“Keep calm and Le Carré On.” Quando o “New York Times” visitou em 2013 John Le Carré em Penzance — uma pequena cidade na Cornualha, a mais ocidental daquela região da Grã-Bretanha –, localidade onde o escritor viveu durante décadas numa casa na falésia, fotografou-o junto a um poster oferecido pelos filhos no seu escritório, poster esse que tinha esta frase inscrita, uma reinvenção da famosa “Keep Calm and Carry On”, do cartaz motivacional feito pelos britânicos durante a Segunda Guerra.

David John Moore Cornwell – era este o nome verdadeiro de Le Carré – definiu de tal maneira os romances de espionagem das últimas décadas que o Oxford English Dictionary lhe atribuiu a invenção da palavra “mole” (toupeira) para descrever um infiltrado, depois de A Toupeira, o seu romance de 1974 (publicado no inglês original com o título Tinker, Taylor, Soldier Spy).

Em 2011, o livro voltava ao centro das atenções com uma adaptação ao cinema (em 1979 foi transformado numa série da BBC de enorme sucesso, protagonizada por Alec Guinness) com Gary Oldman no papel de George Smiley, o protagonista da trilogia Karla, que deu fama mundial a Le Carré. Smiley, um agente secreto de meia-idade, brilhante, mas com uns quilos a mais e traído pela mulher, era “o antídoto para o James Bond” — palavras do próprio autor — que o mundo precisava. Um espião que não era dado à acção, muito menos ao físico, mas fazia manipular a informação com uma habilidade rara.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.