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▲Benfica e Sporting inauguraram a temporada na Supertaça, vencida pelos encarnados

AFP via Getty Images

▲Benfica e Sporting inauguraram a temporada na Supertaça, vencida pelos encarnados

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Leão quer o tri, encarnados vivem eleições históricas e dragão volta ao início para manter legado: Liga regressa com muitas interrogações

A época mudou, os favoritos são os mesmos, mas este promete ser o Campeonato do "quase nunca". Sporting procura feito com 70 anos, Benfica vive ano excecional e FC Porto volta a ter um ano zero.

Está aí o Campeonato do “quase nunca”. Há 83 dias, Viktor Gyökeres anotava, ao minuto 83 do jogo frente ao V. Guimarães, aquele que viria a ser o golo que carimbou o 21.º título do Sporting. Quase três meses depois do célebre 17 de maio, a Primeira Liga está de regresso, com os leões a abrirem as hostilidades. Para uma 92.ª edição que começa envolta num clima de instabilidade, os leões partem na pole-position por conta do que fizeram nos últimos dois anos, apesar de terem perdido o sueco, a principal referência do bicampeonato. Por outro lado, Benfica e FC Porto surgem colados, logo atrás, pelo que qualquer deslize pode ser decisivo nas contas finais — que serão feitas novamente a 17 de maio, mas de 2026.

O primeiro “quase nunca” deriva da Associação de Futebol de Lisboa que, ao contrário do que tem sido habitual nas últimas décadas, volta a ser a associação que coloca mais equipas no principal escalão do futebol português. Alverca, Benfica, Casa Pia, Estrela da Amadora, Estoril e Sporting são os seis representantes lisboetas, número que não se registava… Há 69 anos, quando Atlético, Belenenses, Oriental e Torreense se juntaram a águias e leões. Outro dado evidente prende-se com o aumento do investimento feito pelo 18 clubes, ainda que grande parte desse valor se encontre alicerçado aos três grandes. Os dados tornam-se preocupantes se se tiver em conta que, no início de agosto, só cinco clubes tinham gastado mais de dez milhões de euros, sendo que mais de metade (11) estava igual ou abaixo dos três milhões.

Outro “quase nunca” que se transformou num novo normal deve-se às mudanças nos comandos técnicos das equipas de Primeira Liga, já que a época passada chegou ao fim com 19 mexidas nos 18 clubes. Para já, a pré-temporada de 2025/26 trouxe sete mudanças, com Sp. Braga (Carlos Vicens rendeu Carlos Carvalhal), V. Guimarães (Luís Freire por Luís Pinto), Moreirense (Cristiano Bacci por Vasco Botelho da Costa), Alverca (Botelho da Costa por Custódio Castro), Tondela (Luís Pinto por Ivo Vieira), Rio Ave (Petit por Sotiris Silaidopoulos) e FC Porto (Martín Anselmi por Francesco Farioli) a trocarem antes do início da nova época.

Leão em busca de uma história com 70 anos

Como “quase nunca” aconteceu na história do futebol português, o Sporting parte para uma temporada em busca da terceira conquista consecutiva. Há um ano a conversa era similar, já que os leões procuravam chegar ao bicampeonato 71 anos depois. Agora os números são similares, com o clube liderado por Frederico Varandas à procura do tri 72 anos depois do tetra da década de 50 (1951 a 1954). Em toda a história, só por duas vezes o Sporting venceu três edições seguidas do Campeonato, com a outra ocasião a distar do tricampeonato de 1947 a 1949.

Para já, e depois de um ano quase inédito com três treinadores distintos, Rui Borges — que sucedeu a João Pereira e conquistou a Liga e a Taça de Portugal — é a principal aposta da direção encabeçada por Frederico Varandas, que também conta com uma cara nova na liderança do futebol profissional, já que Bernardo Palmeiro rendeu a saída de Hugo Viana para o Manchester City. Com novas ideias no banco e fora dos relvados, os leões têm apresentado uma postura mais cautelosa no reforço do plantel, gastando menos de 50 milhões de euros em seis reforços (sete se contarmos com a contratação em definitivo de Rui Silva). Por outro lado, as saídas de Viktor Gyökeres, Marcus Edwards, Franco Israel, Vladan Kovacevic e Afonso Moreira deixaram nos cofres de Alvalade cerca de 85 milhões.

