1230,2kWh poupados 1230,2 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

GettyImages-2252780576
i

Eugenie esteve em Sandringham no Natal de 2025, e ainda participou das celebrações com a família, apesar da ausência dos pais

AFP via Getty Images

Eugenie esteve em Sandringham no Natal de 2025, e ainda participou das celebrações com a família, apesar da ausência dos pais

AFP via Getty Images

A filha da princesa Eugenie nasceu em Portugal: acaso ou a imparável crise dos Iorque na realeza britânica?

"Portugal é o sonho", assumiu a princesa Eugenie, depois da mudança parcial para Melides. O nascimento da terceira filha em Lisboa pode ser mais um sinal do afastamento dos Iorque de Buckingham.

A notícia foi confirmada pela família real através de um comunicado oficial. A terceira filha da princesa Eugenie, bisneta de Isabel II e 15.ª na linha de sucessão ao trono britânico, nasceu em Lisboa. Pela primeira vez, Portugal é berço de um membro da realeza britânica. Uma decisão inédita, que quebra uma tradição familiar e que representa também a dimensão do afastamento dos Iorque. Mais de 1900 quilómetros separam o Hospital da Luz do Palácio de Buckingham. Poderá ser a distância necessária para reduzir os potenciais danos que uma reaproximação familiar pública poderia causar.

Filha mais nova de André Mountbatten-Windsor com Sarah Ferguson, e neta de Isabel II, Eugenie não é membro sénior da realeza, e tem um emprego “comum”, como diretora da galeria de arte Hauser & Wirth, em Londres. Antes, a princesa estudou História da Arte e Literatura Inglesa na Universidade de Newcastle e trabalhou em Nova Iorque durante cerca de um ano, entre 2013 e 2015, a administrar leilões beneficentes para a Paddle8. “Foi uma forma de provar a mim mesma que podia ser útil, ter um trabalho e fazer coisas de que eu gosto, fora do radar”, destacou, numa entrevista no podcast Table Manners, em 2023.

Eugenie conheceu Jack Brooksbank numa viagem de ski na Suíça em 2010 e em 2011 o casal fez a primeira aparição pública, no Royal Ascott. Casaram-se em 2018, numa cerimónia no Castelo de Windsor com toda a pompa de uma celebração real — e onde Harry e Meghan celebraram o matrimónio meses antes. Foi por causa do marido que os caminhos da princesa se cruzaram com Portugal.

Eugenie casou-se em 2018, meses depois do grande casamento de Harry e Meghan. Diz-se que André exigiu que o casamento da filha fosse tão celebrado quanto o do filho de Carlos III

Yui Mok - WPA Pool/Getty Images

“Portugal é o sonho”

A ligação do casal com Portugal começou há mais de quatro anos. Jack Brooksbank trabalhou como um embaixador da marca de tequila Casamigos, fundada por George Clooney e o empresário norte-americano Mike Meldman. Mais tarde, em 2022, Brooksbank passou a trabalhar para outro projeto de Meldman, o Discovery Land Company, a promotora responsável pela construção do Costa Terra Golf & Ocean Club, em Melides. E foi neste ano que Eugenie, o marido e o filho de um ano, August, se mudaram para Portugal — dividindo o tempo entre a Comporta e Londres.

A família vivia desde 2020 no Frogmore Cottage, a residência em Windsor que foi ocupada por Harry e Meghan antes de os duques de Sussex deixarem as posições de membros seniores da realeza britânica e da consequente mudança para os EUA. Entretanto, com a mudança para Portugal, a base no Reino Unido voltou a ser o Ivy Cottage, uma casa de três quartos nos arredores do Palácio de Kensington, onde Eugenie e Jack Brooksbank já tinham vivido entre 2018 e 2020.

A residência pertence à Crown Estate, a empresa que administra as propriedades da realeza em nome dos contribuintes, pelo que a princesa deve pagar uma renda para ali viver. Um relatório do tribunal de contas britânico revelou recentemente que o Rei Carlos III paga rendas “ajustadas” para que as duas filhas do ex-príncipe André possam viver nas propriedades reais: o monarca paga 68% do valor de mercado pela renda da princesa Beatrice no palácio St. James e 64% do valor de mercado pela renda da princesa Eugenie no seu chalé no palácio de Kensington.

