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Todos os anos, uma média de 7.200 hectares de floresta tropical da América Latina, África subsaariana e sudeste asiático são dizimados devido às importações de bens agrícolas e de madeira a partir de Portugal. O número surge num relatório elaborado pela delegação europeia do WWF (Fundo Mundial para a Natureza), divulgado esta quarta-feira, e é apenas uma peça da conclusão central do documento: a União Europeia é o segundo maior importador de desflorestação do mundo. Em 2017, o último ano para o qual existem dados consolidados, 16% de toda a desflorestação global associada à produção de bens que seguem para o comércio internacional (como a soja, o óleo de palma ou a madeira) foi motivada pelas importações feitas pelo bloco europeu. Só a China, com 24%, fica à frente da UE. Os Estados Unidos, por seu turno, ficam bem atrás, com apenas 7%.

“A seguir à China, somos o conjunto de cidadãos no mundo que mais contribui para isto”, lamenta, em entrevista ao Observador, o especialista em florestas Rui Barreira, coordenador da equipa de conservação da natureza da ANP (Associação Natureza Portugal, a representação do WWF no país). O problema reside, essencialmente, nos hábitos de consumo enraizados no continente europeu, destaca Rui Barreira. “Muitas vezes, estamos a consumir um produto final que achamos que poderá não estar diretamente associado à desflorestação”, mas basta olhar para os rótulos para perceber a presença de alguns elementos chave neste processo: o óleo de palma, presente em dezenas de produtos do quotidiano, “desde champôs a maioneses”, ou a soja usada para alimentar o gado de que consumimos a carne ou os lacticínios.

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