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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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"E salta Rangel, e salta Rangel, olé". Dois pulos que sabem a pouco no 'cavaquistão'

Rangel teve mobilização grande em Sernancelhe ao almoço, mas a arruada em Viseu, onde no passado o PSD teve ações com grande pujança, "soube a pouco" segundo as palavras do próprio candidato.

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Artigo em atualização ao longo do dia

O ‘cavaquistão’ já não é o que era. Nas ruas de Viseu sem o Ruas de Viseu (que ainda há-de aparecer), a comitiva das Europeias do PSD teve uma arruada frouxa. Como o próprio Paulo Rangel admitiria no fim — depois de ter enchido um pavilhão com mais de 500 pessoas ao almoço –, a arruada “sabe um bocadinho a pouco“. O único sabor foi mesmo o do ‘viriato’, doce típico local que Rangel provou ao lado de Almeida Henriques, presidente da câmara, na pastelaria Amaral. Bolos e farmácia foi talvez onde o candidato conseguiu ser mais Marcelo. Mas pouco. Ainda assim, a culpa da fraca mobilização é mais da estrutura distrital que gastou as fichas todas em Sernancelhe com a ajuda do porco no espeto.

As ruas estavam quase desertas e contam-se pelos dedos das mãos as pessoas com quem Paulo Rangel se cruzou. A prova de como a ação foi esforçada foi que, ao fim de 50 metros, Rangel e Almeida Henriques sentaram-se na esplanada do café Géneve Crêp, mesmo em frente à estátua de Aquilino Ribeiro. Dois minutos depois levantaram-se sem nada pedir. “Não havia café”, justificou Rangel.

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O candidato já se esforça mais para entabular conversa com os eleitores do que na última feira em Espinho e vai várias vezes ao encontro dos “jotas” para pedir canetas para oferecer. Tem frases que repete a comerciantes, como “bom negócio” ou “tome uma caneta para fazer as contas”, mas vai inovando nos curtíssimos diálogos com as pessoas: “Vamos dar mais força a Portugal na Europa”.

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Quem estava particularmente animado eram os “jotas” que acompanham a comitiva. E confiantes: “Só já faltam dez dias para a vitória.” Pela primeira vez, levaram um bombo, que chegou a ser tocado pela presidente da JSD, Margarida Balseiro Lopes. O hit mais badalado continuou a ser a “choradeira”, uma versão de um cântico dos Super Dragões aplicada à política e que tinha sido estreado em Espinho: “E ninguém cala, esta choradeira. E chora o Costa. E chora o Marques. Chora a família inteira”.

No fim da arruada, os jovens cercaram Rangel e cantaram: “E salta Rangel, e salta Rangel, olé“. O candidato esforçou-se e deu dois pequenos pulos, num bom resumo do que foi a arruada. Rangel esforçou-se, não se escondeu das pessoas, mas não tem o dom natural de ser uma pop star. Ao entrar na farmácia Confiança, lembrando o que fazia o agora chefe de Estado em campanha e em presidências abertas, Rangel comentou com a farmacêutica que andou a “químicos” por causa da rinite. “Ainda não estou a 100%. Já estava tão medicado que decidi não tomar mais nada. Faço isso mais para poupar o corpo”, disse enquanto já estava a sair do espaço.

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Sobre o facto da arruda ser pouco participada, Rangel considera que isso aconteceu porque “obviamente está frio e as pessoas não saíram muito“. Ainda assim, regista, falou com “algumas pessoas e comerciantes locais” e a “presença foi muito notada porque a comitiva estava muito entusiasmada e a dinâmica acabou por marcar a presença em Viseu”.

Quanto à ausência de Fernando Ruas, Rangel sugeriu que vai aparecer depois de jantar na Aula Magna do Instituto Politécnico de Viseu, onde há a ação da noite: “Não se preocupe que nós ainda não saíamos de Viseu. Aguardem para ver, eu não faria era perguntas antes do tempo”.

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A placa na vegetação e o adiamento por culpa da ministra (que não é ministra)

Rangel fez uma visita ao Hospital Tondela-Viseu às quatro da tarde e aí houve logo o primeiro detalhe curioso. A agenda inicial previa que a visita fosse de manhã, mas  — segundo a entourage do PSD — a ministra da Saúde, Marta Temido, decidiu visitar o hospital na manhã desta quinta-feira e a visita de Rangel teve de ser adiada.

Assim foi. Rangel fez uma visita pela urgência do hospital, mas como explicaria pouco depois foi “rápida para não interferir porque estava muito ocupada”. Os dois problemas para os quais Rangel quis alertar foram precisamente a necessidade de alargar a urgência e a construção de um centro oncológico que permita que haja radioterapia no distrito de Viseu.

