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Ilustração de Tiago Albuquerque

Ilustração de Tiago Albuquerque

Dia intenso na campanha com Biden, Obama, Trump, Melania e Ivanka na estrada /premium

Tudo o que tem de saber sobre o que se passa na campanha dos EUA. Biden apelou aos conservadores na Geórgia, Obama não poupou nas críticas a Trump, que deu o protagonismo à mulher e à filha.

Todos os dias fazemos-lhe um resumo do que se está a passar na campanha eleitoral nos Estados Unidos: as principais histórias do dia, as frases descodificadas, fact checks e recomendações de leitura para estar sempre bem informado até à eleição do próximo Presidente.

O que se passa na campanha

A uma semana do dia das eleições, há um número que impressiona: 69,5 milhões de norte-americanos já votaram, quer por correio, quer por voto antecipado. Trata-se de mais de metade do total de eleitores que votaram em 2016 (tanto antecipadamente como no dia da eleição), o que permite antecipar uma afluência às urnas recorde, numa eleição histórica. Esta terça-feira foi um dia particularmente agitado nas duas caravanas de campanha. Do lado democrata, Joe Biden fez um comício na Geórgia e Barack Obama discursou na Flórida; do lado republicano, Trump fez três comícios no Midwest, mas foram os discursos a solo da primeira-dama, Melania, e da filha do Presidente, Ivanka, que mais se destacaram. Foi, também, o primeiro dia de funções da nova juíza do Supremo Tribunal, Amy Coney Barrett, depois da polémica que marcou as últimas semanas de campanha.

1Biden em comício com Bíblia e história para apelar a republicanos moderados

O candidato democrata foi esta terça-feira a Warm Springs, na Geórgia, conhecida pelas águas termais que ajudaram o Presidente Franklin Roosevelt a recuperar da poliomielite que o paralisou, para deixar uma promessa de recuperação do país após o período da pandemia e resumir o caderno de encargos com que se candidata à Presidência. “Este lugar é uma lembrança de que, apesar de abalados, cada um de nós pode ser curado. De que, enquanto povo e enquanto paí,s podemos ultrapassar este vírus devastador. De que podemos curar um mundo que sofre. E sim, podemos recuperar a nossa alma e salvar o nosso país.”

A Geórgia, tradicionalmente conservadora e republicana, é este ano um dos principais “swing-states” a ter em atenção. De acordo com as sondagens mais recentes, os dois candidatos estão praticamente empatados naquele estado, que contribui para o resultado final com uns significativos 16 lugares no Colégio Eleitoral. Este ano, Joe Biden está apostado em inverter a tendência eleitoral do estado, atraindo votos de republicanos moderados e descontentes com Trump.

No comício em Warm Springs, com poucos apoiantes e muito distanciamento social, Joe Biden usou repetidas vezes o exemplo do Presidente Roosevelt (que liderou o país durante a Grande Depressão e a II Guerra Mundial) para apontar caminhos de futuro, mas fez-se valer também da sua condição de católico para tentar captar o eleitorado cristão e citou o Papa Francisco, que na sua mais recente encíclica “nos alerta contra este falso populismo que apela, para citar, aos instintos ‘mais básicos e mais egoístas’”.

Joe Biden durante um comício na Geórgia esta terça-feira

Getty Images

Biden insistiu nessas palavras para caracterizar Donald Trump como um dos “charlatães, vigaristas, falsos populistas, que procuraram aproveitar-se dos nossos medos, apelar aos nossos apetites e as nossas mais antigas cicatrizes para os seus próprios ganhos políticos”.

Para o candidato democrata, a eleição da próxima semana será um dos momentos definidores da história do país. “Esta eleição é sobre quem somos enquanto nação, sobre aquilo em que acreditamos e, talvez mais importante que tudo, sobre quem queremos ser. É sobre a nossa essência, sobre o que nos torna americanos”, disse Biden aos apoiantes, voltando a citar a Bíblia para dizer que “há um momento para mandar abaixo e um tempo para reconstruir”.

“Este é esse tempo. Deus e a história chamaram-nos para este momento e para esta missão”, sublinhou Biden.

2Obama diz que Trump tem “ciúmes” da Covid por receber mais atenção mediática que ele

Também nesta terça-feira, a campanha de Joe Biden contou novamente com a presença do ex-presidente Barack Obama, que fez um comício em Orlando, na Flórida, com duríssimos ataques a Donald Trump pela forma como geriu a resposta à pandemia de Covid-19. “Mais de 225 mil pessoas neste país morreram. Mais de 100 mil pequenas empresas fecharam. Meio milhão de empregos desapareceram só na Flórida. Pensem nisso”, disse Obama aos apoiantes democratas que se juntaram para o ouvir.

