A vitória do PS, a surpresa do PAN, a subida do Bloco e as derrotas do PSD, CDS e PCP. 10 opiniões rápidas sobre as Europeias /premium

27 Maio 2019783

Análise de José Manuel Fernandes, Maria João Avillez, Alberto Gonçalves, Miguel Pinheiro, Filomena Martins, Pedro Benevides, Helena Garrido, Alexandre Homem Cristo, Marques Almeida, Maria João Marques

José Manuel Fernandes. Em Portugal, a direita implodiu; na Europa o centro minguou

O pior? Os resultados do PSD e do CDS e as declarações de Rui Rio. O melhor? Não sou capaz de escolher numa noite em que os eurocépticos ganharam em três dos quatro maiores países da União Europeia. Ou será este sinal de alerta o melhor de tudo?

1. Que ilações tirar de umas eleições em que quase 70% dos eleitores não foram votar? E que, daqueles que foram votar, mais 7%, ou seja, 1 em cada 14, se deram ao trabalho de irem até à sua cabine de voto num domingo mais convidativo para ir à praia para depositarem o voto em branco ou anularem-no? Que, mesmo sendo verdade que, para muitos, estas eleições europeias são “a feijões”, há uma enorme dissonância entre eleitos e eleitores. Ninguém devia ter gritado vitória este domingo à noite.

2. Ver o cabeça de lista do PS considerar uma “grande vitória” um resultado de 33,4%, que compara com o “poucochinho” que eram os 31,5% de há cinco anos, é um sinal dos tempos que vivemos. Pouco é muito, basta afirmá-lo.

3. Pior só mesmo a reacção de Rui Rio, que conseguiu transformar uma das maiores derrotas da história do PSD – o pior resultado de sempre, em percentagem, numa eleição não local – numa espécie de empate. Manteve o número de deputados, fez umas contas manhosas sobre a parte que lhe cabia da (má) votação da coligação PSD/CDS de há 5 anos, e seguiu em frente. Patético.

4. O resultado conjunto dos partidos tradicionais do centro-direita é catastrófico. O CDS de Assunção Cristas, que queria projectar o resultado da líder nas autárquicas de Lisboa para a escala nacional, teve uma noite fúnebre. Somado ao do PSD mal chega para superar marginalmente os números, muito maus, de 2014, com o país ainda em pleno trauma dos anos da troika (a recuperação só viria depois). As novas formações mal levantaram cabeça. Um dia talvez estes partidos entendam que, enquanto teimarem em esconderem o que são e ao que vêm, nunca se reencontrarão com um eleitorado que só foi mobilizado por líderes que propunham mudar o país, não “fazer acordos de regime”.

5. Só um partido pode verdadeiramente gritar vitória nesta noite: o PAN. Parece que veio para ficar. Para um partido que vive mais de obsessões do que de um programa com um mínimo de coerência, é um susto. Mas que indica, a quem não estiver cego aos sinais do tempo, que as questões do ambiente, mesmo quando agarradas por trôpegos, levam as pessoas a votar. Não haverá por aí ninguém que seja capaz de o entender de uma forma moderna?

6. Os partidos centrais na Europa – o centro-direita do PPE e o centro-esquerda do S&D – perdem em conjunto mais de 70 eurodeputados, perto de um quinto da sua representação. O ligeiro progresso dos Verdes nalguns países mal compensa esta hecatombe, que só não é mais grave porque os liberais, graças à chegada do partido de Macron, aumentam fortemente a sua representação. Mas se a leitura se ficasse por aqui ficaria manca: partidos eurocépticos, ou populistas, ou de extremistas, ganharam as eleições em três dos quatro maiores países da União Europeia. O partido do Brexit, de Nigel Farage, esmagou no Reino Unido. A Lega de Salvini foi imperial em Itália. E o partido de Marine Le Pen conseguiu derrotar o partido do Presidente Macron. Mais: na Hungria o Fidesz de Orban teve mais de metade dos votos e na Polónia o PiS (Partido Lei e Justiça) derrotou a coligação pró-europeia que se formara para lhe disputar a hegemonia. No conjunto, este grupo heterodoxo de partidos e forças deverão ver o seu peso no Parlamento Europeu passar de cerca de um quinto para perto de um quarto dos deputados. Será que a política de Bruxelas vai continuar a ser menosprezá-los, procurar ignorá-los e, sobretudo, fazer de conta que o seu avanço não tem nada a ver com a contestação ao rumo da construção europeia?

