O Presidente da República, António José Seguro, prestou esta quinta-feira homenagem a António Guterres e elogiou-o pela sua “convicção inabalável em defesa da paz” enquanto secretário-geral da ONU, considerando que exerceu esse cargo na pior altura.
O chefe de Estado falava aos jornalistas na Embaixada de Portugal junto da Santa Sé, no fim da sua visita oficial ao Vaticano, a propósito da sessão de debate anual da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) que decorre em Nova Iorque, a última com António Guterres como secretário-geral.
“Eu tive a oportunidade de trocar umas mensagens precisamente esta quinta-feira, eu mais de manhã, ele um bocadinho mais tarde e por isso também lhe endereço publicamente as felicitações pelo mandato – ainda tem três meses – mas pelo mandato que fez nas Nações Unidas”, contou.
Questionado se considera que o antigo primeiro-ministro de Portugal foi um bom secretário-geral da ONU – funções que António Guterres exerce desde o início de 2017, coincidindo em dois períodos distintos com Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos da América – António José Seguro começou por comentar: “Bem, teria sido a pior altura para ele ter sido secretário-geral das Nações Unidas”.
A seguir, o chefe de Estado defendeu que, no fim de contas, “aquilo que ficou claro e também bem patente no discurso final é a sua convicção inabalável em defesa da paz” e o modo como foi “muito bem recebido pela Assembleia Geral, que o aplaudiu em pé”, constitui “o melhor balanço que se pode fazer” do seu trabalho à frente da ONU.
“Naturalmente que não correu tudo como ele gostaria, mas este é um momento de lhe prestarmos homenagem pela sua tenacidade na defesa dos valores da paz e da dignidade humana”, afirmou.
António José Seguro concordou que “há um enfraquecimento das instituições do multilateralismo” e referiu que “as Nações Unidas estão sempre dependentes da contribuição financeira que os Estados lhes querem emprestar, designadamente dos Estados Unidos [da América]”.
“Mas eu julgo que isso também mostra a coragem e o caráter do engenheiro António Guterres em ser firme nos princípios e não ceder quando estão em causa princípios que nós julgávamos que eram adquiridos por todos os líderes mundiais”, acrescentou.