Em Portugal, a família tem uma casa dentro do condomínio Costa Terra. O empreendimento apresenta-se como “um refúgio familiar na Europa”, inserido num terreno de mais de 290 hectares, “com mais de 30% da vegetação preservada” e serviços de luxo com campo de golfe, centro equestre, beach club, horta biológica e centro de wellness. Dois anos depois de Eugenie e Jack Brooksbank fixarem-se em Melides, Harry e Meghan também terão comprado uma casa no empreendimento, onde costumam passar férias, como aconteceu neste verão. É neste refúgio em Portugal que Eugenie e Jack Brooksbank também recebem amigos, como foi o caso de Robbie Williams e a mulher Ayda Fields, no verão de 2025.

À revista Hello!, a princesa falou brevemente sobre como a família aproveita os dias na região, destacando que os filhos gostam muito de nadar. “O mar em Portugal é um pouco mais agitado, então ficamos só com os pés na água, mas o Augie é um peixe. Ele adora e vemos baleias e golfinhos por todos os lados.”

"Portugal é, espero, a nossa vida para sempre em termos de viver parte lá parte cá."
Princesa Eugenie

Já no podcast em que participou em 2023, Eugenie também partilhou um pouco sobre a vida que faz em Portugal. A princesa diz “amar” a comida portuguesa: elogia o arroz de marisco e os pratos com porco preto, “salgado e crocante”. Questionada sobre restaurantes em Lisboa, a princesa diz que não é habitual frequentá-los. “Estamos a uma hora e dez de Lisboa, numa zona onde há muito marisco, nunca vamos a Lisboa.”

Eugenie também elogia o facto de poder passar despercebida no contexto do dia-a-dia. “Portugal é o sonho porque posso ir ao supermercado com fato de treino e o cabelo apanhado e não me importar. Ninguém se importa.” A princesa assume mesmo que a casa portuguesa é “para sempre”. “Portugal é, espero, a nossa vida para sempre em termos de viver parte lá e parte cá”, diz, apesar de afirmar que pretende educar os filhos em Inglaterra: “August vai a uma creche em Londres”.

“A família real quer distanciar-se de toda a família Iorque”

Entretanto, a decisão sobre o nascimento da terceira filha em Portugal poderá ter menos a ver com a paixão do casal pelo país e mais com a distância necessária no meio da tempestade que os Iorque enfrentam no Reino Unido. Há muitos anos que André e Sarah Ferguson são escrutinados pelas suas relações próximas com Jeffrey Epstein, mas a divulgação dos ficheiros no ano passado gerou uma onda de críticas sem precedentes, que resultou na decisão de Carlos III de retirar todos os títulos do irmão, incluindo o de príncipe, e pressionar a sua saída antecipada do Royal Lodge. O que se seguiu foi a detenção do ex-príncipe no começo de 2026 para buscas e interrogatório — e uma investigação por má conduta em cargo público (que poderá ser agravada por acusações de abuso sexual).

GettyImages-2221214489

Sarah Ferguson sempre foi muito próxima das filhas. Em 2025, acompanhou Eugenie no Royal Ascot

WireImage

Os nomes de Beatrice e Eugenie chegaram a ser citados nos emails divulgados pelo Departamento de Justiça norte-americano. Em julho de 2009, menos de uma semana depois de Epstein deixar a prisão na Florida, Sarah Ferguson visitou o milionário (acusado de tráfixo sexual de menores) acompanhada das filhas. “Para que morada devemos ir? Serei eu, Beatrice e Eugenie. Vamos almoçar?”, dizia Sarah, na manhã de 27 de julho. Um dia depois, Epstein escreveu num email a Ghislaine Maxwell: “Ferg e as duas meninas vieram ontem”. Os registos divulgados sugerem que Epstein pagou pelo voo das três de Londres a Miami, e o regresso de Nova Iorque a Londres. Numa mensagem em março de 2010, a antiga duquesa de Iorque escreveu que estava à espera de Eugenie regressar de “um fim de semana de sexo”. O criminoso sexual também frequentou vários eventos privados da família, incluindo o aniversário de 18 anos da princesa Beatrice, nos jardins de Windsor.

