O topo da Arriba Fóssil da Costa da Caparica, no concelho de Almada, recuou cerca de sete metros em algumas zonas durante as tempestades de fevereiro, segundo um estudo que aconselha a desocupação das áreas de maior risco.
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O estudo de “Acompanhamento e monitorização de movimentos de Vertente e de Massa no Concelho de Almada e Estratégia para redução da vulnerabilidade e risco” foi desenvolvido por uma equipa da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa para análise do impacto das tempestades de fevereiro e incidiu nas zonas de Porto Brandão (Azinhaga dos Formozinhos) e Arriba Fóssil da Costa da Caparica (Raposeira, São João e Santo António).
Entre várias recomendações, a equipa coordenada por José Carlos Ferreira, do Departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente, e Paulo Sá Caetano, do Departamento de Ciências da Terra, aponta que há zonas de risco muito elevado, pelo que não se verificam condições de segurança para o regresso dos moradores.
Relativamente às arribas fósseis da Costa da Caparica, o estudo indica que na zona de Pica Galo foi observado um recuo de aproximadamente 6,9 metros nos movimentos ocorridos em fevereiro de 2026 face a dados observados em 2024.
O recuo máximo histórico por evento registado nesta zona foi de cerca de 12,5 metros.
Já no troço da arriba fóssil mais a sul, o recuo máximo histórico considerado é de 4,7 metros e foi estimado um recuo instantâneo de cerca de 1,1 metros no evento recente de Santo António.
Com estes recuos, é recomendada “cautela na ocupação da crista”, disse Paulo Sá Caetano na apresentação pública da investigação, que decorreu no auditório da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, numa sessão que contou também com a presença de moradoras das zonas.
Paulo Sá Caetano foi muito claro e incisivo quanto aos cuidados a ter: “A recomendação que tem de se fazer é que tem de haver faixas de salvaguarda de proteção que possam incorporar movimentos que atinjam esta magnitude ou até maior. Recomendamos uma faixa primária de segurança de 15 metros acrescida de uma faixa secundária de mais 10 metros”, disse, referindo-se à zona de Pica Galo.
Para o especialista, esta recomendação é inevitável perante as observações, considerando que “seria irresponsável” se não o fizesse, além de aconselhar a que não exista ocupação da zona. “Dizer o contrário é sujeitar as pessoas ao perigo que pode pôr em causa a sua segurança”, frisou.
No setor mais a sul, onde foi registado um recuo de um metro, a recomendação é menos conservadora, com indicação de criação de uma faixa de proteção primária de 10 metros e uma secundária de mais 10 metros.
Segundo o estudo, a crista da arriba constitui uma área particularmente sensível, na qual o recuo ocorre de forma descontínua, através de movimentos localizados, repentinos e potencialmente de grande magnitude.
Os especialistas defendem ainda que nas faixas de proteção da crista definidas “deve ser claramente interdita” a construção de novas edificações, a reconstrução ou ampliação de edificações existentes, a construção de piscinas, anexos, muros ou outras estruturas que introduzam cargas adicionais, a instalação de equipamentos, estacionamentos ou atividades que impliquem permanência regular de pessoas, a execução de aterros, escavações ou alterações da topografia e a instalação de novas condutas ou sistemas de descarga de água para a vertente.
Relativamente à desocupação e demolição das construções abrangidas pelas faixas de risco, os especialistas defendem que todas as construções localizadas na crista da arriba fóssil e inseridas nas respetivas faixas de proteção (primária e secundária), sobretudo as destinadas à habitação, devem ser desocupadas e progressivamente demolidas.
“Destacam-se, em particular, as construções localizadas junto à crista da arriba, atualmente sujeita a processos de erosão e recuo, desde a Rua M, a sul, prolongando-se para norte ao longo da crista até ao Beco 25 de Abril e terminando junto à Rua de São Pedro. A intervenção deverá iniciar-se pelas edificações abrangidas pelas faixas de proteção primária e secundária e por aquelas que apresentem maior proximidade à crista”, sustentam os especialistas no estudo.
A demolição, adiantam, deve ser entendida como uma medida estrutural de redução da vulnerabilidade, pelo que a recomendação se aplica independentemente de se tratar de construções legais ou ilegais, uma vez que as estruturas expõem diretamente os seus ocupantes ao recuo da arriba, aumentam a carga exercida sobre a crista, podem contribuir para a instabilização local e aumentar o risco para pessoas e construções situadas na base.
Quanto ao uso futuro da crista da arriba, os especialistas recomendam que as faixas de proteção devem ser reconvertidas privilegiando áreas naturais de proteção, não devendo ser espaços de utilização humana regular.
Por outro lado, entendem que deve ser feito um levantamento das redes, valas, condutas, descargas e linhas de escoamento existentes no topo da arriba e que deve haver uma monitorização e, em caso de novas fissuras, abatimentos, deformações ou perda de suporte, será preciso ampliar a área interdita.
Já na base das arribas, onde existe risco de quedas de blocos, fluxos de terras, detritos, desmoronamentos e materiais resultantes da crista, a avaliação dos especialistas delimitou áreas potenciais de propagação, identificando as que devem ser desocupadas e onde é possível criar proteções.
Em fevereiro, na sequência das intempéries que assolaram Portugal, cerca de 500 pessoas tiveram de ser retiradas das suas casas no concelho de Almada, no distrito de Setúbal.
[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]