Jorge Jesus mostrou-se resignado mas orgulhoso no final do encontro com o Atl. Madrid. Resignado porque, apesar da exibição personalizada que em grande parte do encontro vulgarizou o conjunto espanhol, acabou eliminado da Liga Europa; orgulhoso porque, naquele que já foi o 53.º jogo da temporada, viu a equipa dar tudo naquela que, como o próprio assumiu, era nesta altura a aposta mais forte para alcançar um lugar na próxima Champions.

“O Campeonato está difícil, como estava antes deste jogo. Havia a solução de ir à Champions pela Liga Europa. Apostava as fichas todas nesta competição mas saímos com uma grande equipa. Não estamos felizes, não ficamos contentes, mas voltámos o pôr o Sporting na Europa com muita qualidade”, referiu na zona de entrevistas rápidas, acrescentando: “São 53 jogos, é muito jogo… Não me importava de fazer mais mas nota-se, os jogadores começam a cair. Agora temos um jogo importante no Restelo e quarta-feira para as meias-finais da Taça com o FC Porto”.

Em paralelo, e utilizando também o exemplo de Diego Simeone nos colchoneros, o treinador leonino teve um discurso de futuro, falando sobre a importância de colocar a formação verde e branca a chegar à fase final da temporada com possibilidade de lutar pelos vários troféus em disputa. “Hoje é quinta, domingo já estás a jogar, quarta já estás a jogar. Isto é importante para o Sporting, o chegar a abril e estarmos nestas competições, porque é assim que se cria mentalidade de campeão. Tudo isto faz parte do crescimento de uma equipa. O Simeone disse que eu era um grande treinador? Ele também é um grande treinador, que revolucionou o Atl. Madrid. Quando chegou, o Atlético não contava, e ele fez com que estivesse ao nível das duas grandes equipas de Espanha. É exatamente um pouco isto que pensei quando vim para o Sporting”, comparou Jorge Jesus.

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Por fim, uma confissão. “Na primeira parte, o Atl. Madrid teve alguma dificuldade em perceber como estávamos a jogar. Críamos sempre superioridade numérica em todos os espaços onde estava a bola, era fundamental. Por isso, mudámos um pouco o sistema e isso surpreendeu o Atl. Madrid, a largura que demos ao jogo. Fizemos um golo na primeira parte, que era importante, para irmos à procura do segundo. Alguns jogadores começaram a ter alguma carga física e foi preciso mexer. Mexemos, mas não ajudou a que a equipa melhorasse a intensidade”, assumiu. E se fosse agora, será que Jesus teria apostado no sistema desta noite na primeira mão?

“Hesitei em Madrid, mas era para jogar assim lá [n.d.r. na primeira mão]. E se tenho feito isso, não tinha acontecido o que aconteceu, mas não sou bruxo. Com este sistema sabia que os ia surpreender. Faltou também o Montero marcar aos 90 minutos, pois teríamos passado. Isto prende-se nos detalhes. Em Portugal há muito a cultura que três centrais é um sistema defensivo, o que é mentira. Pelo contrário, desde que se saiba trabalhar com esses jogadores”, admitiu, numa ideia sobre a nuance tática que já tinha anteriormente destacado noutros encontros.