A direção de uma nova cooperativa de habitação para jovens solicitou uma audiência ao Presidente da República para apresentar alternativas de construção a custos controlados e reanimar o movimento cooperativo, que “está esquecido”.

“Sentimos que, neste momento, o movimento cooperativo está esquecido e ninguém está a trabalhar no sentido de poder haver uma alternativa para a solução dos problemas de habitação para todos, e para os jovens em particular, a partir de cooperativas de habitação”, afirmou o presidente da direção da Urbisjovem — Cooperativa de Habitação Jovem.

Em declarações à Lusa, José Arruda acrescentou que a iniciativa permite envolver “diretamente os próprios jovens” na decisão do que pretendem, nomeadamente “construção tipo evolutiva”, para “no futuro acrescentar mais uma divisão à casa”, entre “vários tipos de alternativas”.

Segundo Arruda, a Urbisjovem foi constituída em março passado, em Almeirim, no distrito de Santarém, por pessoas que, desde 1983, estiveram envolvidas no movimento Habijovem, que através de cooperativas regionais promoveu a construção a custos controlados em vários concelhos do país.

“Tivemos a oportunidade, nessa altura, (em) que também se vivia um momento de alguma crise e dificuldade na aquisição de habitação, sobretudo para os jovens, de construir no total cerca de 1.100 fogos no âmbito das oito cooperativas”, contou o antigo presidente da Habijovem de Santarém.

Os projetos de construção e reabilitação, referiu, envolveram os municípios de Aveiro, Águeda, Albufeira, Coimbra, Lisboa, Faro, Montijo, Porto, Reguengos de Monsaraz, Santarém, Seia e Sintra (no Cacém).

Em Santarém, recordou o também presidente da delegação distrital da Sedes — Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, a Habijovem reabilitou um edifício em ruínas no centro histórico, em 1991, quando a “taxa de juro era 18% ao ano”, e com apoio do então Instituto Nacional de Habitação.

Na cidade escalabitana, no Bairro de São Domingos, a cooperativa construiu “nessa altura 100 fogos em apartamentos”, conseguindo “fazer com que os preços de todos os empreendimentos baixassem”, com oito prédios construídos “de uma única vez”, num investimento que terá rondado, na moeda atual, os 4 milhões de euros.

A Urbisjovem, num “espírito de âmbito nacional”, tem como presidente da assembleia-geral Paulo Neves, que presidiu à Habijovem do Algarve, e a liderar o conselho fiscal Horácio Prata Pina, que presidiu às cooperativas de Coimbra e Seia.

“Estamos a reunir com os municípios, a tentar ver se conseguimos ter disponibilidade de terrenos para poder, de facto, baixar o preço e o custo da habitação. Pretendemos fazer habitação com tipologias que se adaptem aos jovens, portanto, T0, T1, T2” e “que também isso permita o valor mais baixo”, explicou.

Para José Arruda, uma vez que as cooperativas não visam o lucro, a ideia é poder ser “uma alternativa” para o “gravíssimo problema” da crise da habitação.

Na sequência de reuniões com o presidente do IHRU (Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana), e com a secretária de Estado da Habitação, José Arruda disse que a governante “também reconheceu que as cooperativas estavam um pouco de fora” da promoção de habitação.

O pedido de audiência ao Presidente da República, notou, visa dar a conhecer o que querem fazer, quando estão “a trabalhar já com uma série de municípios”, no sentido de ver se conseguem esse apoio, “sobretudo na questão dos terrenos”.

“Não construímos habitação social, construímos habitação a custos controlados, que é totalmente diferente. Portanto, o objetivo das cooperativas é, de facto, não ultrapassar aqueles valores que estão estipulados” e “podermos ter uma alternativa para as pessoas” da “classe média, sobretudo, e também de poderem adquirir casas a preços justos”, salientou.

José Arruda reconheceu que “houve algumas cooperativas que tiveram, de facto, problemas na sua gestão, na questão dos empreendimentos”, que “não correram bem e isso ajudou um pouco a que o movimento cooperativo baixasse” a atividade, mas advogou a necessidade de “reativar este tipo de oferta”, desde que o Governo mostre “disponibilidade para apoiar as cooperativas”.

Entre os projetos em carteira, a Urbisjovem está a negociar com a Câmara de Santarém vários terrenos, alguns “já com o projeto”, nomeadamente para 44 fogos na cidade, e em Almeirim, também num loteamento já aprovado, a disponibilidade do município para “apoiar a cooperativa na construção”.