A voz por trás do ratinho mais famoso da televisão, Topo Gigio, morreu na manhã desta quarta-feira, na sua casa perto de Messina, na ilha de Sicília (Itália). Peppino Mazzullo tinha 100 anos, completados no passado dia 6 de junho, e foi o dobrador original do fantoche durante 45 anos.

Topo Gigio foi uma criação original da artista Maria Perego, que morreu em 2019, na sequência de um ataque cardíaco. O ratinho de fantoche fez as delícias de miúdos e graúdos ao longo da segunda metade do século XX, e chegou a ser considerado a personagem mais popular do mundo, com fãs na Europa mas também nos EUA, onde era um convidado regular do célebre The Ed Sullivan Show.

Morreu María Perego, criadora do Topo Gigio

“Naquela classificação superei mesmo o Papa e o Presidente dos EUA. Conseguem imaginar?”, recordou Mazzullo, entrevistado pelo La Repubblica por ocasião do seu centenário. “Saber que era eu que dava a voz àquele ratinho que estava no topo de todos os rankings enchia-me de alegria.”

Mazzullo começou a dobrar a versão original de Topo Gigio em 1961, dois anos após a estreia do ratinho no canal de televisão público italiano, RAI. Desempenhou este ofício até 2006, quando regressou à região de Messina, a cidade onde nasceu, na Sicília. É recordado pela expressão que repetia inúmeras vezes, “Ma cosa mi dice mai?“, que significa algo semelhante a “Não me digas?” em português.

Em Portugal, Topo Gigio popularizou-se entre as décadas de 1970 e 80, durante as quais foi a personagem que mandava as crianças dormir, no suplemento de “Boa Noite” da RTP, com uma canção de embalar composta por José Cid e interpretada por António Semedo. Anos depois, a mesma função foi reivindicada pelo Vitinho ou pelos Patinhos. Nos anos 90, a personagem voltou a destacar-se, desta vez ao lado de João Baião, no programa Big Show SIC (1995-2001).