7. Há cinco anos, em 2015, a maré populista foi atribuída aos anos da crise do euro. Agora que a Europa se apresenta politicamente mais pulverizada, agora que mesmo um aumento da participação eleitoral (Portugal foi excepção) não evitou o avanço dos partidos eurocépticos, que desculpa se irá dar?

Suspeito que nenhuma, ou pelo menos nenhuma convincente. Basta pensar que os dois países mais importantes, a Alemanha e a França, saem desta eleição com lideranças enfraquecidas e contestadas. Nada que no fundo nos surpreenda.

Nota: Introduzida uma correção sobre a comparação entre a soma das votações no PSD e CDS em 2019 e a votação na coligação PSD/CDS de 2014. 

Maria João Avillez. Mesmo que apeteça muito

Não se deve levar muito a sério seja o que for votado por menos de um terço das pessoas. Mesmo que apeteça muito. É que a abstenção, de tão astronómica, pode reduzir a pó qualquer comentário, análise, ou conjectura.

1. Qualquer comentário sobre o epílogo deste domingo europeu exige um indispensável prólogo sobre as semanas que precederam os resultados. Calamitosas semanas. Ouviu-se muito menos do que teríamos gostado de ouvir. E teríamos mesmo.

Qualquer comentário terá de jazer sobre o que o país viu e ouviu nas últimas semanas: a inconcebível ausência da Europa; o desfile de arruadas, feiras e feijoadas (como se não tivessem passado trinta, quarenta anos sobre este, digamos, “modelo”); insultos sem nível e derivações sem cabimento; obsessões oportunisticamente sobrepostas à questão europeia — obsessão do PS em se embriagar com o seu próprio governo, festejando à exaustão o que julga serem os seus feitos e obsessão de quase, quase toda a Direita, em fazer do passado socrático e do presente geringoncial a exclusiva agenda da sua campanha “europeia”; de comportamentos vazios e intervenções cuja prioridade era o “fazer-se ouvir”ou “fazer-se notado” nos media. Uma arruada geral, em resumo, cujo ruído soterrou algumas vozes novas ou mais resistentemente lúcidas — e foi pena.

Insisto: onde esteve a Europa? Ou é indiferente haver já hoje, indisfarçavelmente, duas “europas”? (e só isso, que é quase tudo, daria pano para mil mangas no debate que não houve.) Explicar as “europas” era desafio obrigatório e mote fortíssimo, desaproveitados ambos. E quantos portugueses continuam sem saber o quanto devemos à Europa, ignorando em absoluto o que seria, como país, o vivermos entregues apenas a nós próprios e à nossa parda modéstia? Quantos igualmente desconhecem o que a UE, mesmo coxa, desacertada e fracturada, continua a simbolizar, permitir e evitar?

Enfim, não choremos mais o leite tão generosa e imbecilmente derramado.

2. Resultados:

a) Paulo Rangel que até ao desgraçado comportamento do seu partido na votação conjunta com a extrema esquerda no tema dos professores fazia uma campanha de vento em popa que lhe daria muito provavelmente um empate, quem sabe talvez uma vitória mesmo que tangencial, transfigurou-se (para pior) após essa fatalidade política de antologia: o seu resultado não espanta, é o fruto directo de um “antes” e um “depois” do qual o candidato do PSD foi a maior vítima sem de todo poder ser responsabilizado pelo mau comportamento parlamentar do seu partido.

b) Idem para o CDS: cá se fazem, cá se pagam? Pagaram-se. Sim, PSD e CDS fizeram um pouco melhor que há quatro anos mas a questão é que caminhavam para poderem ter feito muito melhor que há quatro anos;

c) Aliança: se eu fosse a qualquer um deles ouviria com bom ouvido o que repetiu Santana Lopes esta noite: que o espaço à direita do PS se deve obrigatoriamente unir, aliar, conjugar. (O que parece politicamente extraordinário é que tenha de ser tão repetido.)

d) E se eu fosse ao Bloco, rejubilando com o resultado, não o galoparia muito: talvez me engane mas julgo que não.

e) O vencedor António Costa — Pedro Marques é que não foi de certeza — preferirá governar sozinho (e why not?) se ganhar as eleições de Outubro. E além disso, não é verdade? Há sempre um PAN ao virar da esquina, um PAN tão “ar do tempo” quanto tão previsivelmente disponível…

f) O PC não tem jeito para geringonças destas. Não lhe está no feitio, nem é a massa de que é feito.

