Uma operação lançada pelo governo federal norte-americano deteve mais de dois mil imigrantes ilegais no estado de Nova Iorque, ao longo do último mês. A operação, denominada “Maçã Podre”, procedeu à detenção de pessoas que o secretário de Segurança Interna dos EUA diz serem “violadores”, “pedófilos” e “traficantes”.
Numa conferência de imprensa, Markwayne Mullin acusou ainda a governadora do estado de Nova Iorque, Kathy Hochul, e o presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani (ambos democratas) de se terem recusado a colaborar com a operação.
Entre 27 de julho e 29 de agosto, foram detidas 2.197 pessoas, numa intensificação das ações de fiscalização e detenção de imigrantes ilegais, que a administração Trump justifica com a falta de colaboração das autoridades estaduais de Nova Iorque.
“A Operação Maçã Podre foi uma operação que decidimos empreender porque temos um presidente da Câmara muito liberal/socialista aqui na cidade de Nova Iorque”, disse Markwayne Mullin, citado pelo New York Times, apontando também baterias a Kathy Hochul. “Temos uma governadora que se recusa a trabalhar connosco”, lamentou. Em junho, a governadora tinha proibido as forças policiais estaduais de colaborar com o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês).
ICE deteve 49 mil imigrantes ilegais só em julho
As operações de fiscalização de imigrantes ilegais em Nova Iorque inserem-se num esforço mais alargado do ICE para deter e deportar cidadãos estrangeiros em situação irregular no país. Em julho, o número de imigrantes detidos em todo o país atingiu um recorde — cifrando-se nas 49 mil pessoas, um valor já próximo da meta definida pela administração Trump de duas mil detenções diárias.
No estado de Nova Iorque, e ainda antes do início da operação “Maçã Podre”, o número de imigrantes detidos já vinha em crescendo. Em julho, foram presas 1.550 pessoas, contra as 850 registadas em abril, de acordo com dados federais obtidos pelo Deportation Data Project.
Recusando a ideia de que a operação levada a cabo no último mês em Nova Iorque tenha sido uma ação “indiscriminada”, o secretário de Segurança Interna garantiu que o ICE prendera apenas os criminosos “mais perigosos” — uma alegação que tem sido repetida com insistência ao longo dos últimos meses pela Casa Branca mas não corresponde à verdade, uma vez que as operações do ICE têm prendido cada vez mais imigrantes sem antecedentes criminais.
A maioria dos imigrantes presos em julho foi acusada de violar leis de imigração, mas não foi indiciada ou condenada por nenhum crime, segundo uma análise de dados federais feita pelo New York Times.
Mamdani acusa ICE de aterrorizar imigrantes
Numa conferência de imprensa, Markwayne Mullin adiantou que, ao “longo desta operação”, foram presos “assassinos, violadores, pedófilos, traficantes de drogas e agressores violentos”. “A Operação Maçã Podre tirou das ruas de Nova Iorque alguns dos piores criminosos”, disse também o czar das fronteiras dos EUA, Tom Homan, citado num comunicado do Departamento de Segurança Interna. Homan acusou os “políticos democratas em Nova Iorque de dizerem que se importam com a segurança pública, mas não permitirem” a detenção de criminosos. “Não faz sentido”, afirmou.
Numa conferência de imprensa separada, o presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, acusou o ICE de aterrorizar imigrantes e disse que a agência estava a criminalizar “o próprio ato de ser imigrante”. “Nós, como cidade de Nova Iorque, temos orgulho de ser uma cidade com políticas de cidade-santuário”, disse o autarca.
Entre os detidos no âmbito da operação “Maçã Podre” estão um ucraniano condenado por sequestro e homicídio; um colombiano condenado por agressões sexuais contra menores; um mexicano condenado por violação ou um dominicano condenado por tráfico de droga.