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(JEWEL SAMAD/AFP via Getty Images)

(JEWEL SAMAD/AFP via Getty Images)

A revolta dos republicanos contra Trump começou, mas não se sabe no que ela vai dar /premium

Derrotados em 2016, os republicanos que estão contra Trump voltaram em 2020. Entre os vários grupos, destaca-se o Lincoln Project — que já irritou o Presidente. Mas chegará para derrotá-lo?

Ronald Reagan chamou-lhe o “11º Mandamento”. Em 1966, numa campanha para chegar ao cargo de governador da Califórnia — que aquele que viria a ser mais tarde Presidente dos EUA venceu —, o então conhecido ator de Hollywood recordou que, durante as primárias dentro do Partido Republicano, havia uma regra que, pelo menos na sua cabeça, era de ouro: “Não insultarás o teu irmão republicano”.

Já lá vai mais de meio século e, praticamente ao longo de todo esse tempo, o mantra de Ronald Reagan foi respeitado pelo partido que depois da sua passagem pela Casa Branca o elevou ao estatuto de entidade semi-divina.

Mas, depois, apareceu Donald Trump — e nada ficou igual dentro do Partido Republicano. Em 2016, venceu com relativa facilidade as eleições primárias ao misturar insultos políticos com insultos pessoais, dando especial primazia a estes últimos — e ali deixou a certeza de que, a partir do momento em que alguém o chateava, seria merecedor imediato de uma alcunha. Que o diga o Jeb “Lento” Bush, o Ted “Mentiroso” Cruz ou o Marco “Pequeno” Rubio. Desde então, e com a vitória nas presidenciais contra a Hillary “Trapaceira” Clinton pelo meio, Donald Trump moldou o Partido Republicano à sua maneira.

A Convenção do Partido Republicano deste ano foi sobretudo de Donald Trump, dando palco a várias figuras ligadas ao atual Presidente e a nenhuma voz crítica e representativa do passado do partido

Chip Somodevilla/Getty Images

A maior prova disso foram as diferenças entre as convenções republicanas de 2016 e de 2020. Há quatro anos, apesar de algumas ausências de peso (Bush pai e Bush filho, à altura os únicos ex-presidentes republicanos vivos) houve ainda assim espaço para discursos dissonantes de Donald Trump, que foram prontamente vaiados por serem “Never Trumpers” — epíteto que descreve um republicano que “nunca” será a favor de Donald Trump. Este ano, o filme foi outro — com a lista de oradores célebres a ir quase exclusivamente da categoria de pessoas que trabalharam com Donald Trump na Casa Branca e pessoas que têm o apelido Trump. Nalguns casos, como o de Ivanka Trump, as duas categorias aplicam-se.

O campo dos Never Trumpers dentro do Partido Republicano parecia arruinado e vetado ao esquecimento. Até que, nestas eleições, voltaram em força.

À procura de um só espectador

A lista de grupos de republicanos e conservadores investidos em garantir que Donald Trump não chega a um segundo mandato é grande.

Um dos mais conhecidos é o projecto Republican Voters Against Trump (RVAT, Eleitores Republicanos Contra Trump, em português), onde pessoas que votaram em 2016 explicam porque não voltarão a fazê-lo em 2020. O RVAT é gerido por Sarah Longwell, estratega republicana que é também a publisher do The Bulwark, site que se tornou num ponto de encontro para Never Trumpers e que é dirigido por Bill Kristol, antigo chefe de gabinete do ex-vice-Presidente Dan Quayle, número dois de George H. W. Bush. Por falar em Bush, mas em George W. Bush, há ainda um grupo que junta mais de 200 antigos altos funcionários da administração daquele Presidente Republicano (o nome, 43 Alumni, surge por ele ter sido o 43.º Presidente dos EUA) e que agora apoiam Joe Biden declarada e abertamente — à semelhança de um grupo que junta mais de 70 personalidades do meio da segurança nacional dos EUA, todos republicanos, chamado A Project of Defending Democracy Together (Projeto Pela Defesa Conjunta da Democracia, em português). E há até os que trabalharam com Donald Trump — incluindo Anthony Scaramucci, que foi porta-voz de Donald Trump durante 10 dias mais do que preenchidos e acidentados, e que agora está na super PAC (grupo de apoio político e angariação de fundos) Right Side, que está contra Donald Trump.