3. Não se deve levar muito a sério seja o que for votado por menos de um terço das pessoas. Mesmo que apeteça muito. É que a abstenção, de tão astronómica, pode reduzir a pó qualquer comentário, análise, ou conjectura como por exemplo as que acima fiz e estão a fazer dezenas de pessoas como eu, a esta hora. Sim, mesmo que apeteça muito.

Alberto Gonçalves. As “europeias”: alguém deu por elas?

Falta apurar se as alminhas que votaram coincidem com os eruditos ou se houve mistura com os ignorantes. Não falta apurar que, descontados os “fundos”, enquanto caírem por cá, o “povo” despreza a “Europa” com zelo. A acreditar no grotesco geral da campanha, não é à toa.

Abstenção. Ao garantir que mais de dois terços dos portugueses não conhecem sequer o nome de um único “eurodeputado”, uma sondagem “indirecta” previra com grande acerto a quantidade de abstencionistas deste domingo, aliás recorrentes em eleições do género. Falta apurar se as alminhas que votaram coincidem com os eruditos ou se houve mistura com os ignorantes. Não falta apurar que, descontados os “fundos”, enquanto caírem por cá, o “povo” despreza a “Europa” com zelo. A acreditar no grotesco geral da campanha, não é à toa.

PS. Foi “poucochinho”, o que em 2019 é “uma grande vitória” e há cinco anos valeu o abate do dr. Seguro, mas de qualquer modo o PS ganhou. O segredo do sucesso? Volto à sondagem acima referida: nem três por cento dos eleitores fazia ideia de quem era o “cabeça de lista” socialista. Dadas as figuras realizadas pela personagem, e a personagem propriamente dita, o desconhecimento tornou-se uma bênção.

PSD. A questão da notoriedade também decidiu o pobre resultado do PSD. Não se percebe é de que maneira. Por um lado, Paulo Rangel é, com larga distância, o “eurodeputado” mais familiar aos eleitores – o que sugere que o partido talvez pudesse tê-lo escondido. Por outro lado, o dr. Rio fez o possível para ninguém reparar que o partido existe – e nessa perspectiva quase alcançou em pleno os objectivos.

BE. Subiu imenso. Sobre isto, não ouvi um pio acerca do avanço dos extremismos, dos populismos e da famosa “cultura do ódio”.

PCP. Desceu imenso, provavelmente com os votos a derramarem para os comunistas “alternativos”. É lá com eles.

CDS. Por mim, não consigo perceber aquilo que o CDS actual quer. Aparentemente, poucos conseguem. De qualquer modo, a “grande derrota” da alegada “direita” repetiu, ou até ultrapassou, a coligação de 2014, proeza que não devia servir de consolo à “direita” em causa. E se calhar serve.

PAN. Não faço ideia do que seja o PAN. Dizem-me que tem a ver com bichos. Elegeu um sujeito.

O resto. Votei num partido que rondou os 0,8%, justo castigo por prometer menos Estado num lugar onde semelhante promessa é uma ameaça.

Miguel Pinheiro. Os abstencionistas não têm peste negra

Um abstencionista tem tantas motivações políticas como um votante. São, simplesmente, motivações diferentes. E, mais cedo ou mais tarde, haverá um político que conseguirá levá-los a trocar a abstenção pelo voto.

Acha que já conhece os resultados dos diferentes partidos nestas Europeias? Então agora esqueça — está tudo mal. Em vez de olharmos apenas para os votos expressos, como é habitual, vamos antes olhar para todo o eleitorado inscrito. Ou seja: vamos contar com os números da abstenção e ver qual é o efeito desse terramoto. É este: o PS não teve 33,3% — teve 10,4%; o PSD não teve 22% — teve 6,9%; o BE não teve 9,8% — teve 3%; o PCP não teve 6,7% — teve 2,1%; o CDS não teve 6,2% — teve 1,9%; e o PAN não teve 5% — teve 1,5%.

Em Portugal, temos a mania de fazer uma espécie de desqualificação cívica dos abstencionistas, como se fossem cidadãos com peste negra, indignos de partilhar o espaço público da república com todos os outros. Marcelo Rebelo de Sousa, por exemplo, repetiu esse mantra, avisando com ar severo que “os cidadãos estão a perder autoridade para depois criticarem os políticos”. É uma daquelas frases feitas que se perpetua sem necessidade de demonstração. Mas eu, sinceramente, não percebo: por que razão é que um abstencionista perde o direito de criticar seja quem for?

Tradicionalmente, a culpa pela abstenção é atribuída ao sol ou à chuva, consoante as condições meteorológicas. Isto presume que os eleitores que optam por não votar são preguiçosos — porque se deixam ficar, languidamente, na praia ou em casa — ou intelectualmente limitados — porque não conseguem perceber que é possível votar e fazer outra qualquer coisa num mesmo dia.

