O primeiro-ministro vai dar esta quarta-feira uma aula sobre ética, integridade e prevenção da corrupção a alunos do ensino secundário, inserida numa iniciativa nacional promovida pelo Mecanismo Nacional Anticorrupção (MENAC).

Luís Montenegro vai regressar esta quarta-feira, às 10h15, à Escola Básica e Secundária Dr. Manuel Laranjeira, em Espinho, onde foi aluno, para realizar uma palestra sobre a “promoção da integridade junto das gerações mais jovens”.

O primeiro-ministro será um dos mais de 200 palestrantes que vão dar aulas sobre o tema a cerca de 40 mil alunos pertencentes a aproximadamente 2 mil turmas. Entre os restantes convidados especiais, destacam-se a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, o Bastonário da Ordem dos Advogados, João Massano, e o Diretor Nacional da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro.

O combate à corrupção começa na prevenção e nos comportamentos individuais, mas também na capacidade de tomar, desde cedo, decisões orientadas por princípios, defendem o secretário de Estado da Educação e o presidente do Mecanismo Nacional Anticorrupção (MENAC).

Quanto à importância de levar o debate até aos mais novos, Alexandre Homem Cristo e José Mouraz Lopes sublinharam que a escola “é o espaço onde se aprende a cidadania”, numa entrevista ao podcast Lusa Extra, a propósito dos Dias da Integridade e Anticorrupção, que arrancam esta quarta-feira.

Promovida pelos ministérios da Educação e da Justiça e pelo MENAC, a iniciativa, que se prolonga até sexta-feira, convida mais de 200 especialistas, entre magistrados, juristas e até o primeiro-ministro, a dar uma aula sobre estes temas a alunos dos ensinos básico e secundário de todo o país. “É diferente ouvir o primeiro-ministro ou ouvir o diretor da Polícia Judiciária”, começou por dizer o secretário de Estado Adjunto e da Educação, que assegura que, apesar das diferentes visões, há um princípio comum: “O combate à corrupção começa na prevenção e começa nos comportamentos individuais”.

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Apontando a escola como primordial na formação dos cidadãos, Alexandre Homem Cristo acrescenta que é também onde as crianças aprendem o valor desses comportamentos individuais “no relacionamento com os outros, com as instituições e com o cumprimento das regras”, uma posição partilhada pelo presidente do MENAC.

Questionado se as escolas devem ser as primeiras a dar o exemplo, José Mouraz Lopes considerou que podem ir mais longe, assumindo-se como “um motor para desenvolver mecanismos que contrariem os riscos de corrupção. “São o mecanismo que permite que os miúdos e os jovens comecem a pensar no seu dia a dia, no modo como encaram a vida não só na escola”, continuou.

A discussão sobre a ética e a integridade pode até partir de temas como a “cultura da cunha, do facilitismo ou do nepotismo”, que podem ser abordados desde cedo pelos professores, por exemplo através das dinâmicas de sala de aula. “Os professores tentam que todos tenham a mesma oportunidade, e às vezes há estas maneiras de fazer sorteios, ou de mostrar que há enviesamentos que são naturais e que não são mal-intencionados, mas que devem ser evitados nas tomadas de decisão”, relatou Alexandre Homem Cristo.

A propósito da importância das decisões, o presidente do MENAC acrescenta que as pessoas tomam decisões “desde a escola primária até ao fim da vida” e, por isso, é essencial que a cultura de integridade e transparência atravesse todos os níveis de ensino. “Essas decisões têm que ser sempre tomadas em função de princípios e de regras e têm que ser fundamentadas. E quando há situações que podem pôr em causa a transparência dessa tomada de decisão, temos um problema”, defendeu, antecipando que será também essa a ideia que tentará transmitir esta quarta-feira na sua aula.

José Mouraz Lopes pretende ainda transmitir aos alunos que Portugal “não é um país corrupto” e que “não são os interesses obscuros financeiros que estão na origem do interesse e na disponibilidade para exercer cargos políticos”. “É o contrário. É o exercício da cidadania, é representar o melhor que nós queremos para o país”, acrescentou.

A este propósito, também Alexandre Homem Cristo sublinhou que a iniciativa não pretende limitar-se às relações no contexto escolar ou familiar. “Tem a ver com o que queremos para o nosso país, e se queremos que o país funcione melhor, então o nosso comportamento tem que estar alinhado com isso, porque o país é a soma dos seus cidadãos”, explicou, destacando igualmente a importância de instituições fortes que “tenham a capacidade de exercer esta boa influência”.

Entre esta quarta-feira e sexta-feira, os Dias da Integridade e Anticorrupção vão chegar a mais de 250 escolas públicas e privadas, abrangendo cerca de 40 mil alunos, mas este é apenas o pontapé de saída, diz José Mouraz Lopes. “Isto é a prevenção da corrupção através da densificação do que é a integridade, a ética e aquilo que muitas vezes demora a construir. Este princípio é fundamental: começar a construir uma cultura para todas as escolas, para todas as idades e que, obviamente, se vai desenvolver nos próximos anos”, concluiu.