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▲ Luis Suárez chegou a Alvalade para substituir Viktor Gyökeres

AFP via Getty Images

A principal cara nova para 2025/26 é Luis Suárez, que chegou a Portugal proveniente do Almería e é a grande aposta para suceder a Gyökeres, numa altura em que Conrad Harder parece estar longe de conquistar o lugar na frente de ataque. Para além do colombiano, Borges procurou reforçar o plantel com jogadores que encaixem no seu 4x2x3x1, com Alisson Santos e Ricardo Mangas a perfilarem-se como alternativas para os corredores. Giorgi Kochorashvili é outra das apostas de nível elevado, prevendo-se que acabe por conquistar o lugar que tem sido de Morita. No lado direito da defesa, Georgios Vagiannidis chegou a Alvalade para conquistar o lugar de Iván Fresneda, ao passo que João Virgínia regressou aos leões para ser o número 2 de Rui Silva. Destaque ainda para Rayan Lucas, que está emprestado pelo Sporting e que deveria ser utilizado na equipa B. O brasileiro deixou boas indicações na pré-época e deverá continuar a trabalhar com a equipa principal.

A implementação de um novo sistema de jogo tem sido a principal dor de cabeça para Rui Borges, que parece não ter no seu plantel jogadores talhados para o seu 4x2x3x1. No dérbi da Supertaça, o Sporting apresentou-se fragilizado na primeira fase de construção, cometendo diversos erros frente ao Benfica. É certo que Gonçalo Inácio e Diomande foram bastante pressionados pelos avançados encarnados, algo que não deverá acontecer na maioria dos jogos da nova temporada, mas mostraram dificuldades pouco vistas na saída curta, tendo de correr a pontapés longos. Por outro lado, a mobilidade tática parece ser uma mais-valia, em particular por conta do posicionamento de Pedro Gonçalves que, apesar de partir do corredor esquerdo, tende a ocupar zonas centrais, abrindo o espaço para Maxi Araújo. Foram diversas as ocasiões em que o Sporting conseguiu bater o bloco médio do Benfica por esta via, acabando por perder rendimento na segunda parte, quando o internacional português foi encostado de vez ao flanco esquerdo.

Tem nome de goleador e uma difícil tarefa pela frente: quem é Luis Suárez, a aposta do Sporting para substituir Gyökeres

Encarnados operam revolução em ano decisivo

Com apenas um Campeonato conquistado na presente década, a presidência de Rui Costa é cada vez mais contestada no universo encarnado, que espera impacientemente por títulos. O investimento tem sido redobrado ao longo dos últimos anos e 2025/26 não é exceção, mais ainda por estarmos a falar de uma época que vai começar com algo praticamente inédito: são cinco os candidatos oficiais que vão a votos em outubro em buscar de chegar à presidência. Por entre os mais ou menos conhecidos, Cristóvão Carvalho, João Diogo Manteigas, João Noronha Lopes, Martim Mayer e Rui Costa prometem implementar no clube da Luz novas ideias e métodos de trabalho, mas terão de lidar com um eventual opositor de peso: Luís Filipe Vieira. Apesar de ainda não ser candidato — nem de ter tomado essa decisão, segundo diz —, o antigo presidente tem mexido as águas nas últimas semanas.

Por entre uma época histórica em termos de eleições, os feitos inéditos também assolam o plantel de Bruno Lage, que teve este ano a pré-época mais curta da sua história por conta da participação no Mundial de Clubes. Depois de ter regressado ao Benfica em setembro, o treinador setubalense teve apenas a janela de transferências de janeiro para montar o plantel à sua imagem, numa tarefa que, naturalmente, só foi possível este verão. Álvaro Carreras e Kökçü foram as duas grandes vendas de um mercado que contou ainda com as saídas de Tengstedt, João Mário (em definitivo), Meité, Renato Sanches, Amdouni e Jurásek. Em sentido inverso, Richard Ríos, Franjo Ivanovic, Amar Dedic, Samuel Dahl (em definitivo), Rafael Obrador e Enzo Barrenechea custaram quase 80 milhões.