Como é óbvio, o estado do tempo tem pouco a ver com a decisão de não votar. Um abstencionista tem tantas motivações políticas como um votante. São, simplesmente, motivações diferentes. E, mais cedo ou mais tarde, haverá um político que conseguirá levá-los a trocar a abstenção pelo voto. Se for um político moderado, democrático e moderno, estamos salvos. Se for um político extremista, populista e antiliberal, apertem o cinto.

Filomena Martins. Votar nos bichos fofinhos

Não havendo em Portugal uma dispersão partidária ainda tão grande como já é tendência europeia, a única opção que resta aos portugueses é o partido ‘fofinho’, com cuja maioria das causas é difícil não simpatizar. Mas este não deixa de ser um voto de protesto.

Há um teste político que dá toda a gente compatível com o PAN. É normal. Haverá alguém contra as causas ambientais (como um todo), as mudanças climáticas (cada vez mais óbvias) e os animais (ainda que com regras)? Pronto!, concedo que isso possa acontecer com meia dúzia de loucos e os interesses de Trump. Mas de resto estamos todos de acordo. Os movimentos e prémios internacionais estão, aliás, cada vez mais atentos ao tema, ao ponto de os jovens até já serem aplaudidos por faltarem às aulas para se manifestarem pela defesa do planeta.

Mas o êxito do partido de André Silva por cá, bem como o dos Verdes em várias pontos da Europa — não em Portugal porque o partido cada vez mais se confunde com o PCP, sobretudo desde que os comunistas tiveram de voltar a pôr a foice e o martelo nos boletins de voto para não serem confundidos com o PCTP –, significa mais do que a simples preocupação com os oceanos e os bichos.

Não havendo em Portugal uma dispersão partidária ainda tão grande como já é tendência europeia — ouvindo André Ventura e o líder dos Reformados percebe-se porquê –, a única opção que resta aos portugueses é o partido ‘fofinho’, com cuja maioria das causas é difícil não simpatizar. Mas este não deixa de ser um voto de protesto. Ganhou agora André Silva, como antes tinha ganho Marinho e Pinho até os portugueses perceberem a sua colagem a José Sócrates e suspeitarem que o seu aparecimento no cenário político nacional até pode ter por detrás o ex-primeiro-ministro, então a querer vingança do PS.

Para já, aquilo que na Europa se tornou uma normalidade em Portugal tem-se ficado apenas por epifenómenos. E há várias razões que o explicam. O Aliança nunca deixará de ser associado ao PSD e apenas dispersou os votos na direita; do Basta! não é preciso repetir a forma como radicalizou a mensagem e se aproximou do PNR; as ideias europeias do Livre nunca se fizeram ouvir; e o apelo anti-corrupção do Nós Cidadãos! de Paulo Morais perdeu-se no ciberespaço (por culpa do próprio ou de quem acredita apenas na internet).

É curioso, aliás, como esta campanha se resumiu ao CDS a atacar o PSD e o PS, os socialistas a contra-atacarem a direita (com uma ou outra bicada — leve — nos parceiros de geringonça e António Costa sempre a arrastar Pedro Marques), o Bloco a disparar em todas as direcções e o PCP a esconder-se nos redutos comunistas que ainda lhe restam. Que ideias ficaram? Apenas as visões nacionais sobre dados do crescimento, investimento, défice e outros números que tais. Questões importantes, que de facto interessam, zero.

O CDS andou com as fotos de Sócrates na pasta e esqueceu-se de que o socratismo estava na campanha, ainda que o PS tenha escondido (por óbvias razões também) o número 3 da sua lista. Se, em vez disso, a corrupção tivesse sido tema, com a denúncia de casos concretos e a apresentação de medidas eficazes, e talvez os números fossem diferentes. Mas os partidos que têm passado pelo poder arranjaram demasiados telhados de vidro para andarem com essas pedras no bolso. Enquanto se entretiveram com a politiquice de trazer por casa, os eleitores desligaram. Por isso o centro quase desapareceu na Europa. Os portugueses ainda não (talvez seja preciso esperar uma geração), mas a tendência será a mesma.

Por agora, muitos tomaram a opção fácil: dar o voto à natureza e aos animais. Ah, esperem, esqueci-me. A outra alternativa é o vencedor de sempre: chama-se abstenção. Que, a continuarmos assim, eternizar-se-á no poder.