O ex-presidente voltou a criticar o apego de Trump à televisão e à popularidade e afirmou mesmo que o Presidente tem “ciúmes” da Covid-19. “E qual é o argumento dele? É o de que as pessoas estão muito focadas na Covid. Ele disse isso num dos comícios. Covid, Covid, Covid, está a queixar-se. Ele tem ciúmes da cobertura mediática da Covid. Se ele se tivesse focado na Covid desde o início, o número de casos não estava a atingir novos recordes em todo o país esta semana.”

Não é comum assistir a este nível de críticas por parte de um ex-presidente ao seu sucessor, mas Trump veio definitivamente mudar a forma de fazer política nos EUA. Obama atacou o atual Presidente de vários ângulos, mas sempre com a pandemia no centro do discurso, acusando mesmo Trump de ter transformado a Casa Branca numa “zona vermelha” de propagação do vírus.

“Deixem-me dizer-vos isto: eu vivi na Casa Branca algum tempo. Sabem, é um ambiente controlado. É possível adotar algumas medidas de prevenção na Casa Branca para evitar ficar doente. Exceto este tipo, que parece que não é capaz de o fazer. Transformou a Casa Branca numa zona vermelha”, disse Obama.

O ex-presidente acabou o discurso com um apelo direto ao voto, numa altura em que uma decisão do Supremo Tribunal que impede a contabilização de votos recebidos depois do dia da eleição (em resposta a um pedido do estado do Wisconsin para alargar o prazo devido à pandemia) obrigou os democratas a aumentarem os esforços naquele estado para pedir aos eleitores que enviem rapidamente os boletins de voto antecipado — e que, se possível, os coloquem nas urnas instaladas em vários pontos do estado, em vez de os enviarem por correio, para evitar atrasos.

O ex-presidente Obama fez um comício em Orlando, na Flórida

AFP via Getty Images

“Não esperem. Ponham-nos no correio ou deixem-nos na urna hoje. Não corram riscos, façam-no”, disse Obama na Flórida. “Temos de nos mobilizar como nunca, Orlando. Não podemos deixar dúvidas. Não podemos ser complacentes. Fomos complacentes da última vez. Ficámos preguiçosos, demos as coisas por garantidas. Vejam o que aconteceu. Desta vez, não”, rematou.

3Melania e Ivanka sobem ao palco com críticas a Joe Biden

A terça-feira ficou ainda marcada por uma aposta da campanha de Trump em eventos simultâneos. Enquanto o Presidente fazia uma série de três comícios no interior do país, a primeira-dama foi à Pensilvânia para um discurso a solo e a filha Ivanka foi à Flórida a um evento destinado a atrair o voto feminino para Trump.

“Como muitos de vós, eu experienciei em primeira mão os efeitos da Covid-19, não apenas como paciente, mas como mãe e esposa preocupada”, disse Melania no seu comício, na cidade de Atglen. “Sei que muitas pessoas perderam os seus entes queridos ou conhecem pessoas que ficarão para sempre afetadas por este inimigo silencioso.”

Embora tenha reconhecido a extrema gravidade da pandemia, Melania apontou logo de seguida aos democratas e acusou Biden de promover o medo da pandemia. “Ninguém devida promover o medo de soluções reais por fins puramente políticos. Os democratas escolheram colocar as suas próprias agendas à frente do bem-estar do povo americano, para tentar criar uma divisão. Uma divisão numa coisa que devia ser apartidária e não devia ser controversa. Uma divisão que causa confusão e medo em vez de esperança e segurança”, afirmou a primeira-dama.

Inicialmente, ficou pouco claro a que é que Melania se estava a referir em concreto (sobretudo quando tem sido Donald Trump que mais tem classificado a resposta dos estados à pandemia consoante a tendência partidária dos seus governadores), mas a primeira-dama explicou de seguida: “Não nos esqueçamos daquilo em que os democratas se decidiram focar quando a Covid-19 entrou pela primeira vez no nosso país. Enquanto o Presidente estava a adotar ações decisivas para manter os americanos em segurança, os democratas estavam a desperdiçar o dinheiro dos contribuintes americanos num impeachment desonesto”.

Na verdade, o processo de impeachment de Donald Trump havia começado muito antes da pandemia. A acusação surgiu em setembro do ano passado, a condenação no Congresso em meados de dezembro e o julgamento no Senado entre o fim de janeiro e o início de fevereiro. O Presidente foi formalmente absolvido a 5 de fevereiro, quando a pandemia estava numa fase muito embrionária nos EUA e longe de ser uma preocupação pública de Trump.

