Sem medo da repetição da história recente (Fernando Medina apresentou a sua recandidatura à Câmara Municipal de Lisboa na Estufa Fria e perdeu) e confiante no “fiel” CDS e na “corajosa” IL, Carlos Moedas — numa sala a abarrotar e repleta de figuras de referência da política à cultura — apresentou a sua recandidatura à maior autarquia do país.
Foi um desfile de personalidades de várias áreas. A começar por Luís Montenegro, que chegou pouco antes do arranque, sem gravata, e se sentou na primeira fila. Sorridente, Moedas levantou a bandeira que tinha à espera — onde se lia o slogan da candidatura “Por ti, Lisboa” — e dirigiu-se a quem captava a imagem para garantir: “Uma fotografia histórica.” Ao seu lado, estava um lugar marcado para Cristina Ferreira, que acabou por não marcar presença no evento.
As honras do lugar vago ficaram para o maestro Rui Massena, que mesmo ao lado tinha Paulo Portas. Leonor Beleza e Manuela Ferreira Leite também preencheram a primeira fila, onde se juntaram diversos ministros, de Joaquim Miranda Sarmento a Rita Júdice, passando por Maria Graça Carvalho. Nomes como Nuno Morais Sarmento ou Ribeiro e Castro também fizeram questão de estar presentes. Luís Newton e Ângelo Pereira — líder concelhio e distrital do PSD Lisboa, mas que suspenderam os mandatos como deputado e vereador devido à Operação Tutti-Frutti — não deixaram de estar presentes. Mas estiveram sempre mais escondidos, nas filas traseiras.
▲ Antes de subir a palco para discursar Moedas cumprimentou, individualmente, cada pessoa que estava na primeira fila. O primeiro foi Luís Montenegro.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Duas cadeiras da primeira fila foram reservadas para os parceiros de coligação: o secretário-geral e atual presidente em exercício da Iniciativa Liberal, Miguel Rangel, e o secretário-geral do CDS-PP, Pedro Morais Soares. Havia mais figuras dos dois partidos espalhados pela sala, sendo que foi registada a ausência de Nuno Melo. Dos democratas-cristãos estavam ainda o vice-presidente Telmo Correia e o vereador Diogo Moura, enquanto do lado dos liberais se juntou o coordenador do núcleo de Lisboa, Rodrigo Mello Gonçalves e a deputada Angélique Da Teresa.
Aliás, no arranque do discurso, Carlos Moedas deixou uma palavra especial para o “amigo de sempre” e “fiel” CDS e para a “coragem” e “energia renovada” da IL, que se junta pela primeira vez à candidatura à Câmara Municipal de Lisboa. Se a banda sonora for prova de algo, Carlos Moedas mostrou que recebeu os liberais de braços abertos, já que entrou na sala e terminou o discurso ao som de “People Have the Power“, de Patti Smith — música que tantas vezes foi usada como símbolo da IL.
▲ Personalidades como Luciana Abreu, Tony Carreira e o maestro Rui Massena marcaram presença. Políticos como Paulo Portas, Leonor Beleza e Manuela Ferreira Leite também estavam na primeira fila.
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O anúncio do plano conjunto com o Governo para a segurança
No que ao discurso diz respeito, Carlos Moedas passou em revista as conquistas dos últimos quatro anos, com a certeza (e a crítica implícita ao PS) de que “não é em quatro anos que mudamos e resolvemos problemas criados ou não resolvidos em 14 anos“. Deu nomes às pessoas com que se foi cruzando, a quem viu o pavilhão da escola construído, a quem deu o passe gratuito para idosos ou a quem deu a chave de uma casa nova e antecipou que os lisboetas têm uma “escolha simples, mas com enormes consequências” pela frente: “Entre a moderação e o radicalismo”.
Carlos Moedas colou o Chega (sem nunca o referir) e o PS ao radicalismo e apresentou-se como a “moderação que sonha e faz”. Defendeu que “o radicalismo já conseguiu minar grande parte do PS e que tanto prejudicou o país”, temendo que agora queira trazer “este modelo” para Lisboa, e prometeu ser, até para “todos os socialistas moderados”, um “porto de abrigo”.
No entretanto, recordou que é casado com uma imigrante e foi defendendo que Lisboa sempre foi uma “cidade tolerante e aberta“, para deixar claro que continuará a ser assim para quem “respeita a lei”, devendo ser “exigente com as regras, a segurança e a identidade”. Assim, rematou, Lisboa tem de fazer uma “escolha clara entre quem acha que a política se faz a proibir e a impor e quem sabe que a política se faz a ouvir, a fazer e a decidir com as pessoas”; “entre aqueles que lideram manifestações contra a polícia” (numa referência ao protesto após a intervenção policial no Martim Moniz onde várias pessoas foram encostada à parede); “entre quem quer dividir e tornar a cidade pior e quem quer unir e pedir a todos o sei melhor”.
“A Lisboa do dia a dia é uma cidade segura”, sublinhou o recandidato à Câmara Municipal de Lisboa, que aproveitou o discurso e a presença do primeiro-ministro para anunciar que “em conjunto”, autarquia e Governo, vão lançar um “plano de segurança específico para Lisboa” — que pressupõe mais polícia na rua, contratar guardas noturnos, colocar mais câmaras de vídeo-proteção e continuar a investir em policiamento comunitário. “O Governo não pode falhar aos lisboetas“, alertou.
No mesmo tema, quando apelava à necessidade de “proteger a alma de Lisboa” e não só as tradições, salientou o combate ao comércio ilegal “sem medos”, “seja a venda ilegal na rua, sejam as lojas fictícias que cada vez mais servem de dormitórios para a imigração ilegal”. “Temos de ser claros: não vamos tolerar quem faz da imigração ilegal um negócio. Lisboa é uma cidade aberta, mas com regras que todos têm que cumprir”, realçou, para fechar o tema a dar os “parabéns ao primeiro-ministro” pelo que está a fazer no que à imigração diz respeito.
▲ O discurso de Carlos Moedas durou aproximadamente 30 minutos.
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Entre o recuperar de medidas cumpridas e propostas, Carlos Moedas destacou a questão ambiental, para frisar que Lisboa foi a “primeira grande capital europeia com transportes públicos gratuitos para jovens e idosos”, enquanto revelou que, hoje em dia, “mais de 105 mil lisboetas (quase 20% da população) usam gratuitamente os nossos transportes públicos” e para prometer que até 2030 nenhum dos autocarros da Carris será movido a gasóleo. No mesmo sentido, anunciou dois novos projetos: “O novo elétrico 16, do Terreiro do Paço ao Parque Papa Francisco ligando Lisboa a Loures” e “o novo Metro Bus que vai ligar Benfica e Alcântara a Oeiras”.
Numa das áreas que mais tem marcado a atualidade nacional, o presidente e recandidato à autarquia lisboeta fez questão de sublinhar que em quatro anos foram “desbloqueados 250 mil hectares de cidade que estavam abandonados”, prometendo “iniciar a criação de novos bairros lisboetas entre o público, o privado e o social”, assegurando que não tem vendas ideológicas.
Na cultura, até porque teve sala recheada de artistas e figuras da área — de Tony Carreira a Rui Massena, passando por Luciana Abreu e Álvaro Covões —, Carlos Moedas recordou que a capital tem hoje mais quatro museus, sete teatros e uma livraria municipal, mas também um “passe cultura com mais de 33 mil entradas”.