Pedro Benevides. A geringonça de Noé

Costa pode não ter tido um resultado esmagador, mas ultrapassou o “poucochinho” que se auto-impôs como meta, distanciou-se claramente dos adversários, aumentou o número de eurodeputados e parte para as legislativas como vencedor e a mostrar à direita e à esquerda que ainda é ele quem decide as regras do jogo. 

Teria sido uma grande oportunidade para discutir a Europa e esclarecer os eleitores sobre os grandes desafios que o projeto europeu enfrenta nos próximos anos. São muitos e vão ter impacto nas nossas vidas. Mas quase ninguém quis fazê-lo e os eleitores ficaram sem perceber porque é que um boletim de voto era mais importante que um mergulho no mar.

Sendo assim, e mesmo com valores de abstenção que nos envergonham a todos, eleitores incluídos, podemos assumir que acabaram finalmente as primárias das legislativas.

A direita sai delas de rastos — neste campo tomo a liberdade de incluir o PSD apesar das reservas do partido — e tem muito trabalho a fazer no pouco tempo disponível se quiser levantar-se do chão e disputar seriamente uma posição de força no próximo Parlamento. Houve erros básicos mesmo à beira da campanha que não podem repetir-se, como o contorcionismo com os professores, houve uma campanha fraca e superficial. Mas o que tem havido, sobretudo, é a falta de um projeto que chegue aos eleitores e que não se baseie apenas na denuncia dos erros dos outros. Uma nova narrativa que convença quem não se revê na esquerda de que é ali que pode depositar os seus votos para ter um país diferente.

Quer isto dizer que não tem havido trabalho nesse sentido? Tem, mas aparentemente não está a chegar onde devia.

A direção de Rui Rio foi rápida a dizer que sabe o que há a fazer na próxima campanha (e não o fez já nesta porquê, se está tudo claro?). Mas o líder social democrata sabe que, com este resultado historicamente baixo, voltou a ter a cabeça a prémio, mesmo que não haja ninguém no imediato para o reivindicar – Paulo Rangel é o rosto do resultado mais baixo de sempre do partido em eleições nacionais, Luís Montenegro avançou a destempo e recolheu humilhado.

Mas a pressão está lá e até pode até ser boa para Rio, que costuma funcionar melhor nessas condições. Para além disso, é provável que os eleitores do PSD tenham apanhado um susto grande com estes resultados e apareçam em maior número nas urnas, em outubro.

Mas se acreditarmos que as contas finais se justificam com a “nacionalização” que foi feita das europeias, como chegou a dizer Rangel, então é melhor acenderem-se mesmo as luzes de alarme na São Caetano à Lapa porque isso significa que os portugueses provavelmente não querem este PSD no governo.

E seguramente não querem também o CDS, que não só não conseguiu eleger o segundo eurodeputado que pedia, como ficou atrás dos dois partidos da esquerda que elegeu como nêmesis, como ficou até quase colado ao PAN. Depois de ter feito história em Lisboa, este foi o dia em que Cristas desceu à terra. E ter os pés assentes no chão costuma dar resultados melhores, tanto que a líder do CDS garantiu ter percebido os sinais que os eleitores quiseram dar. Veremos.

Ora, enquanto a direita foi para casa lamber as feridas, à esquerda conta-se uma história bem diferente.

Costa pode não ter tido um resultado esmagador, mas ultrapassou o “poucochinho” que se auto-impôs como meta, distanciou-se claramente dos adversários, aumentou o número de eurodeputados e parte para as legislativas como vencedor e a mostrar à direita e à esquerda que ainda é ele quem decide as regras do jogo. Isso vai ser importante quando, do lado esquerdo, tiver um Bloco de peito feito, e um PCP a apanhar os cacos de mais uma derrota. A “geringonça”, que correu bem a socialistas e bloquistas, tem somado desaires para os comunistas. Nas presidenciais, nas autárquicas e agora nas europeias.

Neste quadro, a experiência não se repetirá nos mesmos termos, porque o PCP não quer, porque o Bloco terá reservas de se colar sozinho ao PS e porque António Costa está desejoso de ser um homem livre.

A sondagem divulgada esta noite pela RTP mostra que isso está mesmo ali ao alcance de uma mão (cheia de deputados). Com 39% das intenções de voto, o PS não chega à maioria absoluta mas passa a ter várias opções: partidos à direita fragilizados com quem pode negociar acordos. Partidos à esquerda mais ou menos fortalecidos com quem pode dar continuidade ao legado desta legislatura. E, muito provavelmente, um PAN que deixará de ser um partido de um homem só e que terá força suficiente para se sentar à mesa das negociações e desempatar o que tiver de ser.

