A ministra dos Negócios Estrangeiros palestiniana, Varsen Shahin, defendeu esta segunda-feira em Lisboa que “não é tempo de gerir a ocupação” israelita, mas de “acabar com a ocupação”, e pediu maior determinação da comunidade internacional.

“Hoje não é tempo de gerir a ocupação, é tempo de acabar com a ocupação. É tempo de trazer a paz de uma vez por todas à região“, considerou a chefe da diplomacia da Autoridade Palestiniana, no final de uma reunião com o homólogo português, Paulo Rangel, no Palácio das Necessidades.

Antes, Varsen Shahin descreveu a situação dos palestinianos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

“O povo palestiniano continua a enfrentar graves violações dos seus direitos e um sofrimento imenso tanto na Faixa de Gaza como na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental. A situação humanitária catastrófica em Gaza, a contínua expansão dos assentamentos israelitas ilegais, em violação do Direito internacional, a escalada da violência por colonos israelitas, o deslocamento forçado das comunidades palestinianas”, relatou Varsen Shahin, na primeira visita oficial a Lisboa após o reconhecimento do Estado da Palestina por Portugal, em 21 de setembro de 2025.

“Estes desenvolvimentos fazem parte de uma realidade mais ampla de ocupação prolongada e violações contínuas do Direito internacional, que exigem que a comunidade internacional cumpra as suas responsabilidades e aja com maior determinação”, sustentou.

Palestina acredita em “contributo importante” de Portugal para a paz no Conselho de Segurança

A chefe da diplomacia palestiniana defendeu em Lisboa que Portugal “pode dar um contributo importante” para procurar uma “paz justa e duradoura”, no mandato no Conselho de Segurança, quando “o Direito internacional é testado” a nível mundial.

“À medida que Portugal assume a sua responsabilidade no Conselho de Segurança, estamos confiantes de que continuará a usar a sua voz e posição para reforçar a proteção dos civis e defender o Direito internacional”, afirmou Varsen Shahin, no final de uma reunião com o homólogo português, Paulo Rangel, no Palácio das Necessidades.

“Num momento em que a credibilidade do sistema multilateral e a universalidade do Direito internacional estão a ser testadas em grande escala mundial, acreditamos que Portugal pode dar um contributo importante para manter a procura de uma paz justa e duradoura no centro dos esforços internacionais”, disse a ministra dos Negócios Estrangeiros e Expatriados palestiniana, na primeira visita oficial a Portugal após o reconhecimento pelo Governo de Lisboa do Estado da Palestina, concretizado há um ano.

A Palestina, continuou, vê Portugal “como um parceiro valioso no avanço do direito inalienável do povo palestiniano à autodeterminação, independência e Estado”.

“Valorizamos profundamente o compromisso de Portugal com o multilateralismo, o Direito internacional e a resolução pacífica de conflitos, e esperamos trabalhar de perto com Portugal no período que se avizinha”, referiu.

A ministra aproveitou para felicitar as autoridades portuguesas “pela merecida eleição” para um mandato como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para 2027-2028.

“Para o Estado da Palestina, o papel de Portugal no Conselho de Segurança tem particular importância num momento em que o povo palestiniano continua a enfrentar graves violações dos seus direitos e imenso sofrimento tanto na Faixa de Gaza como na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental”, comentou.

Varsen Shahin reiterou ainda o “profundo apreço” da Autoridade Palestiniana e do povo palestiniano pelo “passo importante” de reconhecimento do Estado da Palestina.

“Valorizamos profundamente a decisão de Portugal de dar este passo histórico, que reflete a longa amizade e o forte sentido de respeito mútuo entre os nossos dois povos”, salientou.

Sobre as relações bilaterais, a ministra mostrou-se convicta de que “a amizade” entre os dois Estados “continuará a crescer” e que a “cooperação se fortalecerá ainda mais nos próximos anos”.