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epa12561910 Residents clean up their houses from the mud in a flood-affected village in the Meureudu area, Pidie Jaya Aceh, Indonesia, 01 December 2025. According to National Disaster Management Agency Floods and landslides triggered by Tropical Cyclone Senyar have killed at least 442 people across Aceh, North Sumatra, and West Sumatra provinces. This number is expected to rise, as approximately 402 people remain uncounted for.  EPA/HOTLI SIMANJUNTAK
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HOTLI SIMANJUNTAK/EPA

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Explicador. Como ciclones "cada vez mais intensos" provocaram mais de 1.300 mortos e milhões de desalojados no sudeste asiático

Indonésia e Sri Lanka têm sido os países mais afetados. Mau tempo na região habitualmente prolonga-se até ao início do próximo ano, pelo que os especialistas antecipam um aumento de ciclones e tufões.

    Índice

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Durante metade do ano o sudeste asiático é um autêntico hotspot para turistas de todo o mundo que atravessam os diferentes países daquela área de mochila às costas para conhecer as suas mais variadas culturas. No resto do calendário, especialmente na reta final do ano e início do seguinte, a região é um íman de mau tempo, com chuvas intensas devido às monções, e ventos fortes, causados por tufões e ciclones tropicais. Este ano, no entanto, os fenómenos habitualmente recorrentes assumiram uma magnitude inédita.

Espalhados pelos territórios da Indonésia, do Sri Lanka, do Vietname e da Tailândia, uma série de ciclones ao longo do mês de novembro provocou a morte de mais de 1.300 pessoas. A estas, juntam-se milhares que continuam desaparecidas entre os escombros das casas que foram destruídas, bem como milhões que ficaram desalojados e atualmente estão hospedadas em centros de acolhimento provisório devido à intensidade das tempestades.

Mas se este é um fenómeno tão comum, porque é que este ano se está a ver um número de vítimas e ocorrências significativamente superior?

As tempestades são comuns, mas estão cada vez mais intensas?

“Os ciclones nesta altura do ano são normais”, garante ao Observador a climatologista e investigadora do Instituto Dom Luiz, Rita Margarida Cardoso. “O que se passa neste momento é que a temperatura do Pacífico está fria no região central, mas junto à Indonésia e à costa oeste da Austrália — e no centro do Índico —, a temperatura da água está acima da média”, explica a especialista. No caso da Indonésia, que é o país mais afetado até ao momento pelas cheias, a temperatura das águas “chega quase aos três graus acima da média” dos últimos 30 anos.

“Ou seja, quanto maior for a temperatura da água do mar, ao evaporar, mais calor vai libertar para atmosfera”, continua a climatologista, referindo que é este aumento das temperaturas que serve como “combustível” para os ciclones tropicais. “Tudo isto é como se fosse uma máquina, que se vai realimentando, e com as temperaturas do ar e do mar mais quentes que o habitual, ainda há mais combustível, traduzindo-se numa maior intensidade dos fenómenos”, acrescenta.

Por fim, Rita Margarida Cardoso conclui que apesar de estes fenómenos serem “normais” e “naturais” nesta altura do ano e nesta região do globo, tem-se verificado uma tendência crescente das suas intensidades, que é justificado pela maior retenção de vapor de água na atmosfera. “Quanto mais vapor de água a atmosfera retiver, quando chove, irá chover mais intensamente. É isso que se está a passar”.

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    Cheias e deslizamentos de terra deixaram milhões de pessoas desalojadas no sudeste asiático.
    AFP via Getty Images
  • epa12561474 Residents walk among large piles of wood that were swept away by the floodwaters in a flood-affected village in the Meureudu area, Pidie Jaya Aceh, Indonesia, 01 December 2025. According to National Disaster Management Agency Floods and landslides triggered by Tropical Cyclone Senyar have killed at least 442 people across Aceh, North Sumatra, and West Sumatra provinces. This number is expected to rise, as approximately 402 people remain uncounted for.  EPA/HOTLI SIMANJUNTAK
    Milhares de casas foram totalmente destruídas na Indonésia.
    HOTLI SIMANJUNTAK/EPA
  • epa12554505 Residents clean up their house from the mud at a flood-affected village in the Meureudu area, Pidie Jaya, Aceh, Indonesia, 28 November 2025. Floods and landslides triggered by Tropical Cyclone Senyar have killed at least 72 people across Aceh, North Sumatra, and West Sumatra provinces, according to Indonesia’s National Disaster Management Agency.  EPA/HOTLI SIMANJUNTAK
    Cheias e deslizamentos de terra deixaram milhões de pessoas desalojadas no sudeste asiático.
    HOTLI SIMANJUNTAK/EPA
  • epa12554466 An aerial picture taken with a drone shows a bridge broken due to flooding at a flood-affected village in the Meureudu area, Pidie Jaya, Aceh, Indonesia, 28 November 2025. Floods and landslides triggered by Tropical Cyclone Senyar have killed at least 72 people across Aceh, North Sumatra, and West Sumatra provinces, according to Indonesia’s National Disaster Management Agency.  EPA/HOTLI SIMANJUNTAK
    Milhares de casas foram totalmente destruídas na Indonésia.
    HOTLI SIMANJUNTAK/EPA

De que forma é que os diferentes países foram afetados?

De acordo com a plataforma online da Agência Nacional de Gestão de Desastres da Indonésia, morreram 770 pessoas na ilha de Sumatra — a maior do arquipélago indonésio. Adicionalmente, mais de 450 pessoas continuam desaparecidas e centenas de milhares de residentes foram desalojados pelas cheias, anunciou a agência. Há, ainda, cerca de 2.600 feridos.