Há um grupo de republicanos contra Donald Trump que se tem notabilizado mais do que qualquer outro: o Lincoln Project. Porquê este? Porque, ao contrário dos restantes, o Presidente dos EUA já demonstrou que ele lhe faz mossa — o que muitas vezes passa por quebrar o 11.º Mandamento de Ronald Reagan.

O Lincoln Project foi criado por quatro homens conhecidos há décadas nos círculos republicanos de Washington: Rick Wilson, Steve Schmidt, John Weaver e George Conway. Todos somados, os currículos destes homens têm colaborações próximas com republicanos como os dois Bush que chegaram a Presidente e também John McCain. Nenhum tem ligações a Donald Trump — a não ser, por via indireta, George Conway, que é casado com Kellyanne Conway, a conselheira do Presidente dos EUA que se demitiu no final de agosto por questões familiares.

Mas, mesmo sem ligações a Donald Trump, o objetivo do Lincoln Project parece ser o de derrotar o Presidente dos EUA, chegando onde poucos conseguem: a sua cabeça.

“O objetivo do Lincoln Project é o de garantir que Donald Trump nunca pareça presidencial e a maneira de fazerem isso é empurrarem-no para o canto dele. A audiência que eles procuram é de uma pessoa apenas: Donald Trump e a cabeça dele."
Geoffrey Kabaservice, diretor de estudos políticos do Niskanen Center

Não é por acaso que o Lincoln Project tem atraído tanta atenção. Embora atue em várias frentes (angariação de fundos, que foram até agora 19,4 milhões de dólares; um podcast de comentário político que é um dos mais ouvidos nos EUA; ajuda a campanhas para o Senado em vários estados decisivos), é nos vídeos de campanha que o Lincoln Project tem conseguido mais resultados.

O escopo do tom é alargado, desde os mais literais aos mais sarcásticos — mas sempre ferozmente anti-Trump. Um dos que ficou mais conhecido, e que é também um dos mais sóbrios no tom, fala de um “luto na América” (jogo de palavras entre “Morning in America”, lema de um anúncio de Ronald Reagan, e “Mourning (luto) na América”) e questiona mesmo: “Se tivermos mais quatro anos como estes, será que ainda vamos ter uma América?”. Outro, em que sugerem que as duas mortes dos motins de Kenosha, imputadas a um jovem de 17 anos e apoiante de Donald Trump, foram incentivadas pela sua retórica.

Depois, há os mais corrosivos: desde os que acusam Donald Trump de agressões sexuais e também de adultério (tudo montado com vídeos antigos de Mike Pence a condenar a infidelidade e também do Presidente com Jeffrey Epstein) ou olham para uma entrevista de Donald Trump como se fosse um episódio da sitcom “Seinfeld”.

Todos estes vídeos foram vistos por milhões de pessoas, a maior parte online e também alguns na televisão. No entanto, houve um vídeo em especial que teve um espectador muito importante: Donald Trump. Intitulado #TrumpIsNotWell (#TrumpNãoEstáBem, em português), este vídeo especulava sobre Donald Trump da mesma maneira que ele próprio fez com Hillary Clinton e sobretudo agora com Joe Biden, colocando dúvidas sobre a sua saúde.

“Há qualquer coisa de errado com Donald Trump. Está trémulo, fraco, tem dificuldades a falar, tem dificuldades a andar. Porque é que não estamos a falar disto e porque é que a imprensa não está a falar da ida secreta de Donald Trump ao Hospital Walter Reed durante a madrugada?”
Anúncio do Lincoln Project

“Há qualquer coisa de errado com Donald Trump”, ouve-se naquele vídeo, com imagens em que Donald Trump ora faz caretas, ora demonstra dificuldades a descer uma rampa. “Está trémulo, fraco, tem dificuldades a falar, tem dificuldades a andar. Porque é que não estamos a falar disto e porque é que a imprensa não está a falar da ida secreta de Donald Trump ao Hospital Walter Reed durante a madrugada?”

