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▲A edição da CES deste ano fica marcada por muita IA e robótica

AFP via Getty Images

▲A edição da CES deste ano fica marcada por muita IA e robótica

AFP via Getty Images

Doces que dão música, robôs que dobram a roupa e um Lego inteligente. As novidades da CES 2026

É uma tradição na tecnologia: na primeira semana de cada ano todos os caminhos vão dar a Las Vegas para ver gadgets na CES. Esta edição teve muitos robôs e produtos invulgares.

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É a primeira grande feira tecnológica do ano. A Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas, é o momento para muitas empresas apresentarem os produtos que vão marcar os meses seguintes. Ou, em alguns casos, revelar apenas conceitos em que estão a trabalhar ou protótipos, mesmo que nem sempre sejam funcionais.

A inteligência artificial (IA) esteve em destaque em vários produtos, mas a CES voltou a fazer jus ao “show” que tem no nome, com demonstrações criadas para impressionar, como os robôs pensados para as tarefas domésticas.

A CES decorreu de 6 a 9 de janeiro, com mais de 140 mil participantes.

Peças inteligentes da Lego vão dar som e luz às construções

A dinamarquesa Lego decidiu fazer evoluir as suas peças. Na CES, apresentou uma plataforma chamada Smart Play, afirmando que se trata “de uma das mais significativas evoluções de sistema Lego desde que a minifigura Lego foi lançada em 1978”.

A novidade deste anúncio são as pequenas peças, que são transparentes e têm um pequeno chip no interior. Mesmo sendo de pequena dimensão, há muita tecnologia ali: sensores de proximidade, um acelerómetro, uma pequena coluna e sensores de cores. Quando combinadas com as Tags — peças de 2×2 com uma identificação digital única — e as figuras Lego, as peças inteligentes comportam-se de formas diferentes.

▲ O sistema Smart Play da Lego tem três elementos: uma peça com um pequeno chip, uma figura compatível e ainda uma Tag

Lego

É preciso ter essas três partes do sistema — peças, Tags e figuras — para que as peças tenham um comportamento diferente. Segundo o site Engadget, que teve acesso a uma demonstração do sistema Smart Play, são as Tags e as figuras que “dão” as instruções às peças inteligentes para se comportar de acordo com o contexto. Um exemplo: se o sistema está numa construção de um carro, surgirão sons de um motor. Se o carro se movimentar de forma mais rápida, a peça emitirá um som diferente. Ou, se se virar o carro ao contrário, ouvir-se-á o som de um acidente.

Os primeiros sets da Lego a ter este novo sistema inteligente serão da saga Star Wars, resultantes da parceria entre a empresa dinamarquesa e a Lucasfilm. Haverá três sets, que já estão em pré-venda, mas que só chegam ao mercado a 1 de março. Tendo a temática Star Wars, um dos sets terá figuras smart das personagens Luke Skywalker e Darth Vader, para poder recriar um duelo com som e cores.

Um chupa-chupa capaz de dar música… pelos ossos

Chama-se Lollipop Star e quer ser um apelo aos sentidos. Tudo porque é um chupa-chupa que consegue reproduzir música. Segundo a empresa, é usada uma tecnologia de condução óssea, que transmite vibrações de som que passam pelo crânio e chegam ao ouvido interno.

A ideia é que, à medida que vai comendo o doce, o utilizador coloque o chupa-chupa entre os molares para ouvir a música. Que, claro, só pode ser ouvida por quem está a comer o doce. Segundo a imprensa internacional, a Lollipop Star tem parcerias com um conjunto de artistas para estes doces, como Akon, Ice Spice ou Armani White. Cada doce tem um sabor diferente — mirtilo, pêssego e lima, respetivamente — e toca uma música destes artistas.

Lollipop Star, chupa com música por tecnologia de condução óssea

▲ Os chupas da Lollipop Star têm diferentes sabores — e tocam diferentes músicas

Lollipop Star/Lava Brand

Para haver música é preciso ter uma haste específica, que tem de ser ligada através de um botão na base para a “magia” começar. E, quando acaba a guloseima, não é possível voltar a reutilizar o pedaço de plástico. A marca pretende lançar em breve as guloseimas no mercado, por nove dólares cada uma (7,75 euros). Cada guloseima é acompanhada de tampões para os ouvidos para que seja mais fácil ouvir a música.

