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Tamara Eidelman na Parede
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▲Tamara Eidelman na Parede

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

▲Tamara Eidelman na Parede

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Intimidada pelo regime de Putin e com 400 milhões de visualizações. A youtuber e historiadora russa que vive no Estoril

Fugiu da Rússia, foi considerada agente estrangeira e é acusada de "reabilitar o nazismo". Tamara Eidelman vive em Portugal, onde continua a gravar vídeos para o YouTube. E tem milhões de seguidores.

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A vista é para o mar. No café Liberty, de que a filha é proprietária, Tamara Eidelman, com as unhas azuis e amarelas — as mesmas cores da bandeira ucraniana — conta ao Observador como reagiu após ser considerada uma “agente estrangeira” na Rússia, de ser acusada de “reabilitar o nazismo” e de divulgar “informações falsas” sobre as Forças Armadas do seu país de origem: “Naturalmente, não foi agradável. Mas não penso muito nisso”. A mulher de nacionalidade russa trocou Moscovo pelo Estoril em fevereiro de 2022, desde que as tropas lideradas por Vladimir Putin invadiram a Ucrânia. Em Portugal, raramente está parada. A principal atividade consiste em gravar vídeos para o seu canal de YouTube — no qual acumula 1,8 milhões de subscritores e mais de 407 milhões de visualizações. 

Tamara Eidelman foi, durante 40 anos, professora de História numa escola em Moscovo. Cresceu na União Soviética — “nunca gostei de Brezhnev” —, viveu de perto a perestroika, assistiu ao surgimento de uma frágil democracia na Rússia nos anos 90 e depois testemunhou a emergência de Vladimir Putin. A guerra na Ucrânia marcou uma rutura com o seu país de origem. A 24 de fevereiro de 2022, Tamara, de 65 anos “estava na Grécia de férias”: “Quando a guerra começou, decidi vir para aqui e não voltar mais à Rússia”. 

Chegou a Portugal “por sorte”. Em janeiro de 2022, após passagens por Barcelona e Berlim, a filha tinha vindo viver para o Estoril. Um mês depois, Tamara juntou-se a ela. Depois veio o filho, também considerado um “agente estrangeiro” pelo Kremlin. Olhando para a janela do café durante a hora de maior calor, Tamara Eidelman afirma que adora aquele que considera o seu novo país. “Posso ver o mar”, diz, num português quase perfeito; afinal, aprende a língua há mais de três anos. “Vou dizer à minha professora de português que estou a dar uma entrevista em português”, confidencia.

▲ Tamara Eidelman na Parede, perto de onde vive

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

À Rússia, julga que “nunca mais voltar”, mesmo que a mãe de 95 anos permaneça no país. Sabe perfeitamente que corre o risco de ser presa caso entre em solo russo. Em Portugal, Tamara Eidelman não poupa críticas ao regime de Vladimir Putin, que considera ser um “fascista”. Enquanto professora da disciplina, acusa o Presidente russo de instrumentalizar a História para fins políticos: “Putin usa a História de maneira muito interessante. Ele enumera sempre alguns factos reais. Depois, mistura com factos irreais e mentiras. A seguir tira conclusões políticas. E isso irrita-me”. 

Uma “nova fase interessante.” Como a Youtuber Tamara grava vídeos em Portugal

Benfica, Lisboa. É num estúdio naquela zona da capital que atualmente Tamara Eidelman grava os vídeos sobre História para o YouTube. “Tenho uma equipa, da qual faz parte um cameraman“, conta. São longos — muitos têm mais de uma hora — e abordam assuntos distintos, desde uma série de cinco episódios dedicada ao antigo líder soviético, Estaline, ou então uma sobre como surgiu o detetive Sherlock Holmes. Já foram gravados mais de mil vídeos e o canal acumula mais de 407 milhões de visualizações.

