Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Os Ensaios do Observador juntam artigos de análise sobre as áreas mais importantes da sociedade portuguesa. O objetivo é debater — com factos e com números e sem complexos — qual a melhor forma de resolver alguns dos problemas que ameaçam o nosso desenvolvimento.

As desigualdades na educação não foram introduzidas pela pandemia, mas foram por ela severamente ampliadas. Assim, se eram já muitos alunos a ficar para trás, a partir de agora serão muitos mais. E, pela mesma ordem de ideias, se esse era o calcanhar de Aquiles do sistema educativo, é legítimo defender que tenha ascendido agora à sua principal prioridade.

Comecemos pelo princípio e pelo pressuposto que tem de estar na base desta reflexão: a escola é o elevador que permite ascensão social. Dizê-lo não é ceder a um qualquer ideal romântico, mesmo que a inconsequência dos discursos políticos (que tanto repetem esta ideia) o sugira. Dizê-lo é apenas manter em vista o papel do sistema educativo enquanto política pública: proporcionar um acesso universal à educação, sim, mas também garantir que esta consegue oferecer uma formação de qualidade e com respostas à medida das necessidades de cada aluno – em particular, proporcionando às crianças das franjas mais frágeis da população a obtenção de instrumentos intelectuais com os quais possam ambicionar um futuro melhor, mais feliz e mais livre. Ora, o nosso elevador social da educação está avariado. Não implica isto que não funcione de todo – felizmente, temos evidências de melhorias na aprendizagem, incluindo entre os jovens mais pobres. Mas implica que esse elevador sobe de forma lenta e intermitente, frustrando as expectativas de tantos.

Portugal é, na OCDE, o país onde se observa menor mobilidade social na educação. O que isto quer dizer é simples: muito mais do que em outros países, em Portugal prevalece uma relação fortíssima entre o perfil socioeconómico das famílias e a probabilidade de sucesso escolar dos seus filhos – um aluno com pais licenciados tenderá a valorizar a escola e obter sucesso escolar, um aluno com pais pouco qualificados tenderá a cair no insucesso escolar. É esse elo que compete às escolas e ao sistema educativo quebrar, de modo a que as desigualdades sociais à entrada da escola não sejam as mesmas desigualdades de resultados educativos à saída. Infelizmente, não o têm conseguido com a eficácia desejada.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.