Maxwell, mais um wearable a pensar na IA

Não há como escapar à inteligência artificial (IA). A Motorola apresentou um projeto chamado Maxwell, que pretende criar um dispositivo wearable pensado para a IA.

Não é, no entanto, a primeira empresa a pensar nisto. Em 2024, a startup Humane lançou o AI Pin, um pequeno gadget para usar na lapela. As críticas da imprensa especializada foram negativas e o AI Pin foi considerado um flop. Tanto que a empresa abandonou a ideia deste gadget e, já em 2025, vendeu a maior parte dos ativos à HP por 116 milhões de dólares (99,7 milhões de euros).

HP dá 116 milhões pela tecnologia e patentes da startup que criou o “pior produto” de 2024

Neste conceito da Motorola, o Maxwell tem uma pequena câmara para poder ouvir e ver o que o utilizador está a fazer. Dessa forma, poderá dar sugestões para o uso da informação captada, usando a IA de forma multimodal e com capacidade para perceber linguagem natural. A ideia é também que este gadget se possa integrar no ecossistema de dispositivos Qira, também da Motorola.

A empresa deu um exemplo de como o dispositivo poderia ser usado para assistir a uma conferência e, depois, poder fazer um rascunho de texto em que sumariza o tema. Em comunicado, a empresa diz que o resumo poderia ser usado para uma publicação no LinkedIn, “tudo sem ser preciso tirar o telefone ou perder o foco da conferência”.

Robôs que querem ser mordomos da casa…

Não seria a CES sem robôs. Entre aspiradores robôs que sobem escadas, foram apresentados pelo menos dois modelos que prometem ajudar em várias tarefas da casa além da aspiração.

Um deles foi o LG CLOiD, apresentado como um robô doméstico “concebido para executar e coordenar tarefas domésticas em eletrodomésticos conectados”. A ideia é que funcione como uma espécie de mordomo para ter em casa, uma peça naquilo que a empresa chama de visão Zero Labor Home (um lar sem trabalho doméstico, em tradução livre). Segundo a companhia sul-coreana, o robô “tem como propósito reduzir o tempo e o esforço físico necessário para as tarefas do dia-a-dia”. A marca referiu que o robô tem visão de IA e, portanto, seria capaz de reconhecer um ponto sujo no chão, podendo acionar um aspirador robô para que limpe o espaço.

Robô LG, CLOiD, apresentado na CES 2026

▲ O CLOiD da LG ainda está na fase de conceito, mas promete ajudar a dobrar a roupa

LG

O CLOiD é composto por uma unidade de cabeça, um tronco com dois braços articulados e uma base com rodas equipada com navegação autónoma. O tronco pode inclinar-se para, por exemplo, apanhar objetos.

Numa das demonstrações, o CLOiD foi capaz de tirar o leite do frigorífico (mas não tentou vertê-lo para uma caneca, notou o CNET), ou de colocar um croissant no forno para o pequeno-almoço. Também foi desenvolvido para poder tirar louça de uma máquina de lavar, retirar roupa da máquina e dobrá-la, ainda que de forma mais lenta que um humano. Por agora, o CLOiD é ainda um conceito sem planos de chegada ao mercado.

Já o Onero H1, desenvolvido pela empresa chinesa de robótica Switchbot, já passou da fase de conceito à ideia de produto. É o mais perto que se poderá estar de uma Rosey, a robô doméstica dos desenhos animados Jetsons. De acordo com o Engadget, a empresa deverá fazer chegar o robô ao mercado algures no fim do ano, por um valor “abaixo de 10 mil dólares”, o equivalente a 8.600 euros.

Será o preço a pagar para, quando chegar ao mercado, se ter um robô em casa que promete tirar a louça da máquina, retirar a roupa do cesto e colocá-la a lavar, preparar um café, dobrar roupa, lavar janelas ou até abrir e fechar portas. Tal como o robô da LG, também esta opção da empresa, mais conhecida pelos seus aspiradores, tem braços articulados para fazer as tarefas.