A primeira-dama elogiou também a forma como Trump fala aos eleitores e admitiu que, mesmo nem sempre concordando com a maneira como o marido diz as coisas, “é importante que ele fale diretamente para as pessoas que serve”. “Pela primeira vez na História, os cidadãos deste grande país podem ouvir diretamente e instantaneamente o seu Presidente todos os dias através das redes sociais”, afirmou.

E também não poupou nos ataques à comunicação social, como tem sido hábito de Trump. “Antes de o meu marido decidir candidatar-se a Presidente, os media adoravam-no porque viam o homem que eu via todos os dias. Alguém duro, bem-sucedido e justo. Um homem que vê potencial em toda a gente que conhece, independentemente do género, raça, religião ou orientação sexual. Um homem que tem um grande coração e um grande sentido de humor. O Donald adora ajudar as pessoas e adora ver aqueles à sua volta, e este país, terem sucesso.”

A sul, num comício em Sarasota, na Flórida, a filha Ivanka Trump, uma das principais conselheiras do Presidente norte-americano, procurou repetir grande parte dos argumentos do pai. “Ele vai baixar impostos e criar 10 milhões de empregos em 10 meses. 2021 vai ser o nosso melhor ano de sempre”, prometeu Ivanka Trump. “Ele vai derrotar o vírus, trazer de volta os vossos empregos e acabar com esta pandemia de uma vez por todas.”

Ivanka Trump andou em campanha pelo pai na Flórida

Getty Images

Ivanka acusou o democrata Joe Biden de querer transformar os EUA num “país socialista” e garantiu: “O Presidente Trump nunca deixará que isso aconteça”.

Além disso, Ivanka Trump celebrou o facto de terça-feira ter sido o primeiro dia de funções da nova juíza conservadora do Supremo, Amy Coney Barrett, e deixou mais uma promessa destinada a apelar ao voto conservador: se for reeleito, Trump continuará a nomear juízes “que defendem fielmente as liberdades consagradas na nossa Constituição, incluindo o direito a ter armas, o direito à liberdade de expressão e à liberdade religiosa”.

4Trump deixa apoiantes ao frio após comício

Por seu turno, o Presidente Trump voltou à estrada para um dia cheio de comícios muito parecidos uns com os outros, como tem sido seu costume ao longo das últimas semanas. Desta vez, Trump foi ao Michigan, ao Wisconsin e ao Nebraska, numa tentativa de segurar alguns votos no Colégio Eleitoral (Biden lidera com uma curta margem no Michigan e Wisconsin, Trump vai à frente no Nebraska).

No Nebraska, Trump chegou a sugerir que a sua passagem por aquele estado era desnecessária, tal a certeza numa vitória (as sondagens dão a Trump uma margem de 6 pontos percentuais sobre Biden). “Em teoria, nem precisava de estar aqui, mas é bom estar com os amigos também”, disse Trump em frente a uma grande multidão num aeroporto de Omaha. “O Joe Biden nem vos respeita o suficiente para vir cá fazer campanha. Ele não veio cá, pois não? Veio cá?”

O comício de Trump ficaria, porém, marcado por uma desorganização que levou a que centenas de apoiantes ficassem durante horas ao frio sem transporte. Depois de terem esperado durante várias horas pela chegada de Trump, no final do comício não houve autocarros suficientes para transportar todos os apoiantes para os parques de estacionamento. Muitos desistiram e foram a pé, perante a impotência das autoridades, e alguns tiveram de receber assistência médica — uma vez que estavam cerca de 0ºC no Nebraska naquela altura. A campanha de Trump garantiu que havia autocarros suficientes e que o problema terá sido o trânsito. Mas a verdade é que, duas horas depois do final do comício, ainda havia dezenas de apoiantes à espera ao frio.

Também nesta terça-feira, a campanha de Donald Trump foi alvo de um ataque informático que deixou o site de campanha inativo durante cerca de meia-hora. Nesse período, surgiu no site uma mensagem que acusava, sem provas, o Presidente Trump de estar “envolvido na origem do coronavírus”. O site foi recuperado em cerca de 30 minutos e a equipa de Trump assegurou que nenhuma informação interna foi exposta.

Nas entrelinhas

Tweetar para a televisão não resolve os problemas. Ver televisão o dia todo não resolve os problemas.”
— Barack Obama, durante um comício em Orlando, que foi comentado em direto por Trump no Twitter

Parecia que estavam a falar um com outro. Um no púlpito, num comício a ser transmitido pela televisão; outro em frente ao televisor, com o Twitter na mão.

O ex-presidente Barack Obama tem sido um dos maiores trunfos da discreta campanha de Joe Biden, que tem ficado bem atrás da de Trump em termos de eventos e multidões. Esta terça-feira, Obama protagonizou um comício em Orlando, na Flórida (uma cidade que está na memória dos norte-americanos depois de, em 2016, meia centena de pessoas terem morrido num tiroteio numa discoteca).

