O Presidente da República criticou esta sexta-feira a “inação” dos partidos políticos, que acusou de preferirem um “passa-culpas” em vez de se entenderem para resolver o problema da habitação. Numa intervenção durante uma visita à Escola Secundária Afonso Lopes Vieira, em Leiria, António José Seguro deixou críticas em forma de interrogação: “Ontem convoquei os partidos para irem a Belém, porque considero que os partidos são essenciais em democracia. Eles têm divergências. Mas faço-vos uma pergunta. A divergência deve ser uma desculpa para a inação? Para não se agir?”
Seguro diz que quando olha para “os resultados” e vê que “em Portugal, em média, os jovens saem de casa dos seus pais aos 30 anos” se questiona: “Então não é responsabilidade dos partidos políticos, do parlamento, dos governos, de contribuírem com soluções em conjunto para resolver essa situação?” E insiste: “Então os partidos não têm o dever e a obrigação de se pôr de acordo em soluções que possam ajudar os portugueses, designadamente os jovens, a terem esse acesso à habitação?”
O Presidente da República diz mesmo que “muitas vezes” o que vê “nos partidos é o passa-culpas“, o que chama de “um jogo de trica partidária que deve ser posta de lado e concentrada em resolver os problemas concretos das pessoas.” Seguro esclarece que não pede “aos partidos abdiquem de ser o que são, nem que deixem de ter e de lutar pelas suas ideias”, mas destaca que “aquilo que é o dever do Presidente da República, neste momento, é exigir que os partidos cumpram a sua função, se sentem, dialoguem e sejam capazes de encontrar soluções para resolver os problemas.”
Seguro parece ainda pressionar o PS a entrar na negociação com o Governo. O Presidente diz que em “tempos de fragmentação”, em que “um Governo que não dispõe de uma maioria parlamentar”, é evidente que “os partidos devem fazer esforços e caminhar, sem abdicar daquilo que são as suas posições essenciais, para criar também condições de estabilidade e condições de governabilidade.”
Seguro diz que assiste a alguns a dizer que “o Presidente da República faz esses apelos, mas isso está tudo condenado ao fracasso”, mas volta a questionar: “Isso deve ser motivo para o Presidente da República ficar de braços cruzados? Pelo contrário.” O Presidente diz que olha “para os problemas do país e é aí que eu sinto a urgência, sinto a responsabilidade.”
O chefe de Estado retira-se depois de uma ação mais executiva, dizendo que “é sabido que o Presidente da República não governa. O Presidente da República não legisla, não é ele que faz leis.” Ainda assim, acredeita ter um papel, já que “o Presidente da República eve ser um Presidente de equilíbrio, que está acima dos partidos, que ouve todos por igual, que respeita todos por igual e que deve ser exigente com os partidos políticos para que eles ponham em comum soluções para melhorar a vida das pessoas.”