Um petroleiro que navegava ao largo do Qatar reportou ter sido atingido “por múltiplos projéteis”, que fizeram um número indeterminado de vítimas a bordo, segundo a agência de segurança marítima britânica UKMTO.
O incidente ocorreu a 51 milhas náuticas (94 quilómetros) da costa deste pequeno Estado do Golfo, detalhou a agência.
O fluxo de petróleo através do estreito de Ormuz subiu nas últimas semanas para níveis próximos dos anteriores ao conflito no Irão, que respondeu aos ataques de que foi alvo a partir de fevereiro decretando o encerramento desta via essencial para o escoamento das exportações energéticas dos países do Golfo Pérsico e atacando embarcações que faziam a travessia.
A República Islâmica reivindica o controlo desta passagem estratégica, pela qual transitava um quinto dos hidrocarbonetos mundiais, antes da guerra desencadeada no final de fevereiro por ataques dos Estados Unidos e de Israel contra Teerão.
O Irão exige agora que os navios que pretendam atravessá-lo obtenham uma autorização da sua parte, e os que não obedecerem ficam sujeitos a ataques.
Em resposta, as forças norte-americanas impuseram um bloqueio naval aos portos iranianos enquanto escoltam os petroleiros — cada vez mais numerosos — na travessia do estreito, com as negociações para terminar a guerra num impasse.
As monarquias da região conseguem assim exportar volumes crescentes de crude: no final de setembro, atingiram os níveis anteriores à guerra, segundo dados da plataforma de monitorização Kpler.
Até ao momento, nem o Irão nem as forças norte-americanas se pronunciaram sobre o mais recente ataque à navegação na região.
O chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, afirmou esta quarta-feira, durante a visita oficial a Atenas, que “o Irão perdeu o controlo integral” do estreito de Ormuz. “Há agora quase tanto petróleo a circular como havia antes do início deste conflito. Perderam, portanto, o controlo integral do estreito”, declarou Marco Rubio numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo grego, George Gerapetritis.
Rubio acrescentou que os iranianos “estão muito menos poderosos do ponto de vista militar”.
Enquanto Washington reforçou recentemente a pressão económica sobre Teerão, o secretário de Estado norte-americano considerou que, devido às “devastadoras sanções”, a economia iraniana está “prestes a atingir uma situação que poucos países no mundo conheceram”. “Vai tornar-se catastrófica”, concluiu.