Terão sido “dezenas de conversas escritas” com um cariz antissemita. No início da carreira política, quando ainda não tinha 18 anos, o presidente da União Nacional (RN), Jordan Bardella, terá feito vários comentários antissemitas no verão de 2013, avança esta segunda-feira o portal de investigação Mediapart. “Todos os bancos são propriedades de judeus. Os judeus querem dominar outros povos, esmagá-los e roubá-los”, terá escrito o aliado da candidata presidencial Marine Le Pen, que na altura já era militante do partido.

O fundador da União Nacional, Jean-Marie Le Pen, fez, ao longo da sua carreira política, vários comentários do mesmo género. Por causa disso, a imagem do partido de direita radical ficou sempre associada ao antissemitismo. Em pleno processo de normalização na cena política francesa — e num momento em que as sondagens indicam que o RN poderá vencer as eleições presidenciais no próximo ano —, um dos principais rostos do partido volta a ser associado ao antissemitismo.

No X, Jordan Bardella fez questão de desmentir categoricamente a investigação do Mediapart. O líder partidário “contesta formalmente” as acusações e nega ter feito “comentários antissemitas e delírios” quando era menor. “São mentiras descaradas”, atirou.

“No momento em que a vitória das nossas ideias está cada vez mais perto, uma certa imprensa ativista está pronta para orquestrar operações de difamação para desestabilizar a campanha presidencial e atacar a minha honra“, lamentou Jordan Bardella. O político anunciou ainda que “instruiu o seu advogado” para “iniciar todos os procedimentos legais necessários contra o Mediapart”.

De acordo com o portal de investigação, Jordan Bardella terá acusado os judeus de quererem “uma nova ordem mundial dominada por Israel, com Jerusalém como capital”. “Os ministérios mais importantes vão para pessoas ligadas a Israel. Os interesses bancários têm prioridade sobre os interesses franceses. Sionismo e domínio bancário estão ligados [Goldman Sachs, Rothschild, Lehman Brothers…]”, terá escrito.

O atual chefe de gabinete de Jordan Bardella, François Paradol, pertenceu no passado ao Égalité et Réconciliation, movimento fundado por Alain Soral — um ativista de extrema-direita já condenado por negação do Holocausto. Segundo o Mediapart, o líder da União Nacional terá privado com estes dois homens no início da sua carreira política. Esta proximidade poderá ter estado na origem destas conversas escritas.

De acordo com o Mediapart, nas mensagens atribuídas a Jordan Bardella, o líder partidário elogiava as “análises” de Alain Soral e o “combate de ideias”. O portal indica ainda que o aliado de Marine Le Pen estaria consciente da necessidade de manter estas posições em segredo, de forma a não comprometer o crescimento eleitoral do partido.

Em plena corrida para as presidenciais de 2027, a candidata ao Palácio do Eliseu saiu em defesa de Jordan Bardella, atacando o portal investigativo. “Parece-me tão absurdo que, obviamente, só pode ser uma farsa, uma manipulação, uma artimanha suja, algo a que o Mediapart está habituado, aliás”, afirmou Marine Le Pen, atirando: “Nenhuma pessoa saudável pode acreditar nesta estupidez”.

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