Rangel posicionou-se junto a uma placa colocada pelo atual Governo a 7 de maio de 2017 (já tapada pela vegetação) a dizer que ali ia nascer o futuro centro oncológico. Nesse local, o candidato do PSD lembrou que o centro “já foi prometido e reprometido várias vezes, nos quais já houve capacidade para se avançar com a obra e ela foi adiada e empatada por este Governo“.

Paulo Rangel destacou ainda que “existem fundos europeus para o efeito” e o que “não existe é comparticipação nacional para o efeito. O custo está calculado, há “um conjunto de procedimentos lançados”, mas não há “data marcada para a obra”. O eurodeputado do PSD atribui as culpas a “Mário Centeno, que é o verdadeiro ministro da Saúde de alguma maneira, e que tem impedido que a Europa faça aqui o seu trabalho.”

Juntaram-se os dois à esquina, a tocar à concertina e a bater no Pedro Marques

Os tachos gigantes cheios de porco no espeto e os papo-secos já faziam o chamamento a horas tardias para um almoço nos horários habituais das gentes de Sernancelhe. Paulo Rangel já tinha discursado perante cerca de 500 pessoas (“motivador”, disse, por ser a uma quinta-feira de semana), quando Agostinho Costa o recebeu com a concertina e lhe dedicou umas quadras. Mas também fez uma pergunta sobre o que podia trazer à população. Na resposta, o cabeça de lista do PSD às Europeias deixou apenas uma promessa: o PSD “nunca aceitará cortes nos fundos de coesão” e “se for preciso, utilizará o direito de veto”. Um pormenor: o direito de veto, no Conselho Europeu, compete ao governo de cada país e, para ser o PSD a ter esse poder, é preciso que Rui Rio ganhe as eleições em outubro.

Ainda antes da concertina, Rangel tinha insistindo nos cortes nos fundos de coesão e outros problemas do interior. E de quem era a culpa de muitos desses problemas? De Pedro Marques, claro. Começou pelos Fundos Europeus, dizendo a “cada um” dos presentes que devem saber que um “ministro deste governo, aceitou e está a dizer que é um bom acordo uma proposta da Comissão Europeia em que Portugal perde 7% dos fundos”. E acrescenta: “Não é Paulo Rangel que o diz, é o Tribunal de Contas europeu”.

Na “proposta que Pedro Marques aceitou”, relembra, “há países mais ricos do que Portugal, como Espanha, Itália ou Finlândia” que aumentam o valor recebido em fundos comunitários. Paulo Rangel denunciou que as gentes do interior são duplamente penalizadas, pois “vão perder nos fundos de Coesão”, mas “muitos vivem da agricultura e aí também vai haver um corte de 25%”.

É por isso, apela Rangel, que é preciso ir votar “em primeiro lugar, a favor do PSD, partido amigo da coesão e do interior” e, em segundo “para castigar o PS, que não tem dó nem piedade com o interior nem com a agricultura“.

Outro dos problemas do interior é o envelhecimento da população, mas também aí Paulo Rangel encontra falhas do principal adversário. Os socialistas, destaca Rangel, “falam de cortes em austeridade, mas foram eles que cortaram abonos”. E volta a visar o cabeça de lista do PS: “Como secretário de Estado da Segurança Social, Pedro Marques fez corte dos abonos destinados à natalidade de 250 milhões de euros“.

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No momento em que Rangel falava sobre natalidade, um bebé que descansava num carrinho junto aos tripés das câmaras das televisões começou a chorar. E por isto o candidato não responsabilizou o adversário, mas tinha uma lista longa de todas as áreas em que “ele falhou” . “Ele” é Pedro Marques e, segundo Rangel “falhou nos fundos de coesão, nos fundos europeus para a agricultura, falhou nos transportes, em particular na Ferrovia, na construção de infraestruturas”.

Para Rangel, Pedro Marques foi o “ministro dos cortes que não se interessa pelo interior, que não se interessa pela coesão” e se “em Portugal fez tudo ao contrário” não pode agora crer que os portugueses vão “votar nele” para o Parlamento.

O brinde é da Cooperativa (lembrando a Aliança Portugal)

O primeiro evento da manhã foi em Moimenta da Beira, com a comitiva a fazer uma viagem de quase quatro horas desde Lisboa, onde pernoitou. Paulo Rangel fez uma visita à Cooperativa Agrícola do Távora. Há cinco anos, por esta altura da campanha já o PSD (então em coligação com o CDS na Aliança Portugal) tinha feito visitas a umas quantas caves e feito outros tantos brindes. Ficou célebre o “se não tiveres nojo podes beber”, de Nuno Melo para Paulo Rangel nas caves da Murganheira.

Paulo Rangel chamou a certa altura João Silva, presidente da Cooperativa, para fazer um brinde. O candidato, de copo na mão, dedicou-o a “todas as pessoas que colaboram nesta instituição, à União Europeia e a uma vitória nas Europeias no dia 26 de maio”. Explicou depois que se trata de um “brinde triplo, com três propósitos diferentes: um altruísta, outro geopolítico e outro politico-partidário.”

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