No Sri Lanka, o país no sul do continente que foi mais afetado pelos sucessivos ciclones (na verdade foram dois ciclones e um tufão), o número de vítimas mortais atingiu os 474, segundo a última atualização feita pelo Centro de Gestão de Desastres nacional. 356 pessoas continuam desaparecidas, com operações de busca e salvamento a decorrer nas várias localidades que sofreram com as cheias. E, neste sentido, as autoridades registam danos em mais de 40 mil casas.

O Vietname já foi atingido por 15 tufões em 2025. De acordo com o New York Times, as cheias e os deslizamentos de terra no mês de novembro provocaram 90 mortos. Também na Tailândia, na margem mais ocidental do sudeste asiático, foram registadas mais de 160 mortes e mais de dois milhões de desalojados como consequência direta das cheias.

Houve um aumento do número de tempestades na região?

Não. Como explica a climatologista consultada pelo Observador, “o consenso é que não há um aumento do número” de tempestades, mas sim um “aumento da sua intensidade”. “Se formos ver os registos dos últimos anos, o número de tempestades mais intensas— tanto no Atlântico como no Pacífico — é maior”, refere Rita Margarida Cardoso.

Nesta última semana, chegaram a existir três ciclones em simultâneo na região do sul e sudeste asiático e, só este ano, já foram registados 16 entre os oceanos Índico e o Pacífico. Contudo, este número não é “anómalo”. A especialista sublinha que se trata de uma “área enorme” e que “não é uma questão de número, mas sim de intensidade”.

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    Várias ruas no Sri Lanka ficaram totalmente submersas após as chuvas intensas que atingiram o país.
    AFP via Getty Images
  • epa12559521 A person wades through a flooded road after heavy rainfall in a suburb of Colombo, Sri Lanka, 30 November 2025. Many parts of the island have been inundated due to heavy rains. According to the Sri Lanka Disaster Management Center, more than 160 people have been killed and about 200 are missing around the country.  EPA/CHAMILA KARUNARATHNE
    Várias ruas no Sri Lanka ficaram totalmente submersas após as chuvas intensas que atingiram o país.
    CHAMILA KARUNARATHNE/EPA

Esperam-se mais ciclones ou o pior já passou?

A época das chuvas começa normalmente em outubro e termina no início do ano seguinte. Assim, é difícil afirmar que o pior já passou pelo sudeste asiático. A climatologista contactada pelo Observador dá conta de três depressões que se estão a formar atualmente na região superior do Pacífico.

Sublinha, porém, que apesar de representarem um indício de probabilidade que podem vir a transformar-se em ciclones — e, por sua vez, em chuvas fortes e mais cheias na região —, não é possível garantir que se venham efetivamente a converter no pior cenário. “Uma delas está quase na costa americana. Até chegar à Indonésia ainda faltam muitos quilómetros”, refere Rita Margarida Cardoso.

O que se deve fazer para reduzir o impacto destes fenómenos?

Para além das alterações climáticas — que têm sido as principais responsáveis pelo aumento da temperatura das águas do mar e, por consequência, pela maior intensidade dos fenómenos meteorológicos recentes —, a especialista do Instituto Don Luiz destaca o “fator humano” nestas regiões.

“A Indonésia é um país extremamente populoso. O Sri Lanka também tem uma grande população vulnerável e um desordenamento do território muito grande”, descreve Rita Margarida Cardoso. Por esse motivo, a consequência destes ciclones mais intensos acaba por ser ainda mais evidente. No caso específico da Indonésia, o país que tem sido mais afetado nestas últimas semanas, existe uma “grande desflorestação”.

“Ao desflorestar, estão a libertar o solo, que depois fica sem vegetação. Quando chove, e chove cada vez mais intensamente, temos estes deslizamentos de terra associados. Portanto, isto é tudo um ciclo vicioso que é amplificado neste sistema que está num equilíbrio muito frágil. A qualquer pequeno desequilíbrio, as consequências são muito graves”, acrescenta. Sem as árvores e a vegetação, o solo torna-se mais compacto e exposto e, fruto das grandes chuvadas, em vez de absorver a água, acaba por haver um escoamento à superfície, que “torna a situação ainda mais difícil”. Não é só o fator humano, mas “a junção destas decisões com os efeitos das alterações climáticas é o que leva a estes grandes desastres”.

Sendo já conhecida a tendência do aquecimento das temperaturas da água do mar, o aumento da intensidade dos fenómenos é inevitável. Porém, a especialista sublinha que podem ser tomadas medidas para garantir que a próxima época de mau tempo não produza os efeitos catastróficos observadados este ano. “Têm de voltar a reflorestar e de combater a desflorestação ilegal”, reforça Rita Margarida Cardoso, referindo que a perda da vegetação “não é viável” para o território. Aponta, ao mesmo tempo, para a construção de habitações em zonas perigosas e em áreas de elevado risco de deslizamentos.

“Os alertas existem, mas é preciso que depois, no terreno, os alertas tenham alguma consequência”, conclui.

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    Várias ruas no Sri Lanka ficaram totalmente submersas após as chuvas intensas que atingiram o país.
    AFP via Getty Images
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    Várias ruas no Sri Lanka ficaram totalmente submersas após as chuvas intensas que atingiram o país.
    NurPhoto via Getty Images
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    Milhões de pessoas foram desalojadas e obrigadas a ficar em centros de acolhimento provisórios.
    AFP via Getty Images
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    Milhares de casas foram totalmente destruídas na Indonésia.
    AFP via Getty Images

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