Percebe-se agora que não foi por acaso que Costa lhes deu honras de negociadores no último orçamento da legislatura. Talvez estivesse já a pensar no day after que estas europeias confirmam: o PAN chegou para ficar e fala para um eleitorado ao qual os partidos tradicionais não chegam. As tais “outras áreas, outras temáticas” de que falava Carlos César na noite eleitoral. Ainda é cedo para apostas, e talvez seja por estar a escrever isto de madrugada, mas eu punha aqui o meu dinheiro: pode estar em construção a “geringonça” de Noé.

Helena Garrido. A (pequena) revolução eleitoral portuguesa

O PAN consegue eleger um eurodeputado e tem quase tantos votos como o CDS. Promete ser, entre os jovens, aquilo que o BE foi para uma geração que está agora a aproximar-se dos 40 anos.

O projecto europeu resistiu ao teste eleitoral, mas é sensato que os líderes europeus interpretem o sinal amarelo que começaram a receber. Por cá, os portugueses estão confortáveis. É a interpretação possível para a histórica abstenção – embora o número de votantes tenha subido – , num quadro europeu em que, pela primeira vez desde 1979, a participação eleitoral aumentou. Mas estão também a mudar as suas escolhas. É isso que nos revela a onda PAN que varreu o país.

A acentuada subida do BE e a revelação que está a ser o PAN são a grande marca dos vencedores destas eleições europeias. A que se soma afirmação de satisfação geral com a governação. O PCP, em contrapartida, está a ser o grande sacrificado desta aliança do PS à esquerda. Mas é o PSD e o CDS que têm de retirar lições da derrota que tiveram.

O mais interessante destas eleições foi sem dúvida a onda PAN. Um pequeno partido, ao qual a comunicação social deu menos atenção do que a alguns outros pequenos partidos, como por exemplo o Aliança, consegue eleger um eurodeputado e tem quase tantos votos como o CDS. Promete ser, entre os jovens, aquilo que o BE foi para uma geração que está agora a aproximar-se dos 40 anos.

Uma das lições que se pode retirar, ainda a quente, é que os eleitores querem ouvir falar de questões concretas. O PAN é muito mais do que um partido concentrado nas alterações climáticas. Pode ser o partido que muda a linguagem da política.

O PSD, com a maior derrota de sempre, e o CDS são os que têm de retirar as mais importantes lições destas eleições europeias. O olhar para o passado, a agressividade no discurso e mensagens abstractas, sem tocarem naquelas que são hoje as maiores preocupações das novas gerações nem as ansiedades da classe média é a explicação possível para a derrota que tiveram.  Não conseguiram explicar o que consideravam estar mal na governação.

O PS, sem uma vitória retumbante, consegue afirmar-se pela derrota significativa dos partidos à sua direita. Vê a sua estratégia política validada e reforçada. E parte para as legislativas de Outubro em grande vantagem. Não existindo vencedores antecipados, a probabilidade de termos uma nova legislatura liderada pelo PS é elevada. E, neste momento, os socialistas podem até ter mais escolhas em matéria de alianças, se levarmos em conta a subida do PAN.

Na União Europeia espera-se que se tenha percebido o sinal amarelo da subida dos eurocépticos. A extrema-direita não é relevante no peso dos 751 eurodeputados, mas é importante quando se olha para o peso que esses partidos conquistam em países fundadores como a França e Itália. Estrasburgo e Bruxelas têm de sair das suas torres cada vez mais afastadas dos cidadãos se querem que o projecto europeu se mantenha.

Para os portugueses não existem dúvidas quanto ao projecto europeu nem quanto à governação. A pequena revolução eleitoral portuguesa é construtiva para a Europa.

Alexandre Homem Cristo. Refundar a direita ou morrer

No final, esta derrota da direita volta a sublinhar o óbvio desde 2016: ou a direita se refunda, ou vai morrer aos poucos. A direita perdeu o seu discurso para os défices baixos de Mário Centeno e hoje não tem nada de interessante para dizer ao país sem ser resgatar Sócrates do baú.