O passado enquanto professora de História em Moscovo foi fundamental para o sucesso do canal. “Sei como contar histórias enquanto professora de História. Sei fazer isso muito bem”, sublinha. A iniciativa para criar uma plataforma que se tornou num autêntico sucesso não partiu de si. “Eu não queria”, confessa, entre risos. A pressão da filha e do genro levaram-na a entrar no YouTube, em 2019. “Pensava que o YouTube era para rockstars ou para pessoas que contam coisas muito estranhas. Que não era para mim.”

Comendo uma tosta de salmão com uma limonada de toranja no café na Parede de que a filha é proprietária, Tamara Eidelman lembra como “muita gente gostou” logo dos vídeos. E o timing não poderia ter sido melhor: um ano depois, os isolamentos da pandemia de Covid-19 resultaram num aumento de visualizações no seu canal: “Foi o primeiro fator que nos ajudou”. O segundo foi a invasão total da Ucrânia. “Quando a guerra começou, as pessoas da Rússia, da Ucrânia e da Bielorrússia estavam em choque. Muitas pessoas disseram que a minha voz era calma. E isso ajudou durante os primeiros tempos de guerra.” 

Em setembro de 2022, o regime russo não perdoou as críticas que Tamara Eidelman fizera ao conflito e à liderança política: sempre se opusera ao regime de Vladimir Putin e à guerra na Ucrânia. Foi, assim, considerada uma “agente estrangeira” — um golpe para o canal. Tornou-se mais difícil arranjar patrocínios, uma forma de se sustentar financeiramente. Na Rússia, um “agente estrangeiro” enfrenta várias dificuldades: tem de se identificar como tal nas redes sociais e até apresentar relatórios anuais financeiros detalhados ao Estado.

Ao mesmo tempo, a censura na Rússia não deu tréguas. “É difícil ver o YouTube na Rússia“, assinala a mulher, que explica que muitos utilizam uma “VPN para a ver”. Ainda assim, um vídeo publicado esta semana já conta com 100 mil visualizações — o que prova a audiência fiel a Tamara Eidelman, que tem também outros projetos em mente: “Estamos a desenvolver um canal em inglês”. Alguns dos vídeos já estão, aliás, dobrados em inglês. “O canal do YouTube é como uma nova vida, uma nova fase. E é muito interessante na minha idade.”

O canal do YouTube não é o único projeto de Tamara Eidelman. A equipa de 30 pessoas que trabalha com ela “não só trabalha com as aulas de História” na internet, como também “organiza palestras de outras pessoas aqui em Lisboa e em outros países”. E ainda há uma atividade que ocupa grande parte do tempo à mulher: viagens.”Temos um projeto de viagens. Vamos a lugares muito exóticos e interessantes”. Na última semana, a mulher regressou da Islândia; mas é uma viagem à Guatemala no início deste ano que mais recorda. “É claro que visitámos as pirâmides maias, mas caminhámos também dois dias pela selva, cerca de 40 quilómetros.”

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 5.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]

Nazismo e o “preço por dizer a verdade” na Rússia

Os entraves colocados pela Rússia a uma agente estrangeira acabam, contudo, por prejudicar as viagens que organiza. “Tenho restrições para viajar, porque há países onde não posso ir”, sinaliza. A Justiça russa não se ficou pela designação de agente estrangeira. Em 2024, foi acusada de “reabilitar o nazismo” e “insultar a memória” das tropas russas. No final do mês, foi novamente aberto um processo judicial por ter alegadamente “criticado as Forças Armadas” da Rússia.

▲ Justiça russa já abriu três processos criminais contra Tamara Eidelman

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Tamara Eidelman defende-se das acusações. Sobre o facto de “reabilitar o nazismo”, a mulher refere que o “rótulo nazi” é algo visto de forma “muito perigosa” na Rússia. “Toda a gente fica preocupada e com medo. Por isso, é fácil para Putin e a sua companhia acusarem alguém de nazismo”, critica, aludindo que, na Ucrânia, isso também aconteceu com o objetivo de “desnazificação” para começar a invasão. No seu caso, a Justiça russa centrou-se na sua versão da História do final da Segunda Guerra Mundial, mais concretamente o dia 9 de Maio, considerado pelo regime de Moscovo como o “Dia da Vitória”. Esse dia é celebrado pelo regime de Vladimir Putin com pompa e circunstância — com uma parada militar na Praça Vermelha.