… e robôs que trabalham em fábricas ou tentam ser estrelas de k-pop

Após anos de vídeos virais com truques e danças, a Boston Dynamics usou a CES para revelar que os robôs humanóides Atlas vão começar a trabalhar em fábricas. Segundo a empresa, o Atlas entrou em fase de produção e as primeiras unidades vão chegar às fábricas da Hyundai, que em 2021 comprou 80% da Boston Dynamics, tornando-se acionista maioritária da empresa norte-americana. Também haverá robôs Atlas a chegar às mãos da DeepMind, pertencente à Google (foi anunciada uma parceria entre a empresa de robótica e a gigante da internet).

Robô Atlas, versão 2026, da Boston Dynamics

▲ O robô Atlas, da Boston Dynamics, passou à fase de produção — e vai começar a trabalhar nas fábricas da Hyundai

Boston Dynamics

Na altura dos vídeos, o Atlas sabia dançar e até fazer parkour. Agora a história é outra: tem 1,9 metros e poderá “trabalhar em qualquer tipo de ambiente”, diz a empresa. Mas também pode operar em locais com grandes diferenças de temperatura — a empresa fala numa capacidade para aguentar temperaturas entre – 20 ºC até 40 ºC — e pode levantar cargas de 30 quilos com “facilidade”. Em relação à bateria, pode cumprir um turno de quatro horas. Ou, se ficar sem energia, até pode trocar as próprias baterias “em menos de três minutos, permitindo operações contínuas 24 horas por dia, sete dias por semana”.

O robô “Atlas”, da Boston Dynamics, já sabe fazer Parkour (com obstáculos)

Porém, não foi só o Atlas a chamar à atenção durante a apresentação na CES. Os Spot, os robôs que se assemelham a cães, abriram a apresentação ao som de k-pop. Até aqui robôs a dançar seria um truque já visto, com a diferença de que vários Spot conseguiram cumprir uma coreografia. Em partes da apresentação, alguns dos robôs chegaram até a fazer movimentos diferentes — incluindo um mortal para trás.

Um secador que também funciona como candeeiro decorativo

A empresa chinesa Dreame Technology apresentou diversos produtos na CES, mas há um que chamou a atenção: um secador de cabelo que também é um candeeiro.

Com um formato em ‘c’ e pousado no chão, o secador é um conceito e não um produto preparado para chegar ao mercado. O Halo High-Speed permite secar o cabelo sem precisar de usar as mãos — basta que se sente debaixo do secador.

Secador/candeeiro da Dreame, apresentado na CES 2026

▲ O secador da Dreame também é um candeeiro

Dreame

Foi apresentado também como um sistema de tratamento de cabelo três em um, com a promessa “de secar, revitalizar o couro cabeludo e fortalecer as raízes do cabelo”, “através de luz vermelha”.

Quando não estiver a ser usado, pode apenas assumir a função de candeeiro. Tem um design em metal e também a capacidade de se adaptar a diferentes ambientes com mudanças de tom. A marca chinesa ainda não tem um preço final, mas o The Verge refere que poderá situar-se numa faixa de preços na ordem de 700 dólares (cerca de 600 euros).

Fazer skincare com uma máscara diferente

A L’Óreal já se tornou numa presença habitual na CES, aproveitando a feira para revelar alguns conceitos na área da tecnologia de beleza. Este ano, além de um equipamento para o cabelo, que tanto permite alisar como modelar com menos danos causados pelo calor, apresentou um protótipo de uma máscara para skincare.

▲ A máscara facial LED da L'Óreal está atualmente na fase de protótipo

L'Oréal

Foi apresentada como uma máscara LED para “cuidados específicos com a pele”. Algumas empresas já estão neste mercado, mas com máscaras mais rígidas ou de grandes dimensões.