Depois de tanto lançarem o isco, Donald Trump mordeu. A 20 de junho, num comício em Tulsa — que ficou célebre por ter sido o primeiro de Donald Trump durante a pandemia e por dali ter resultado um foco de infeção, que pode até ter levado à morte do ex-candidato presidencial republicano Herman Cain —, Donald Trump sentiu-se na necessidade de responder àquele vídeo. É certo que o fez em tom semi-humorístico e com visível capacidade para se rir (e fazer rir) de si próprio — mas respondeu, o que era precisamente o que queriam no Lincoln Project.

“Eles conhecem as fraquezas de Donald Trump”, diz ao Observador Geoffrey Kabaservice, diretor de estudos políticos do think-tank de centro-direita Niskanen Center e autor do livro “Rule and Ruin: The Downfall of Moderation and the Destruction of the Republican Party, From Eisenhower to the Tea Party”.

“O objetivo do Lincoln Project é o de garantir que Donald Trump nunca pareça presidencial e a maneira de fazerem isso é empurrarem-no para o canto dele”, continua, numa entrevista por telefone. Por isso, sublinha Geoffrey Kabaservice, aqueles vídeos podem até ser vistos por milhões de pessoas, mas o principal objetivo é outro: “A audiência que eles procuram é de uma pessoa apenas: Donald Trump e a cabeça dele”.

Pode parecer exagero, mas mais do que isso é a estratégia do Lincoln Project, que tem comprado tempo de antena para passar os seus anúncios consoante a localização de Donald Trump, seja Washington D.C. ou Bedminster, Nova Jérsia, onde tem um resort de golfe. Sempre na Fox News, canal de eleição do Presidente dos EUA, para garantir que ele vê.

O que não funcionou em 2016 pode funcionar em 2020?

Que o objetivo de garantir que Donald Trump dá pelo Lincoln Project foi cumprido parece evidente.  Porém, há outro que ainda está por provar e que é neste momento um gigante ponto de interrogação: será esta a maneira de conseguir tirar votos a Donald Trump entre o eleitorado republicano?

“É difícil medir a eficácia do Lincoln Project e de outros junto do eleitorado”, admite Geoffrey Kabaservice, ele próprio um Never Trumper que, apesar de ter trabalhado diretamente com republicanos no passado, admite uma aproximação à esquerda ao longo dos anos de Donald Trump. E, ao que parece, este não é um percurso raro. Olhando para uma sondagem da Gallup, fica claro que ao longo do primeiro semestre de 2020 a auto-identificação como republicano (ou independente próximo daquela esfera) caiu consideravelmente.

“Há quatro anos o contexto era diferente e os Never Trumpers não estavam organizados. E, além disso, até entre estes grupos havia uma ideia de que ele podia ser pouco ortodoxo mas que, no fundo, ao chegar à Casa Branca ele ficaria assoberbado pela dimensão da tarefa que teria pela frente e ganharia com isso humildade e capacidade de chamar para si as melhores pessoas. Isso claramente não aconteceu.”
Geoffrey Kabaservice, diretor de estudos políticos do Niskanen Center

Em janeiro de 2020, 47% dos inquiridos identificavam-se como republicanos, à frente dos 45% que se diziam democratas. Em março passaram a ser mais democratas (45%) do que republicanos (43%) e a partir daí essa diferença só se alargou. Em junho, 50% diziam-se democratas e 39% republicanos — o número mais baixo desde 1991, quando a Gallup começou esta recolha.

E, embora todo o ceticismo possa ser pouco, como demonstrou o ano de 2016 e as suas sondagens, Geoffrey Kabaservice vê nestes indicadores “sinais de alguns movimentos entre eleitores que tipicamente votavam no Partido Republicano”.

“As maiores diferenças são nos eleitores brancos, que vivem nos subúrbios e que têm ensino superior”, diz. “Estas pessoas votaram tipicamente no Partido Republicano durante todas as suas vidas mas agora têm vindo a abandoná-lo e começaram a votar no Partido Democrata.” O diretor de estudos políticos do Niskanen Center admite que este grupo pode ser “relativamente pequeno”, mas que ainda assim pode ser “crucial”.