“Para mim, a História da Segunda Guerra Mundial é muito importante. Fiz uma série de vídeos sobre isso. Dei muitas entrevistas em que falava sobre o feriado de 9 de Maio na Rússia e a festa do fim da guerra e da Vitória. Não é entendida agora como um dia trágico”, clarifica Tamara Eidelman. Na sua interpretação, o dia pôs fim a um conflito em que “milhões de pessoas morreram”, incluindo russos. “Mas agora é um dia em que a Rússia mostra a sua força militar. É muito desagradável. Eu sempre falei sobre isso. Para eles, [o que eu faço] é reabilitar o nazismo.”

Questionada sobre o último processo — por ter alegadamente criticado as Forças Armadas —, Tamara Eidelman acredita que apenas disse a “verdade”. “Agora é possível ser acusada de difundir notícias falsas quando as pessoas denunciam coisas que correspondem à realidade”, lamenta, encolhendo os ombros. “Os militares russos mataram mulheres e crianças. Fazem coisas horríveis em território ucraniano. Isso agora é considerado uma mentira”, desvaloriza.

"Os militares russos mataram mulheres e crianças. Fazem coisas horríveis em território ucraniano. Isso agora é considerado uma mentira."

Apesar das tentativas de intimidação, Tamara diz que não vai ceder. Sabe que ao “falar sobre a guerra e sobre Putin” vai ter de “pagar um preço”. “Saí do meu país e não posso ver a minha mãe. Percebo que tenho de pagar esse preço”, resigna-se. Voltar à Rússia está, neste momento, fora de questão, ainda que haja algo que a aflija: o facto de a mãe de 95 anos permanecer no país. “Felizmente, não percebe o que se passa. Tem demência.”

A mãe está a ser cuidada por “enfermeiras e cuidadoras muito boas”. Mas há algo que a inquieta: que a polícia possa “ir atrás” da mãe e até que se vingue nela. “Até agora, ainda não aconteceu nada”, saúda. “Mas não posso ir ter com ela. Os meus filhos queriam ver a avó. Temos muitos problemas por isso.”

“Guerra não vai terminar tão cedo” e o futuro da Rússia

O café Liberty na Parede é relativamente discreto. Há que subir umas escadas para chegar ao primeiro piso, numa sala com vista para o mar. Quem entra vê posters em russo e ucraniano. Há uma estante com livros nessas línguas, além de português. Mesmo sendo russa, Tamara Eidelman faz parte de uma rede que apoia ucranianos, prestando auxílio a, por exemplo, prisioneiros políticos.

▲ Tamara Eidelman faz parte de uma rede que apoia ucranianos, prestando auxílio a prisioneiros políticos

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Sobre a guerra na Ucrânia, não vai acabar em breve, acredita Tamara. “Vai demorar muito tempo. É muito triste”, salienta. Uma longa duração do conflito significa que “nunca mais” voltaria à Rússia, uma vez que a guerra está intrinsecamente ligada ao regime de Vladimir Putin. “Não posso pensar nisso todos os dias, porque posso perder a cabeça”, refere, acrescentando que agora “vive em Portugal”. “Eu já sou uma grande patriota de Portugal. Mas acho que esta guerra, como está, pode demorar muito tempo, muitos anos.”