Eugenie nunca trabalhou para o pai, mas chegou a representá-lo em iniciativas de caráter particular. Foi o caso de um evento no Japão em 2024, realizado por uma empresa dos Países Baixos que na altura tinha uma parceria com a Pitch@Palace, um programa criado por André em 2014. O evento no Japão veio alguns meses depois de uma longa negociação “muito lucrativa” que terá envolvido o ex-príncipe André, o Palácio de Buckingham e Yang Tengbo, o “espião” chinês que foi banido do Reino Unido. Eugenie já estaria no Japão naquela altura por causa de uma viagem de negócios associada à galeria de arte onde trabalha, e foi ao evento a pedido do pai.

GettyImages-1252742283

Eugenie com o pai, André, antes da coroação de Carlos III, em 2023

AFP via Getty Images

A princesa também terá recebido um pagamento de 25 mil libras de um empresário turco, Selman Turk, num caso que chegou aos tribunais britânicos em 2022 mas nunca ficou totalmente explicado; e teve na sua lista de convidados de casamento Tarek Kaituni, um empresário líbio que foi condenado por posse de drogas e tráfico de armas em França.

As relações polémicas de André ao longo da vida acabaram por ter consequências na imagem pública das filhas. Em março deste ano, a organização não governamental Anti-Slavery International retirou o nome de Eugenie da sua lista de patronos, depois de sete anos de parceria. “Agradecemos à princesa pelo apoio e esperamos que continue o trabalho para acabar com a escravidão de vez e devolver a liberdade a todos”, disse a instituição, num comunicado.

GettyImages-2280252709

Eugenie com o marido, Jack Brooksbank, e Beatrice com o marido, Edoardo Mapelli Mozzi, no casamento de Peter Philips

Getty Images

Apesar de não estarem diretamente envolvidas nas acusações que o pai enfrenta, as princesas Beatrice e Eugenie deram um passo atrás nas suas aparições públicas relacionadas com a família real. Se até ao início de 2026 eram presença constante nos compromissos oficiais da família, desde a detenção de André que as irmãs só foram vistas na presença de outros membros da realeza no casamento do primo, Peter Philips, em junho — e ainda assim, este foi um evento privado. Na Páscoa especulou-se se as princesas não seriam sequer convidadas para outros eventos familiares, mas fontes da realeza ouvidas pela BBC garantem que Carlos III deixou “as portas abertas” para as irmãs, e que as suas ausências no serviço de Páscoa deste ano foram uma opção pessoal.

Em entrevista ao Observador, o biógrafo dos Iorque, Andrew Lownie, afirma que Beatrice e Eugenie “percebem que qualquer associação com a realeza poderia prejudicar a imagem da família real”. “A família real quer distanciar-se de toda a família Iorque”, destaca ainda o jornalista e historiador. E a presença cada vez mais assídua da família em Portugal poderá indicar essa intenção de se afastar.

GettyImages-1252935487

Eugenie e Beatrice participaram nas celebrações da coroação de Carlos III, em 2023

Getty Images

Já muitos anos antes de Eugenie ter uma casa em Melides, André e Sarah Ferguson valorizavam a privacidade que a costa portuguesa oferecia — o casal escolheu os Açores para a viagem de lua-de-mel, há 40 anos. Desde então, o ex-príncipe nunca mais visitou Portugal num contexto oficial, mas Sarah Ferguson esteve em Portugal em pelo menos duas ocasiões: em 1994 a representar uma instituição de luta contra a SIDA, e em 2022 para lançar um romance na Feira do Livro. Numa conversa de 2022 com a revista Sábado, a então duquesa deu a entender que costuma frequentar o país em viagens privadas e mencionou rapidamente os laços da família com a região da Comporta. “O meu genro, Jack, trabalha para a Costa Terra, em Melides – são tempos muito emocionantes para nós”, disse. Já à TVI, chegou mesmo a dizer que vir a Portugal era como “regressar a casa”. “Este país acolhe-me na sua história”, disse a ex-duquesa de Iorque.

