A ex-autarca e presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) Rosa Sousa vai ser a candidata indicada pela tendência social-democrata a presidente da UGT, confirmou a própria à Lusa, depois de o nome de Francisco Pimentel não ter reunido consenso.
Questionada pela Lusa, Rosa Sousa confirma que os Trabalhadores Social-Democratas (TSD) estiveram esta quarta-feira reunidos para tentar desbloquear o impasse relativo à proposta de candidato a suceder Lucinda Dâmaso na liderança da União Geral de Trabalhadores (UGT).
Apesar de sublinhar que não esteve na reunião desta quarta-feira para não condicionar a votação, a social-democrata e presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado e de Entidades com Fins Públicos (STE) indicou que já lhe foi transmitido que o seu nome teve “plena concordância” entre os TSD, pelo que irá a votos na reunião magna da central sindical.
O nome consensualizado anteriormente pela tendência social-democrata, Francisco Pimentel, não reuniu consenso e chegou a ser rejeitado pelo secretariado nacional da central sindical.
Dentro da UGT há um acordo implícito que dita que os TSD escolhem o candidato a presidente e a tendência socialista escolhe o candidato a secretário-geral, ainda que os estatutos sinalizem que podem apresentar-se outros candidatos no congresso da central, desde que reúnam os apoios necessários (20% dos delegados), o que nunca aconteceu na história da UGT.
Assim, apesar deste procedimento prévio, e tal como acontece nos restantes órgãos, o futuro presidente da UGT só será formalmente eleito no Congresso da central sindical, que se realiza este fim de semana, na Figueira da Foz.
As votações do presidente e do secretário-geral da UGT são feitas em separado no Congresso, dado que estes são órgãos uninominais.
Se for eleita, Rosa Sousa vai suceder a Lucinda Dâmaso na presidência da UGT, cargo que a social-democrata e ex-vice presidente do PSD ocupa desde 2013.
Licenciada em História e com um mestrado em História Cultural e Política, Rosa Sousa foi eleita presidente do STE em dezembro de 2025, tendo antes desempenhado cargos de tesoureira e vice-presidente na mesma estrutura.
Ligada atualmente à Direção-Geral das Artes no Ministério Público, Rosa Sousa conta ainda com um percurso político, tendo sido presidente da freguesia Coração de Jesus (atualmente freguesia de Santo António), em Lisboa.
Antes de Rosa Sousa, a tendência social-democrata na UGT chegou a propor o nome do deputado do PSD e presidente do SINTAP Francisco Pimentel ao secretariado nacional. Contudo, a proposta não reuniu consenso e chegou a ser rejeitada pelo órgão executivo máximo da central sindical.
Na altura, uma fonte ouvida pela Lusa realçava que Francisco Pimentel “tudo fez para proteger a unidade da UGT”, no âmbito do processo negocial que decorreu entre Governo e parceiros sociais sobre as alterações à lei laboral e que levou o secretariado nacional da central sindical a rejeitar por duas vezes, por unanimidade, as propostas apresentadas pelo Governo.
Em contrapartida, outra fonte apontava que a escolha poderia não ser pacífica, lembrando que o deputado votou, ao lado da sua bancada, a favor da proposta do Governo para rever a lei laboral.
A rejeição do nome proposto pela tendência social-democrata foi classificada como “lamentável” pelo então secretário-geral dos TSD, Pedro Roque, que, entretanto, se demitiu, tendo sido substituído por Álvaro Carneiro.
A Lusa tentou ainda contactar Álvaro Carneiro e aguarda resposta.