As contratações parecem ter encaixado que nem uma luva nas ideias de Lage, já que, desta lista, apenas Obrador ainda não foi titular nos dois jogos realizados. Sem Alexander Bah, Amar Dedic tem sido a grande figura do lado direito, perfilando-se como um lateral mais físico e que se tem entendido na perfeição com Fredrik Aursnes, que passou para o lado direito do ataque devido às entradas de Enzo e Ríos, as figuras do meio-campo. No lado esquerdo, Dahl partiu para a nova época à frente de Obrador e não tem desiludido. Por fim, Ivanovic é uma das grandes contratações nacionais deste mercado e, apesar de ter Pavlidis à sua frente, promete dar trabalho ao grego. No primeiro jogo, Lage decidiu juntar os dois na frente e colocou o croata nas funções de Pavlidis, que atuou como um avançado mais fixo. Curiosamente, foi num lance de rotura do grego, que arrastou os centrais do Nice, que Ivanovic se estreou a marcar com a nova camisola.

O ano zero 2.0 que serve para honrar o legado de um dragão em formato de “Bicho”

A época passada serviu como uma espécie de ano zero para o FC Porto que, ainda assim, chegou ao fim com mais um troféu adicionado ao seu palmarés: a Supertaça Cândido de Oliveira. Depois da presença no Mundial de Clubes, André Villas-Boas decidiu arrumar a casa e mexeu em duas das principais peças do futebol dos dragões. Martín Anselmi foi despedido cerca de meio ano depois de ter sido contratado e, para o seu lugar, a estrutura apostou em Francesco Farioli, que estava no Ajax. Por outro lado, Andoni Zubizarreta deixou de ser o diretor desportivo dos azuis e brancos cerca de um ano depois de ter chegado e esse papel acabou por ser ocupado por Jorge Costa, que era o diretor-geral do futebol profissional do FC Porto.

O filósofo para mudar uma filosofia: quem é Farioli, confirmado como novo treinador do FC Porto

Com o antigo capitão a ocupar um dos papéis de decisão, os dragões fizeram aquele que é, até ao momento, o maior investimento do futebol português em 2025/26, apetrechando-se com muitos jogadores jovens com potencial, como são os casos de Victor Froholdt, Alberto Costa e Dominik Prpic. Para além disso, Nehuén Pérez foi contratado em definitivo, ao passo que Borja Sainz, Jan Bednarek, João Costa e Luuk de Jong também chegaram à Invicta. Foi precisamente o neerlandês que protagonizou um dos movimentos mais surpreendentes deste mercado, tendo sido oficializado apenas no momento da apresentação aos adeptos e sem que ninguém soubesse do eventual acordo com o clube português.

As contratações parecem estar a render e a encaixar no 4x3x3 de Farioli que, ainda assim, apresenta alguns problemas, a começar pelo lado esquerdo da defesa, onde Zaidu foi o escolhido para o onze base nos dois particulares disputados no Dragão. Para além disso, Rodrigo Mora parece ter perdido espaço na equipa, deixando de ter uma posição onde possa encaixar, ainda que o italiano o tenha testado no lugar de Gabri Veiga frente ao Atl. Madrid como um jogador mais ofensivo, de progressão e que faz movimentos de dentro para fora. Quase todos os reforços deverão conquistar muitos minutos ao longo da época, justificando o investimento feito nas últimas semanas. Ainda assim, a morte de Jorge Costa na última terça-feira deverá ter impacto ao longo desta época, deixando órfã a estrutura dos dragões e, principalmente, o clube que viu partir uma das suas maiores referências. O objetivo é simples e passa por reconquistar o Campeonato com o legado do antigo capitão na mente.

▲ Jorge Costa morreu esta semana, numa altura em que era diretor de futebol do FC Porto

FC Porto Twitter

Na época passada, o Sp. Braga foi o principal adversário de um FC Porto que acabou a lutar pelo terceiro lugar e consequente acesso à fase de liga da Liga Europa. Para esta época o desenho não deverá ser diferente, embora se perspetive que os dragões estejam uns furos acima do último ano, assim como os guerreiros do Minho, que tendem a conquistar o estatuto de “candidato ao título” nos primeiros meses da época, mas tendem a claudicar depois da viragem do calendário. Com vista a inverter esse cenário, António Salvador decidiu abdicar de Carlos Carvalhal e contratou Carlos Vicens que, aos 42 anos, assume pela primeira vez o cargo de treinador principal de uma equipa sénior. Apesar da inexperiência, o espanhol está longe de ser um desconhecido — já que, nos últimos quatro anos, foi adjunto de Pep Guardiola no Man. City.

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