Pode Donald Trump acabar com a guerra? A mulher ri-se e diz um enfático “não”, passando ao diagnóstico: “O problema é que outros países, incluindo os da União Europeia, compram gás e dão dinheiro a Putin”. Interrogada sobre o que pensa dos europeus e até de alguns norte-americanos que simpatizam com o regime do Presidente russo, Tamara Eidelman adjetiva isso como “muito triste”. “Todas as pessoas que não gostam dos Estados Unidos gostam de Putin. Isso é uma ideia estúpida. [A máxima] ‘O inimigo do meu inimigo é meu amigo’ não funciona aqui.” “É triste” que, para muitas pessoas, o Presidente russo “seja um exemplo”, considera.

Ainda à procura de rumo após a morte do opositor Alexei Navalny — substituído pela mulher Yulia Navalnaya — a oposição russa está a ter dificuldades em se afirmar politicamente. Tamara Eidelman assegura que “faz tudo” para a oposição se unir, mas enfatiza que “vê cada vez mais ações agressivas” contra os dissidentes. “Eu conheço muitas pessoas positivas da oposição que vivem em Portugal, na Europa, na América… Eu espero que estas pessoas se unam. E que o mundo e a Rússia ouça a nossa voz. Sei que ainda há pessoas boas.”

"Todas as pessoas que não gostam dos Estados Unidos gostam de Putin. Isso é uma ideia estúpida. [A máxima] 'O inimigo do meu inimigo é meu amigo' não funciona aqui." "É triste" que, para muitas pessoas, o Presidente russo seja "um exemplo".

“Para mim, é muito importante a ideia de que não há uma responsabilidade coletiva” sobre a guerra

Dentro da Rússia, questionada se considera que há muitas pessoas que estão contra o regime mas que têm medo de se expressar, Tamara Eidelman considera que isso é algo “muito importante” de se ter em consideração. “Acho que os portugueses entendem isso. Quando falo com pessoas, elas dizem frequentemente que sabem que muitos [russos] estão contra Putin”, diz.

A responsabilização pela guerra é algo que também preocupa Tamara. Devem todos os russos ser culpados? “Não. Há milhões de pessoas na Rússia que têm medo e estão silenciadas”, argumenta, lembrando que muitos ucranianos que viviam nas regiões da Ucrânia ocupadas pelas tropas russas desde fevereiro de 2022 estão a ser ajudados por russos. “Muitas pessoas só podiam ir para a Rússia e elas querem mudar-se para a Europa. E é muito difícil — não têm dinheiro, documentos ou papéis. Conheço muitos russos que os ajudam a mudar-se. Para mim, isso é muito importante.”

“É muito importante a ideia de que não há uma responsabilidade coletiva“, prossegue, vincando que “cada pessoa é responsável pelas suas ações, pelas palavras delas”. “Não é possível afirmar que todos os russos são responsáveis pela guerra ou que todos são pró-Putin. É uma injustiça: cada pessoa tem as suas ideias e tem a sua vontade. Para mim, isto é natural”, defende.

"Não é possível dizer que todos os russos são responsáveis pela guerra ou que todos são pró-Putin. É uma injustiça: cada pessoa tem as suas ideias e tem a sua vontade. Para mim, isto é natural."

No Ocidente, Tamara acredita que se pode fazer muito mais para ajudar a oposição russa. À cabeça: “Separar Putin dos russos. E até os russos na Europa dos russos na Rússia. São muito diferentes”. Além disso, apela a que os europeus deem “mais apoio às pessoas que deixaram a Rússia” por motivos políticos. “Existem vários problemas com cartões bancários, documentação e passaportes. É muito injusto. Somos pessoas que estão contra Putin. Nós estamos ao lado da Europa livre.”

“A Europa não quer sempre ajudar”, lamenta, ilustrando que, atualmente, a situação em Portugal para os russos se regularizarem é “mais difícil” do que era “há três anos”, quando chegou a território nacional. “Nem todas as pessoas podem deixar a Rússia. Não falam línguas, não têm passaporte, não se podem separar das famílias”, indica, ressalvando que os russos que vivem na Europa são “muito energéticos e com muitos talentos”.

