À chegada à sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, Donald Trump fez questão de questionar e repreender uma jornalista da CNN que se encontrava no local. Kaitlan Collins, uma das jornalistas que integram a equipa de correspondentes da estação televisiva para o acompanhamento da Casa Branca — e que foi banida esta semana, juntamente com os meios Politico e MS-NOW —, encontrava-se no local quando o Presidente dos Estados Unidos chegou e criticou a presença do canal.
“É uma honra estar aqui. Estou surpreendido por a CNN estar aqui a fazer a minha cobertura”, disse Trump, dirigindo-se depois diretamente a Collins: “Não devia estar aqui a fazer a minha cobertura“.
We are credentialed by the United Nations to cover the General Assembly. https://t.co/FTwPE7ENgv
— Kaitlan Collins (@kaitlancollins) September 22, 2026
O ‘recado’ de Trump surge na sequência do diferendo entre a Casa Branca e os três meios de comunicação social, que foram afastados da cobertura presidencial por alegadas mentiras e ‘fake news’ que o Presidente dos EUA atribui à CNN, à MS-NOW e ao Politico sobre a sua presidência.
A situação levou a uma tomada de posição solidária de outras estações televisivas que se revezam na cobertura da Casa Branca, designadamente CBS, NBC, ABC e FOX — esta última geralmente considerada muito próxima de Trump. Em resposta, na terça-feira, o Presidente norte-americano anunciou o lançamento da “Trump TV“.
Kaitlan Collins questionou Trump quando iria acabar a guerra com o Irão, lembrando uma sondagem que indicou que cerca de dois terços dos americanos não consideravam que os EUA estavam a ganhar esse conflito. Porém, o Presidente norte-americano não respondeu e prosseguiu: “Disse que não me ia cobrir. Não devia estar a fazer a minha cobertura.”
Departamento de Justiça dá cobertura à proibição de Trump
Na última noite, o Departamento de Justiça (que faz parte da administração) defendeu formalmente que Trump pode mesmo impedir de forma discricionária o acesso de meios de comunicação social à Casa Branca. Segundo um documento judicial apresentado pela administração Trump e citado pela CNN, o “acesso à Casa Branca é um privilégio, não um direito”.
Em causa nas alegações dos advogados da administração está um suposto risco de segurança nacional na cobertura de temas tão distintos por CNN, MS-NOW e Politico, como a guerra com o Irão ou a construção do salão de baile na Casa Branca.
The Justice Department said that three major national media outlets can be shut out from areas of the White House at the president's will, and because their coverage could be a threat to national security. https://t.co/IRZACNsB3y pic.twitter.com/DzRx3xc9PX
— CNN Breaking News (@cnnbrk) September 23, 2026
“No mínimo, o Governo pode controlar o acesso dos jornalistas a áreas presidenciais restritas, como o Salão Oval, mesmo por razões de discriminação com base em pontos de vista”, sustentou o Departamento de Justiça no documento remetido ao tribunal, continuando: “O Presidente considerou que os queixosos se envolveram numa série de incidentes de reportagem que ameaçaram a segurança nacional. Tais reportagens suscitam diretamente preocupações de segurança nacional.”
Para esta quarta-feira está prevista uma audiência de emergência diante do juiz federal Timothy Kelly, em Washington, na qual a CNN, a MS-NOW e o Politico irão formalizar ao tribunal o pedido de restabelecimento imediato do seu acesso à Casa Branca, em respeito pela Primeira Emenda da Constituição, que protege a liberdade de imprensa.