Em 2016, Trump ganhou graças ao voto massivo do eleitorado branco sem ensino superior, mas também com alguns votos do eleitorado branco com estudos. Agora, este último parece estar a desistir dele.

Spencer Platt/Getty Images

Este era o discurso em 2016, mas Geoffrey Kabaservice acredita que ele é ainda mais válido em 2020. E que, por isso, os Never Trumpers de há quatro anos podem agora ajudar a derrubar o Presidente que os vetou ao quase esquecimento.

“Há quatro anos o contexto era diferente e os Never Trumpers não estavam organizados. E, além disso, até entre estes grupos havia uma ideia de que ele podia ser pouco ortodoxo mas que, no fundo, ao chegar à Casa Branca ficaria assoberbado pela dimensão da tarefa que teria pela frente e ganharia com isso humildade e capacidade de chamar a si as melhores pessoas”, diz. “Isso claramente não aconteceu.”

As elites republicanas contra-atacam

O sucesso do alcance do Lincoln Project e de outros movimentos de republicanos contra Donald Trump tem, ainda assim, esbarrado contra um muro alto e aparentemente robusto: aquele que o Presidente construiu como fortaleza à sua volta, para sua proteção e dos seus. E, a partir de lá, são várias as críticas que são feitas a estas iniciativas.

Um dos mais vocais é precisamente Donald Trump, que acusa os fundadores do Lincoln Project de serem “um grupo de RINO” — sigla que se pronuncia da mesma forma como se diz “rinoceronte” em inglês e que significa “Republican In Name Only”. Ou seja, Republicanos Só No Nome. “Eles não sabem vencer e o dito projeto deles é uma desfaçatez para o Honest Abe”, escreveu Donald Trump no Twitter, usando uma alcunha de Abraham Lincoln. “São uns FALHADOS, mas Abe Lincoln, [que era] republicano, está todo sorrisos!”

Entre os republicanos que se opõem a Donald Trump, muitos trabalharam de perto com George W. Bush e John McCain — ambas figuras da antiga elite do Partido Republicano, à qual Trump nunca quis agradar

Mario Tama/Getty Images)

Ao Politico, Matt Mackowiak, presidente do Potomac Strategy Group, uma consultora republicana com sede em Washington D.C., também traça críticas ao Lincoln Project e lança dúvidas quanto às suas intenções, recordando que aquele grupo faz campanha não só pela derrota de Donald Trump como de outros senadores republicanos, incluindo alguns que são vistos como hesitantes e mais moderados em relação a Donald Trump, como o caso de Susan Collins, do Maine.

“Uma coisa é cada um ter a sua opinião e, se for essa a escolha, não se apoiar a reeleição de Trump e apoiar qualquer outra pessoa”, disse. “Outra coisa é ir muito para lá disso e basicamente tentar virar o Senado. Ninguém pode dizer que é republicano e ao mesmo tempo apoiar uma maioria democrata no Senado.”

“Uma coisa é cada um ter a sua opinião e, se for essa a escolha, não se apoiar a reeleição de Trump e apoiar qualquer outra pessoa. Outra coisa é ir muito para lá disso e basicamente tentar virar o Senado. Ninguém pode dizer que é republicano e ao mesmo tempo apoiar uma maioria democrata no Senado.”
Matt Mackowiak, estratega republicano e presidente da consultora Potomac Strategy Group

Mais dúvidas surgem quando se olha para a lista de maiores doadores para o Lincoln Project. Apesar de praticamente metade dos 19,4 milhões de dólares (quase 16,7 milhões de euros, à taxa de câmbio atual) terem surgido de pequenos donativos, há também naquela lista nomes de multimilionários que não só estão longe de serem republicanos como são conhecidos contribuidores para campanhas democratas. O maior donativo de todos foi de 1 milhão de dólares (860 mil euros) e veio de Stephen Mandel.

E depois há a questão da utilização daquele dinheiro. De acordo com as informações que têm de ser obrigatoriamente reveladas por estes grupos de ação política, e que vão até julho, o Lincoln Project tinha gasto 8,6 milhões de dólares (quase 7,40 milhões de euros) dos 19,4 milhões arrecadados. Daquela quantia, cerca de ¼ foi utilizado para subcontratar empresas dos membros fundadores do Lincoln Project — ponto a partir do qual se torna mais difícil seguir o rasto ao dinheiro e perceber, afinal, o que é feito com ele.