No conceito da L’Óreal, a máscara é de silicone “ultrafina e flexível”, disse a empresa, aplicando “a luz diretamente no rosto”. Foi desenvolvida em parceria com uma empresa de dispositivos LED, a iSmart. Na descrição da empresa, esta máscara poderá ajudar com “os sinais visíveis do envelhecimento como linhas finas, flacidez e tom irregular, através de luz vermelha e luz infravermelha próxima direcionadas”.

A ideia é que, ao ser mais flexível, possa ser integrada em “rotinas diárias de cuidados de pele”, sendo que uma sessão pode ter dez minutos e seria cronometrada automaticamente pela máscara. A empresa revelou que “deverá ser lançada em 2027“, mas sem detalhes sobre preços.

Auscultadores que podem ser enrolados até se transformarem numa coluna

Para quê ter dois gadgets quando se pode ter um? Parece ter sido este o conceito da TDM, uma empresa que apresentou na CES um híbrido entre auscultadores e coluna portátil.

A empresa promete mais de 200 horas de reprodução de música, nuns auscultadores que podem ser torcidos e enrolados até se tornarem numa coluna Bluetooth. Segundo o TechRadar, este híbrido ainda deverá ser lançado na plataforma de financiamento coletivo Kickstarter este mês, com um preço previsto de 249 dólares (cerca de 213 euros).

Híbrido de auriculares e coluna TDM Neo, CES 2026

▲ Os TDM Neo são um híbrido entre uns auscultadores e uma coluna

TDM

Um teclado que afinal é um computador

A HP decidiu reimaginar o conceito de um computador. Na CES, apresentou o que, à primeira vista, parece ser apenas mais um teclado. Mas, na verdade, o HP EliteBoard G1a Next-Gen é um PC com inteligência artificial, que pode ser levado para qualquer lado. Para começar a trabalhar, basta ligá-lo a um monitor.

É um produto compacto, com microfones e colunas integradas, que funciona com o sistema operativo Windows 10. No interior do equipamento, tem um processador AMD Ryzen AI 300. A versão original não tem bateria — precisa de estar ligada à corrente — mas será possível comprar uma versão com uma bateria que poderá chegar até 3,5 horas de utilização.

E, segundo a HP, com apenas 750 gramas, metade do peso de um portátil normal. É esperado que este PC chegue ao mercado em março deste ano, mas o preço só será revelado “mais perto” da data de lançamento.

O computador/teclado da HP, apresentado na CES 2026

▲ Isto não é um teclado — é um computador inteiro

HP

Mais chips e modelos abertos da Nvidia, da saúde à física

Nem só de gadgets se faz a CES — também houve espaço para anúncios mais ligados à área empresarial. Foi logo no arranque da CES que a Nvidia revelou a sua nova plataforma de chips para inteligência artificial (IA).

A Vera Rubin, batizada em homenagem à astrónoma norte-americana, deverá chegar ao mercado no final deste ano. No anúncio, Jensen Huang, o CEO da Nvidia, detalhou que o servidor conterá 72 unidades de processamento gráfico (GPU) e 36 dos novos processadores centrais da empresa.

Esta nova plataforma promete ser mais rápida, com Huang a explicar que “quando mais rápido se treinarem os modelos de IA, mais depressa se chega à próxima fronteira”. Quando aglomerados em “pods” com mais de mil chips Rubin, a eficiência de gerar tokens para os sistemas de IA pode ser acelerada em dez vezes. A tecnológica ambiciona “impulsionar a próxima fronteira da IA”, ao mesmo tempo em que reduz os custos de gerar tokens, a unidade fundamental para estes sistemas de IA.

A Nvidia também aproveitou a apresentação na CES 2026 para apresentar mais alguns modelos abertos e que podem ser aplicados a diferentes áreas de atividade. O Clara destina-se à área da biomédica, o Earth-2 e o Cosmos à física, o Nemotron está ligado às funções de agentes de IA, o Groot ao mundo da robótica e o Alpamayo à área dos veículos autónomos. “Estes modelos são abertos para o mundo”, sublinhou o CEO da Nvidia. “É possível criar o modelo, avaliá-lo, protegê-lo e implementá-lo.”

Nvidia bate recorde atrás de recorde e volta a surpreender no último trimestre. É suficiente para acalmar os receios de uma bolha na IA?

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