O PSD e o CDS tiveram, cada um isoladamente, o seu pior resultado de sempre. Contra um PS que apresentou o pior candidato de que há memória – Pedro Marques fez uma campanha muito fraca e que foi salva pela máquina partidária (não foi uma grande vitória, sublinhe-se, pois ficou ao nível de 2014). E, juntos, PSD e CDS colam-se ao resultado que obtiveram em 2014, no pico da crise económica e do impacto do programa de ajustamento da troika. Para a direita, esta não é, portanto, uma simples derrota. É uma derrota histórica e que dói a triplicar. Primeiro, perdeu as eleições europeias quando quem está na oposição as costuma vencer. Segundo, fracassou enquanto projecto de oposição – não há adesão popular nem mobilização (reduzida a mínimos da sua base eleitoral) à volta da mensagem dos partidos à direita, que parece cristalizada no tempo. Terceiro, PSD e CDS começam arrasados a preparação das eleições legislativas, limitados ao objectivo de minimizar os danos – ou seja, evitar um descalabro semelhante nas eleições legislativas.

Rui Rio e Assunção Cristas até podem liderar PSD e CDS até às eleições legislativas, mas já só são meios-líderes – têm a sua liderança ferida e dependente de um milagre em Outubro. Afinal, os partidos aguentam tudo, incluindo líderes que detestam, desde que isso lhes traga garantias de vitórias e acesso ao poder. O que os partidos não aguentam é derrotas que põem em causa a estabilidade do seu aparelho. No PSD, as facas já estão afiadas há muito tempo à espera de Outubro. Mas, no caso do CDS, o desempenho nestas europeias é tão arrasador que a contestação a Cristas vai ganhar fôlego nas intrigas de corredor. Recorde-se: o CDS colocou a fasquia alta no seu congresso. Queria liderar a direita, eleger dois eurodeputados e obter o seu melhor resultado de sempre nas próximas legislativas. Agora que falhou a eleição do seu segundo candidato às europeias com um péssimo resultado eleitoral, o cenário fixado para as legislativas ascendeu a ficção científica. Perante um PSD à deriva, indiferenciado do PS e sem um projecto claro para o país, o CDS terá provavelmente perdido a oportunidade de se afirmar como alternativa. E isso terá inevitavelmente consequências.

No final, esta derrota da direita volta a sublinhar o óbvio desde 2016: ou a direita se refunda, ou vai morrer aos poucos. A direita perdeu o seu discurso para os défices baixos de Mário Centeno e hoje não tem nada de interessante para dizer ao país sem ser resgatar Sócrates do baú. Não há um esboço de projecto político. E, consequentemente, uma parte do seu eleitorado ficou órfã de representação política, desmobilizada e focada na criação de novas forças partidárias – que, aliás, fizeram uma excelente campanha (Aliança e Iniciativa Liberal).

Conclusão: a refundação da direita é uma urgência e, para a saúde de PSD-CDS, tem de começar já – e não somente em 2020. Como? Numa grande e corajosa coligação para as legislativas que una PSD, CDS, Aliança, Iniciativa Liberal e outros pequenos partidos da direita portuguesa. Não, a quatro meses das legislativas, uma coligação destas não iria a tempo de fundar um projecto político próprio. Mas seria um importante sinal de vitalidade para mobilizar um eleitorado sedento por algo a que se agarrar. Eis o mínimo exigível para Outubro.

João Marques de Almeida. O centro direita não tem líderes

Rio e Cristas estão formalmente à frente dos seus partidos, mas não lideram o eleitorado do centro direita. Não sabem fazê-lo e não acreditam nas ideias para o fazer. Ontem receberam o que merecem e em Outubro voltarão a ter o que merecem: uma nova derrota.

A comparação entre estas eleições e as eleições europeias de 2014 é um disparate. Em 2014, os partidos de direita estavam no governo e tinham acabado de sair de um programa de austeridade duríssimo. Além disso, em Maio de 2014, faltava mais de um ano para as eleições legislativas de Outubro de 2015. Havia tempo para recuperar de uma derrota eleitoral, como se viu.

Agora, o PSD não sofre os desgastes do poder. Não teve Tancos, nem incêndios, nem greves, nem problemas nos hospitais ou nos transportes, nem nomeação familiares. Mesmo assim, não conseguiu passar dos 22% dos votos. Pior, as eleições legislativas são daqui a quatro meses. Estas eleições “europeias” foram a primeira volta das legislativas, como António Costa percebeu. Rio foi incapaz de construir uma dinâmica de crescimento e de vitória. Pelo contrário, a quatro meses das eleições, o partido está derrotado. Nenhum militante do PSD acredita que o partido poderá ganhar as eleições. O objectivo será apenas não baixar dos 20%.  Os próximos quatro meses serão o maior martírio da história do PSD (e do CDS).

