Terão sido “dezenas de conversas escritas” com um cariz antissemita. No início da carreira política, quando ainda não tinha 18 anos, o presidente da União Nacional (RN), Jordan Bardella, terá feito vários comentários antissemitas no verão de 2013, avança esta segunda-feira o portal de investigação Mediapart. “Todos os bancos são propriedades de judeus. Os judeus querem dominar outros povos, esmagá-los e roubá-los”, terá escrito o aliado da candidata presidencial Marine Le Pen, que na altura já era militante do partido.
O fundador da União Nacional, Jean-Marie Le Pen, fez, ao longo da sua carreira política, vários comentários do mesmo género. Por causa disso, a imagem do partido de direita radical ficou sempre associada ao antissemitismo. Em pleno processo de normalização na cena política francesa — e num momento em que as sondagens indicam que o RN poderá vencer as eleições presidenciais no próximo ano —, um dos principais rostos do partido volta a ser associado ao antissemitismo.
No X, Jordan Bardella fez questão de desmentir categoricamente a investigação do Mediapart. O líder partidário “contesta formalmente” as acusações e nega ter feito “comentários antissemitas e delírios” quando era menor. “São mentiras descaradas”, atirou.
Je conteste formellement les accusations portées à mon endroit par Mediapart, me prêtant des propos délirants et antisémites que j'aurais prétendument tenus alors que j'étais mineur. Il s'agit évidemment de faux grossiers.
Au moment où la victoire de nos idées n'a jamais été…
— Jordan Bardella (@J_Bardella) September 28, 2026
“No momento em que a vitória das nossas ideias está cada vez mais perto, uma certa imprensa ativista está pronta para orquestrar operações de difamação para desestabilizar a campanha presidencial e atacar a minha honra“, lamentou Jordan Bardella. O político anunciou ainda que “instruiu o seu advogado” para “iniciar todos os procedimentos legais necessários contra o Mediapart”.
De acordo com o portal de investigação, Jordan Bardella terá acusado os judeus de quererem “uma nova ordem mundial dominada por Israel, com Jerusalém como capital”. “Os ministérios mais importantes vão para pessoas ligadas a Israel. Os interesses bancários têm prioridade sobre os interesses franceses. Sionismo e domínio bancário estão ligados [Goldman Sachs, Rothschild, Lehman Brothers…]”, terá escrito.
O atual chefe de gabinete de Jordan Bardella, François Paradol, pertenceu no passado ao Égalité et Réconciliation, movimento fundado por Alain Soral — um ativista de extrema-direita já condenado por negação do Holocausto. Segundo o Mediapart, o líder da União Nacional terá privado com estes dois homens no início da sua carreira política. Esta proximidade poderá ter estado na origem destas conversas escritas.
De acordo com o Mediapart, nas mensagens atribuídas a Jordan Bardella, o líder partidário elogiava as “análises” de Alain Soral e o “combate de ideias”. O portal indica ainda que o aliado de Marine Le Pen estaria consciente da necessidade de manter estas posições em segredo, de forma a não comprometer o crescimento eleitoral do partido.
???? Écrits antisémites attribués à Jordan Bardella
????️ Ce sont des "accusations folles (…) Ça me parait totalement délirant. (…) Je n’y crois pas du tout. C’est une dinguerie", réagit Marine Le Pen, en direct sur LCI pic.twitter.com/vv0rfawcuH
— LCI (@LCI) September 28, 2026
Em plena corrida para as presidenciais de 2027, a candidata ao Palácio do Eliseu saiu em defesa de Jordan Bardella, atacando o portal investigativo. “Parece-me tão absurdo que, obviamente, só pode ser uma farsa, uma manipulação, uma artimanha suja, algo a que o Mediapart está habituado, aliás”, afirmou Marine Le Pen, atirando: “Nenhuma pessoa saudável pode acreditar nesta estupidez”.
[Dois meses após o desaparecimento, e já depois de o genro, Raymond Quendoz, lhes ter anunciado que ia divorciar-se dela, os Silva Pais recebem finalmente notícias da filha. Annie está bem. Recusa dar detalhes sobre o seu paradeiro mas há cada vez mais evidências de que fugiu do marido para se juntar à revolução cubana. E, se isso aconteceu, uma coisa é certa: Annie tem de ter tido a ajuda e o aval do próprio Fidel Castro. Resta apenas saber porquê. Já pode ouvir o segundo episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]