"Acho que as suas filhas se querem distanciar dela (Sarah Ferguson). Acho que ela quer ser independente e em Portugal enfrentaria muito escrutínio da imprensa. Pelo bem das suas filhas, ela vai permanecer afastada."
Andrew Lownie, biógrafo dos antigos duques de Iorque

Desde a detenção de André que pouco se sabe sobre o paradeiro de Sarah Ferguson. A ex-duquesa de Iorque vivia com o ex-marido no Royal Lodge, mas optou por não seguir para Sandringham com o ex-príncipe. Os tabloides britânicos avançaram com as hipóteses de uma clínica de luxo na Suíça e uma passagem pelo Dubai, e houve quem apontasse o dedo para a casa de Eugenie em Melides. Contudo, Andrew Lownie descarta que Sarah Ferguson possa vir a viver em Portugal. “Acho que as filhas querem distanciar-se dela. Acho que ela quer ser independente e em Portugal enfrentaria muito escrutínio da imprensa. Pelo bem das suas filhas, ela vai permanecer afastada.”

15ª na linha de sucessão não é natural do Reino Unido nem tem título real

Depois de se mudarem parcialmente para Portugal, Eugenie voltou a ser mãe em maio de 2023. Mesmo assim, o bebé Ernest nasceu na maternidade privada de Portland, em Westminster, tal como o irmão August, e outros membros da realeza. Portanto, a decisão da princesa de dar à luz a terceira filha num hospital em Lisboa gerou alguma surpresa entre os que acompanham a realeza britânica — é apenas o terceiro bebé da família real nos últimos 100 anos a nascer fora do Reino Unido. O caso mais conhecido é o de Lilibet, a segunda filha de Harry e Meghan, que nasceu na Califórnia, já depois de o casal ter decidido ir viver para os EUA.

André e Sarah diante da maternidade de Portland, quando Eugenie nasceu, em 1990

Tim Graham Photo Library via Get

Apesar de ter nascido em Portugal, em princípio a bebé não recebe a cidadania portuguesa automática — só seria portuguesa se pelo menos um dos pais estivesse a residir legalmente em território português há pelo menos cinco anos, o que não será o caso da princesa e do marido. Também não recebe nenhum título real à nascença, assim como também não receberam os irmãos, porque na realeza britânica os títulos são transmitidos pela linhagem masculina.

Já os títulos de príncipe e princesa são reservados aos filhos do soberano, filhos dos filhos homens do soberano e todos os filhos do filho mais velho do príncipe de Gales — motivo pelo qual Eugenie recebeu o título de princesa à nascença, sendo neta de Isabel II. Já os filhos do príncipe Eduardo não usam os títulos de príncipes por uma decisão dos pais, que optaram por atribuir a James e Louise títulos equivalentes aos de filhos de um conde (Eduardo era Conde de Essex quando os filhos nasceram). Depois da morte do príncipe Filipe, Eduardo herdou o título de Duque de Edimburgo e o seu filho mais velho herdou o seu título anterior.

Mas mesmo sem um título e sem ser nascida em território britânico, a filha de Eugenie mantém a sua posição como 15ª na linha de sucessão ao trono. Isto porque para ser monarca é obrigatório apenas ser protestante e descendente da princesa Sophia de Hanover — uma regra que faz com que outros nomes de membros não sénior continuem elegíveis para o cargo, como Harry e os dois filhos, e até mesmo André Mountbatten-Windsor (que continua como o oitavo na linha sucessória, atrás de Lilibet).

A sequência da linha de sucessão só se altera para a inserção de novos membros — para retirar a alguém este direito, seria preciso recorrer a um processo complexo. Um projeto de lei teria de ser apresentado e aprovado em Westminster e posteriormente adaptado para a aprovação nos parlamentos de todos os 56 países membros da Commonwealth — como por exemplo a Nova Zelândia, o Canadá ou a Austrália — onde o Rei é também o chefe de Estado. Com o lugar na linha sucessória assegurado à distância, a chegada da bebé em solo português consolida a opção por uma vida longe dos holofotes de Buckingham e do escrutínio que continua a assombrar o clã.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.