to 64 by 2030.  EPA/Christophe Petit-Tesson
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▲O ministro da Economia e Finanças, Roland Lescure, respondia às críticas de um dos seus antecessores no cargo

Christophe Petit-Tesson/EPA

▲O ministro da Economia e Finanças, Roland Lescure, respondia às críticas de um dos seus antecessores no cargo

Christophe Petit-Tesson/EPA

O Governo francês está a ponderar a possibilidade de congelar as pensões mais altas em 2027, ou, pelo menos, de não as atualizar ao nível da inflação com o intuito de conter o défice.

“A contribuição dos pensionistas mais abastados para a recuperação nacional, por exemplo, através de uma indexação mais moderada das suas pensões, é uma questão que merece ser colocada”, escreveu esta segunda-feira o ministro da Economia e Finanças, Roland Lescure, na rede Bluesky, citado pela agência espanhola EFE.

La question de la contribution des retraités les plus aisés au redressement national, par exemple via une indexation plus modérée de leurs pensions, est une question qui mérite d'être posée.

— Roland Lescure (@rolandlescure.bsky.social) 17 de agosto de 2026, 14:17

O ministro respondia, assim, às críticas de um dos seus antecessores no cargo e antigo comissário europeu, Thierry Breton, que, no domingo, numa entrevista ao canal BFMTV, repreendeu o Governo pelo congelamento, no início do ano, da reforma das pensões, que deveria adiar a idade mínima de reforma de 62 para 64 anos.

Para Breton, o Governo tinha pretendido sair ileso em janeiro com essa suspensão da reforma — era a exigência dos socialistas para não o derrubarem numa moção de censura — e deve agora enfrentar uma decisão com uma solução que lhe parece pior, ao penalizar os atuais pensionistas.

Lescure contestou os números apresentados por Breton no seu raciocínio sobre o custo para as finanças públicas dessa suspensão da reforma das pensões.

Alguns especialistas estimaram que, se as pensões de quem recebe 3.000 euros brutos fossem atualizadas apenas em metade da taxa de inflação (que era de 2,1% em julho), isso permitiria arrecadar apenas 700 milhões de euros, valor que passaria a ser de 1.500 milhões se a medida fosse aplicada a quem ganha mais de 2.000 euros.

A ideia, que circulava há dias sem uma atribuição precisa, surgiu a poucas semanas de o Governo francês apresentar a proposta orçamental para 2027, ano eleitoral, com as eleições presidenciais marcadas para 18 de abril e 2 de maio.

O voto dos pensionistas será muito importante, dado que se trata de um grupo muito numeroso (quase 25% da população) e que regista uma das maiores taxas de participação.

Em 2025, França foi o segundo país da zona euro com o défice mais elevado, apenas superado pela Bélgica, com 5,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

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