Durante o discurso, Obama não poupou nos ataques diretos a Donald Trump. “Ouçam, temos neste momento um Presidente quer os louros por uma economia que herdou, quer zero culpa pela pandemia que ignorou”, disse o ex-presidente.

“Mas sabem que mais? O cargo não funciona assim. Tem de ser responsável e prestar atenção 24 horas por dia, 7 dias por semana. Tweetar para a televisão não resolve os problemas. Ver televisão o dia inteiro não resolve os problemas. Inventar coisas não resolve os problemas”, acrescentou.

A mensagem parece mesmo ter acertado no alvo. Enquanto Obama discursava, Trump estava mesmo a ver televisão e a tweetar. “Agora a Fox News está a passar o discurso falso e sem multidão de Obama a favor de Biden, um homem que ele quase não conseguiu apoiar por não acreditar que ele fosse ganhar. Além disso, eu PAGUEI ANTECIPADAMENTE muitos milhões de dólares em impostos”, escreveu Trump no Twitter, durante o discurso do antecessor.

Donald Trump tem frequentemente usado as multidões nos comícios e as audiências televisivas como forma de medir o seu sucesso eleitoral. Na semana passada, Obama já tinha posto o dedo nessa ferida, no primeiro comício que fez para a campanha de Biden. Acusando Trump de tratar a Presidência como um reality-show, Obama lembrou que, “mesmo assim, as audiências dele estão baixas, o que sabemos que o aborrece”.

Fact-check

Trump diz 50 falsidades por dia

Na reta final da campanha eleitoral, o Presidente Donald Trump começou a dizer uma média de 50 afirmações falsas ou enganadoras por dia, de acordo com uma contabilização permanente feita pelo jornal The Washington Post — que lamenta que a sua equipa de fact-checkers já não consiga acompanhar o ritmo.

O jornal tem vindo a contabilizar, desde o início do mandato de Trump, todas as vezes que o Presidente mente publicamente. Até ao final de agosto, Donald Trump já disse 22.247 afirmações falsas ou enganadoras. Em alguns dias, sobretudo em momentos de discursos importantes, Trump aproximou-se das 200 mentiras ou falsidades num só dia.

A afirmação falsa ou enganadora que Trump mais repetiu durante o mandato foi a de que os EUA estão a ter hoje em dia a melhor economia da sua história. O The Washington Post encontrou pelo menos 407 momentos em que Trump o afirmou — mesmo não sendo verdade.

O Fact Checker do The Washington Post é membro da International Fact-Checking Network, IFCN, uma plataforma de fact checkers de que o Observador também faz parte.

A foto

A primeira-dama, Melania Trump, foi uma das protagonistas da campanha de terça-feira

AFP via Getty Images

A opinião

No The Washington Post, a colunista Karen Tumulty faz uma análise das agendas de campanha dos dois candidatos para tirar algumas conclusões sobre o que cada equipa está a sentir a uma semana da eleição. Se Donald Trump continua a grande ritmo a percorrer o maior número de estados que consegue, Joe Biden mantém-se mais resguardado. Enquanto a campanha de Trump se encontra numa situação muito difícil, com as sondagens a apontarem para uma derrota, Biden antevê cautelosamente a vitória.

In the final days before a presidential election, the most telling signal of how things are going is not the bravado and bluster you hear from the campaigns, but the tactical decisions they make about where to deploy in the precious time that remains.
If candidates and their top surrogates show up in unexpected places, it can be a sign for good or ill. Right now, indications suggest President Trump’s team sees itself in a dire situation, while former vice president Joe Biden’s is sensing not only a victory but also the possibility of a rout.

No The New York Times, Thomas B. Edsall pergunta “quão longe pode ir Trump” e recorda um exercício hipotético feito pelo académica Edward B. Foley em 2019, preparando-se para uma possível derrota de Trump. Na crónica, Edsall coloca em cima da mesa todos os cenários possíveis, incluindo a possibilidade de Trump contestar até o resultado de uma vitória expressiva de Biden.

On election night and the days that follow, the country may be in for a roller-coaster ride, with ups and downs that raise and dash expectations, provoking anger and frustration.

Here is a scenario, sketched out by Edward B. Foley, a professor of constitutional law at Ohio State, in his 2019 paper “Preparing for a Disputed Presidential Election: An Exercise in Election Risk Assessment and Management.”

Foley presents a hypothetical widely discussed by election experts — with an outcome that hangs on the willingness of Republican-controlled legislatures to support Trump in the event that he loses the popular vote and refuses to commit to a peaceful transfer of power, as he has frequently threatened.

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