A crise dos professores foi o ponto de viragem. Já quase nos esquecemos, mas antes da crise dos professores, o PSD chegou a estar quase empatado com o PS nas sondagens. Mas veio o entendimento parlamentar com a extrema esquerda, e qualquer possibilidade de vitória eleitoral acabou nesse dia. A posição do PSD e do CDS mostra problemas muito mais profundos, relacionados com o modo como Rio e Cristas olham para a política. Mostraram que não têm convicções ideológicas, que reduzem as suas posições políticas a cálculos de conquista de votos, que são populistas, e com isso perderam legitimidade para criticar a frente de esquerda do PS com o BE e com o PCP. O eleitorado do centro direita assistiu a tudo aquilo pasmado. Ficaram incrédulos quando o PSD e o CDS se aliaram aos comunistas e aos bloquistas, contrariando tudo o que o governo de Passos Coelho tinha feito, para conceder privilégios a uma profissão, esquecendo todas as outras.

Nem sequer podemos dizer, pelos resultados de ontem, que o PS está a caminho de uma vitória imparável. Os socialistas estão muito longe da maioria absoluta. Também ninguém pode afirmar que o eleitorado do centro direita se radicalizou, como se vê pelo resultado miserável do Chega ou do Basta. Os eleitores de direita em Portugal não andam à procura de Salvinis nem de Voxes. Só querem lideranças no PSD e no CDS que combatam as ideias e as políticas do PS e que não se aliem às extremas esquerdas. Será pedir muito?

Rio e Cristas mostraram que não são capazes de liderar uma alternativa às esquerdas nem de mobilizar o eleitorado do centro direita. Nada mudará nos próximos quatro meses. Rio e Cristas estão formalmente à frente dos seus partidos, mas não lideram o eleitorado do centro direita. Não sabem fazê-lo e não acreditam nas ideias para o fazer. Ontem receberam o que merecem e em Outubro voltarão a ter o que merecem: uma nova derrota. Para os partidos da direita, os resultados de ontem indicam, para Outubro, a crónica de uma derrota anunciada.

Maria João Marques. As minhas notas sobre as Europeias

O PSD de Rio não se sabe se quer governar, se quer ser a muleta suplente de António Costa. O PSD passista é profundamente conservador e desalinhado com as tendências em crescimento no eleitorado (português e europeu).

Uma notas, primeiro sobre os resultados por cá:

1. A direita está em maus lençóis e precisa de tirar férias para recuperação. No PSD, se tiverem juízo, declarar-se-ão com stress pós-traumático. O PSD de Rio não se sabe se quer governar, se quer ser a muleta suplente de António Costa. O PSD passista é profundamente conservador e desalinhado com as tendências em crescimento no eleitorado (português e europeu). Terão finalmente que se decidir, perder a parte descontente e avançar por onde lhes aprouver.

2. O CDS mantém a tradição. Quando é um partido em busca do eleitorado urbano, da direita moderna e liberal (de verdade, não dos reacionários portugueses que por mistérios insondáveis têm por hábito chamar-se de liberais), com uma mãe de família que acumula com profissional e política ambiciosa, quase feminista, ou com o cosmopolita Portas, tem bons resultados. Quando faz campanha com saudosismos autoritários, o candidato em ações com armas, a normalizar a extrema-direita espanhola, ataques de nervos em todo o partido por causa de passadeiras arco-íris – tem um resultado atroz.

3. As novidades à direita não vingaram – e não mereceram vingar. O Aliança é um projeto pessoal de Santana Lopes para continuar a ter vida política. O Basta/Chega quer associar-se à onda alt right, mas André Ventura não chega, ele sim, para as despesas de líder populista nacionalista. Um comentador de futebol (que hostiliza os restantes adeptos), sem outros pergaminhos, não é messias para povo respeitador das hierarquias como o português. Dificilmente sairá das margens. A IL, alegadamente irreverente e liberal, apresentou, para uma instituição que tem como pilar a liberdade de circulação de pessoas, bens, mercadorias e capitais, um homem conservador que defendeu com assiduidade o protecionismo.

4. Os vencedores da noite foram o BE e o PAN. O PS, enfim, ganhou com resultado pouco entusiasmante, também merecido: Pedro Marques foi um cabeça de lista a pedir imenso para perder e constava na lista a nódoa ética Pedro Silva Pereira.

E na UE:

5. Subiram os nacionalistas, mas apenas quanto baste. O cenário catastrófico de metade do Parlamento Europeu com inimigos da UE foi manifestamente exagerado.

6. Os partidos ecologistas também crescem, em contexto de maiores números de votantes nos outros países. Se calhar os eleitores votam quando existem partidos que mostram ter no centro as questões que os interpelam. E as questões ambientais vieram para ficar.

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