No entender de Tamara Eidelman, os russos na Europa podem contribuir positivamente para as diferentes sociedades. “É bom para Portugal. São pessoas que acrescentam, que dão valor ao país”. Olhando em redor, a mulher exemplifica com o café Liberty na Parede, bem como outro que existe em Lisboa com o mesmo nome. “Pode ser um exemplo estúpido, mas a minha filha e o meu genro têm dois cafés. Criam muitos empregos para os portugueses.”

A instrumentalização da História por Putin, os Descobrimentos e a história bielorrussa

O ensino da História na Rússia sofreu profundas alterações desde o início da guerra na Ucrânia. Os estudantes têm novos manuais, que já abordam o que é designado pelo regime como uma “operação militar especial”. A versão oficial é que Vladimir Putin foi “forçado” a invadir o país vizinho, com várias críticas aos países do Ocidente. Professora durante 40 anos, Tamara Eidelman reconhece que existe uma tentativa de instrumentalização da História pelo governo russo. “De forma intensa. Putin fala sempre de História.”

“Eu pergunto-me sempre porque é que os políticos não falam de química ou álgebra. Eles falam sempre sobre História. Acham que é fácil”, atira Tamara. Apesar das tentativas do regime, a dissidente acredita que há professores que ensinam de forma diferente, não seguindo a narrativa oficial do regime. “Eu, por exemplo, trabalhava numa escola muito boa. Conseguíamos fazer as coisas de forma diferente.”

Atualmente, Tamara Eidelman reconhece que “é mais difícil” para os professores fintarem as ordens do regime. “Mas conheço muitos professores que conseguem gerir bem esta situação”, afirma, não especificando de que forma. “Todos os políticos querem usar a História. É importante não os deixar fazê-lo”, declara.

"Eu pergunto-me sempre porque é que o políticos não falam de química ou álgebra. Eles falam sempre sobre História. Acham que é fácil."
Tamara Eidelman

Sobre a História russa, a professora “não sabe dizer” qual é o seu período favorito: “Quando falo de uma época, essa torna-se a minha época favorita”. Porém, Tamara tem explorado uma nova forma de estudar o rico passado da Rússia e dos países em volta. “Fiz uma série de vídeos sobre a Ucrânia, sobre a Bielorrússia e sobre diferentes partes da Rússia. Descobri muitas coisas que não sabia.”

A sua nova “paixão”? A História da Bielorrússia. “É especialmente interessante para mim. Pensamos que a Bielorrússia não tem nada. Não tem nada de interessante ali. Mas quando comecei a ler sobre a Bielorrússia, sobre a História da Bielorrússia, a ver vídeos no YouTube sobre a Bielorrússia… Tem tantas coisas interessantes”.

Em relação à História de Portugal, Tamara Eidelman confessa que, antes de vir em 2022, tinha apenas algumas noções sobre os Descobrimentos e o Estado Novo. “Agora estou a ler muitos livros. Estou a ler muito sobre a Idade Média, sobre a História de Lisboa.” 

▲ Tamara Eidelman tem lido sobre História de Portugal

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Há um tema que também a fascina na cultura portuguesa: os azulejos. Neste sentido, recorda a primeira vez que esteve em Portugal: no ano 2000, data das primeiras eleições presidenciais que deram a vitória a Vladimir Putin. Nessa altura, Tamara ficou impressionada com o Museu do Azulejo, em Lisboa. Vinte e cinco anos depois, a professora de História que grava vídeos no YouTube mostrou ao Observador um azulejo que pintou recentemente num workshop que fez em Lisboa.

Portugal converteu-se na nova casa de Tamara Eidelman. “Eu sei que há muitos problemas no país, é natural, mas a situação é mais tranquila. Mais tranquila do que noutros países”, analisa. Sobre o seu país natal, no qual viveu 62 anos e onde assistiu de perto a tantas reviravoltas, o futuro a curto prazo não parece animador. Mas há uma leve esperança: “Talvez a Rússia se transforme outra vez”.

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