A porta-voz do Livre afirmou esta segunda-feira que o partido “dificilmente acompanhará” a proposta de Orçamento do Estado para 2027, antevendo que só o fará se houvesse uma “grande surpresa” na orientação política do executivo, em que não acredita.
“Vamos esperar pelo documento do Orçamento, pode ser que venha uma grande surpresa e que de repente o Governo altere completamente a sua política, mas não acreditando nisso dificilmente o acompanharemos, como é óbvio”, afirmou Isabel Mendes Lopes, em declarações à Lusa após uma visita à sede da Acreditar – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro, em Lisboa.
A também líder parlamentar do Livre frisou que o partido “não acompanha as políticas que este Governo tem seguido”, criticando as medidas para aliviar a subida do custo de vida, que vê “muitas vezes direcionadas de forma errada” sem que ajudem quem mais precisa.
Mendes Lopes apontou ainda para o que considera ser a falta de investimento em áreas como a ciência, a educação ou a saúde, referindo que, com essas opções, o Governo está a “comprometer o futuro do país”.
A deputada do Livre afirmou também que o partido levará para a discussão orçamental propostas para construir um “Portugal de futuro”, por exemplo com a criação de um passe de mobilidade nacional, maior investimento no sistema de transportes públicos, a implementação de uma herança social ou o reforço do abono de família, em particular para famílias monoparentais.
Entre segunda-feira e quarta-feira, os ministros das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, e dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, apresentam aos partidos com representação parlamentar as linhas gerais da proposta de Orçamento do Estado para 2027, sendo que o Livre será recebido na terça-feira.
O Livre votou contra todos os Orçamentos do Estado apresentados até à data pelos dois governos da Aliança Democrática (AD), liderados por Luís Montenegro.
O Parlamento vai debater na generalidade a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027 nos dias 27 e 28 de outubro, estando a votação final global prevista para 24 de novembro.
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