“Isto levanta muitas bandeiras vermelhas perante a possibilidade de o grupo estar a aproveitar-se de uma situação em que os doadores estão a dar dinheiro pensando que estão a ajudar uma coisa ao mesmo tempo que há outras em jogo”, disse à Time Sheila Krumholz, diretora do Center for Responsive Politics, organização que faz o escrutínio do dinheiro dentro da política norte-americana. “O público não sabe até que ponto é que os operacionais do Lincoln Project podem estar a lucrar com isto ou se estão a lucrar de todo.”

Entre os 19,4 milhões de dólares que o Lincoln Project angariou, as maiores contribuições são de multimilionários democratas. Além disso, esse dinheiro foi utilizado para subcontratar empresas dos fundadores do grupo. Na sociedade civil, há quem aponte para a falta de transparência do Lincoln Project.

Em resposta também à Time, o tesoureiro do Lincoln Project, Reed Galen, disse que o grupo está a cumprir “todo os requerimentos” da Federal Election Comission e garantiu: “Ninguém do Lincoln Project vai comprar um Ferrari”.

O projeto, ou pelo menos os seus métodos, não é sequer consensual entre os Never Trumpers. Sarah Longwell, publisher do The Bulwark e fundadora do Republican Voters Against Trump, torce o nariz à ideia (e também à eficácia) de ter membros de uma elite, que já governou e que deixou poucas saudades tanto entre democratas como republicanos, a falar para o eleitorado de uma posição de suposta sabedoria. Por isso é que, no seu projeto, optou por dar voz a eleitores de Donald Trump que agora querem que ele perca.

Entre os focus-groups (grupos de estudo de opinião política, em que pessoas de um determinado perfil respondem a perguntas, algumas delas abertas, e debatem entre si) que fez junto de antigos eleitores de Donald Trump, Sarah Longwell percebeu que “aquilo em que elas confiavam não era nas elites, nem nas elites republicanas e muito menos nos media”. “Mas confiavam em pessoas como elas próprias”, acrescenta.

O Partido Republicano depois de Trump

Com ou sem reeleição do Presidente dos EUA, a pergunta já se ouve dentro e fora de Washington: o que será do Partido Republicano depois de Donald Trump?

É uma pergunta em aberto, mas Geoffrey Kabaservice tende a pensar que mesmo sem Donald Trump na Casa Branca (seja em 2021 ou em 2025) o Trumpismo continuará vivo.

“Não creio que qualquer pessoa que seja um Never Trumper tenha a ilusão de que as coisas vão voltar ao statu quo de 2016”, diz. “Há muita gente que diz isso, mas não me parece que alguém acredite verdadeiramente quando o diz. Donald Trump não vai a lado nenhum, até porque se ele perder as eleições irá provavelmente dizer que elas foram roubadas e os seus apoiantes vão acreditar nele, levando à deslegitimação das eleições, de Joe Biden e, no final de contas, da democracia americana.”

"Donald Trump não vai a lado nenhum, até porque se ele perder as eleições irá provavelmente dizer que elas foram roubadas e os seus apoiantes vão acreditar nele, levando à deslegitimação das eleições, de Joe Biden e, no final de contas, da democracia americana.”
Geoffrey Kabaservice, diretor de estudos políticos do Niskanen Center

Além disso, Geoffrey Kabaservice refere os planos mais ou menos públicos de Donald Trump vir a fundar um grupo de media quando sair da Casa Branca e também a possibilidade de mais figuras do universo do Presidente saltarem para a política, com Tucker Carlson, apresentador na Fox News, à cabeça: “Ele é o herdeiro lógico de Donald Trump, além de que é mais inteligente e focado”.

Mesmo que não seja esse o nome, Geoffrey Kabaservice prevê que o sucessor de Donald Trump à frente do Partido Republicano “terá uma cara trumpista e estará a favor de tudo o que este campo defende”. E, deixando claro que da sua parte a resposta é negativa, conclui: “Agora, cabe às pessoas do Never Trump decidir se conseguem viver com isso ou não”.

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