O presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Leiria, Jorge Martins, alertou neste domingo o ministro da Administração Interna, Luís Neves, para a falta de apoio às corporações que sofreram danos na sequência da depressão Kristin.
Senhor ministro, não podemos aceitar que quem nunca falhou à população continue à espera de quem tem a responsabilidade de o apoiar. Estes bombeiros não pedem privilégios, não pedem favores, não pedem tratamentos especiais, pedem apenas justiça”, afirmou Jorge Martins.
Este responsável falava na sessão comemorativa do 127.º aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande, no distrito de Leiria, corporação cujo quartel sofreu danos com o mau tempo, iniciativa presidida pelo governante.
Recuando a 28 de janeiro, quando ocorreu a depressão, Jorge Martins, também comandante dos Bombeiros Voluntários de Figueiró dos Vinhos, lembrou o impacto do mau tempo no quartel, que provocou um cenário de “verdadeira destruição”.
“As instalações, construídas com anos de esforço, sacrifício e dedicação, estavam profundamente danificadas. Os prejuízos foram enormes”, referiu, para destacar que os bombeiros, mesmo muitos com as casas danificadas e com famílias a precisar de apoio, “saíram para socorrer a sua população”.
Dirigindo-se a Luís Neves, o dirigente frisou que os bombeiros “não desistiram da população e é precisamente por isso que o Estado não pode agora desistir deles”.
“Hoje, quando olhamos para este espaço [quartel], encontramos novamente condições de dignidade e conforto”, adiantou, ressalvando que tal se deve “ao esforço, à determinação e à capacidade” da associação humanitária.
“Porque, pelo meio, houve muitas visitas, houve muitas manifestações de solidariedade, houve muitas palavras de reconhecimento, houve muitas promessas, mas os apoios financeiros de que esta associação tanto necessita continuam por resolver”, criticou, salientando que “são mais de 380 mil euros de prejuízos que continuam sem o apoio necessário”.
“E passaram dez meses, dez meses, senhor ministro”, afirmou, dizendo ao governante que o que mais se ouviu durante o período foi: “Estamos a acompanhar, estamos a avaliar, estamos atentos, tenham calma, não se preocupem, os apoios vão chegar”.
Contudo, “o resultado continua a ser zero” e “é a associação humanitária obrigada a encontrar, pelos seus próprios meios, respostas para problemas que nunca deveria ter sido deixada a enfrentar sozinha”.
Jorge Martins deu ainda o exemplo dos Bombeiros Voluntários de Vieira de Leiria, no mesmo concelho, que “enfrentam uma realidade igualmente dramática”, com “mais de 700 mil euros de prejuízos, também sem os apoios necessários.”
“Estamos a falar de quartéis, de equipamentos, de condições de trabalho e da capacidade de resposta de quem tem a responsabilidade de proteger vidas humanas”, adiantou, apelando ao governante para que “faça deste problema uma sua prioridade” e “não permita que estas associações continuem esquecidas”.
O presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Leiria pediu a Luís Neves que “não permita que o tempo transforme uma situação de emergência numa situação de abandono” e “encontre, com o Governo, uma solução concreta, justa e definitiva”.
Sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2027, o dirigente constatou que “o valor previsto para o setor se mantém praticamente igual ao de 2026”, mas “os custos não ficaram iguais”, exemplificando com o preço dos combustíveis, da manutenção das viaturas ou dos encargos com pessoal.
“E as exigências colocadas aos bombeiros também não diminuíram, pelo contrário, aumentaram”, declarou, alertando que “manter o mesmo financiamento quando os custos aumentam não significa manter o apoio”, mas antes “reduzir a capacidade de resposta das associações”.
Para Jorge Martins, não se pode “continuar a pedir aos bombeiros que façam mais, com os mesmos recursos quando esses recursos valem cada vez menos”, sendo que “o investimento nos bombeiros não é uma despesa dispensável”, mas um investimento “na segurança das populações”.
Os alertas para a necessidade de apoio foram também feitos pelos presidentes da associação humanitária, Carlos Carvalho, e da Câmara da Marinha Grande, Paulo Vicente, tendo o ministro respondido que se encontrarão “formas no sentido de ir ao encontro das solicitações”.