Foi a campanha eleitoral mais entusiasmante de sempre. Nas presidenciais de 1986, Mário Soares começou a corrida com 8% nas sondagens. Primeiro, derrotou os adversários à sua esquerda, Salgado Zenha e Maria de Lourdes Pintasilgo; depois, enfrentou Diogo Freitas do Amaral. Soares contou ao detalhe como tudo se passou nas longas conversas com a jornalista Maria João Avillez para os três livros de entrevistas sobre a sua vida. Aqui, o Observador publica os capítulos “O MASP” e “C’était faisable”, do volume “Democracia”.

livro soares

O PS estava desorientado e ferido com a derrota eleitoral, havia alguns socialistas — a começar por alguns amigos seus — que não acreditavam na possibilidade da sua vitória, e o ambiente era o que acabou de me descrever… Por tudo isto, o MASP — Movimento de Apoio Soares à Presidência — começou coxo…
O MASP não começou coxo. As circunstâncias políticas supervenientes é que criaram, como vimos, grandes dificuldades ao MASP. A partir do momento em que decidi candidatar-me, houve pessoas que começaram imediatamente a trabalhar. No início de 85, havia uma estrutura mínima, que reflectia sobre os objectivos da minha candidatura, a natureza da estratégia a seguir, sobre os próprios termos da organização da campanha. Seguiu-se uma segunda fase: abriram-se as sedes de campanha pelo País, distribuíram-se as pelouros e formaram-se as equipas. Em Lisboa, a equipa logística e administrativa estava instalada no Espaço Valbom. Na praça do Saldanha funcionava a comissão política, integrada por membros do PS — Almeida Santos, António Campos, Jaime Gama, António Guterres, Jorge Sampaio, Torres Couto, Helena Torres Marques. E por independentes: Guilherme d’Oliveira Martins, António Barreto, Vasco Pulido Valente, Carlos Monjardino, Clara Junqueiro, Gomes Mota, António Dias da Cunha, Joaquim Silva Pinto, Manuel José Homem de Mello. Convidei o Comandante Gomes Mota para assumir a direcção da campanha. E escolhi Fraústo da Silva para mandatário nacional. Alfredo Barroso seria o meu chefe de gabinete, e António Campos e António Janeiro os operacionais do PS e adjuntos à organização. Havia ainda o grupo dos “audiovisuais” — responsável pelo marketing e tempos de antena — composto por António Pedro de Vasconcelos, António Barreto, Vasco Pulido Valente, o meu sobrinho Mário Barroso e o realizador Nuno Teixeira. As finanças estavam a cargo de Menano do Amaral e de Carlos Monjardino. Tive ainda a trabalhar comigo dois antigos assessores de Ramalho Eanes: Joaquim Aguiar e Carlos Gaspar. Todos estes diversos elementos formavam o núcleo duro da campanha. Estiveram sempre ao meu lado e dedicaram-se, de alma e coração, à minha candidatura. Devo-lhes muito. A regra, a nível nacional, por distritos, foi sempre escolher um mandatário independente e um director de campanha, geralmente socialista.

Ficou surpreendido por poder contar com dois antigos colaboradores de Eanes?
Fiquei surpreendido, mas não excessivamente. Estava ao corrente dos seus percursos. Fizeram-me saber que estavam disponíveis para trabalhar na minha candidatura. Quando os recebi, disseram-me, muito francamente, que lhes parecia que eu era a pessoa indicada para ser Presidente da República, naquele momento, que acreditavam na minha vitória e gostariam de trabalhar para isso. Aceitei, com muito agrado, esta colaboração: estavam ambos particularmente bem colocados para analisar as minhas possibilidades.

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