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Sophie Bassouls

Sophie Bassouls

Max Porter: a angústia juvenil dos anos 90 escreve-se com ternura e drum'n'bass

"Shy" é história de um teenager inglês em 1995, à procura de respostas. Um livro que retrata a insatisfação e a euforia de uma geração como poucos, entre a vertigem e o detalhe. Entrevistámos o autor.

Existir na cabeça de um adolescente tem muito que se lhe diga. Voltar lá é um exercício tumultuoso, em que se reconquista a ingenuidade selvagem que o mundo acaba por resolver. O comum mortal passa por reviver esses tempos por via da nostalgia, por isso muitos de nós ficamos encalhados na música e nos filmes que aprendemos a gostar na adolescência. São um porto seguro e um marcador de um certo sentimento de rebeldia que não é bem-vindo na idade adulta. Até porque gostar de algo, aprender a gostar de algo, pede trabalho, dedicação, paixão, sentimentos que os adultos preferem redirecionar para coisas mais adultas (em princípio).

Max Porter (n. 1981) pertence a uma geração britânica que ainda apanhou os tempos dourados das benesses do estado social, de uma cultura maravilhosa de televisão pública e que, sobretudo, aprendeu a viver o presente e pensar no futuro pela constante revisitação e reconstrução do passado. Teria pouco mais de vinte anos quando Burial surgiu e mudou a música urbana e a forma de pensar sobre ela, ou quando The Caretaker (projeto de Leyland Kirby) nasceu e colocou a dançar connosco os fantasmas que existiam nas músicas que não ouvíamos no salão de The Shining. É um apaixonado pela ontologia (hauntology, no inglês) e Shy é um maravilhoso livro de cento e poucas páginas sobre como voltar a ser adolescente pelas mãos de um adulto e isso ser muito mais do que OK.

Sem paternalismos, de todo, Shy apresenta — nem mais — Shy, um adolescente que vive no Reino Unido, em meados dos 1990s, contaminado pela cultura jungle e drum’n’bass. A música é o refúgio de um miúdo que não sabe onde estar, com problemas, mas não com tantos problemas como os outros miúdos em redor, que após uma noite de perdição acaba num estabelecimento de correção juvenil. Escrito num registo de fluxo de consciência, Shy convida a ser lido de uma só vez, para se entrar num mundo onde passado, presente e futuro estão ligados e onde a música ouvida, cantarolada ou só presente na cabeça do protagonista se mistura com outras vozes que estão a acontecer ou não naquele presente: o leitor decidirá. Melhor, sentirá como tiver de sentir. “Shy” é como se fosse um fantasma de nós próprios, sobretudo lido no presente, para quem tem hoje entre 30-45 anos.

A capa de "Shy", de Max Porter, na edição portuguesa, publicada pela Elsinore

Há uma sensação de futuro inexistente, mesmo que o autor queira que passado, presente e futuro aconteçam em simultâneo. Voltar àqueles 1990s na cabeça de Shy oferece uma estranha sensação de como as coisas não estão bem. E, nesse sentido, é um livro perturbador. Não voltamos ao conforto do que éramos, mas sim ao desconforto de não se saber como é que tudo irá ser. Max Porter surpreendeu com a estreia em 2015 com O Luto é a Coisa com Penas (tal como Shy, publicado entre nós com o sela da Elsinore) e aqui envolve numa escrita tão poética quanto suja, real e mental. Shy tormenta como aconchega, faz-nos caminhar lado a lado na memória rumo ao desconhecido, com linhas de baixo a marcarem um ritmo que pode baralhar a batida cardíaca. A leitura de Shy é uma sensação de tempo contínuo, de uma história que força a reviver, sem ser obrigatório remoer.

Falámos com o escritor via Zoom. Ainda estamos nas apresentações e ele já está a falar (fala e pensa muito rápido, uma maravilha) de Lisboa (o seu irmão vive na cidade portuguesa), em concreto da música da editora Príncipe. É apropriado e, infelizmente, a conversa ainda não está a ser gravada. Deste lado explicamos as origens, como começou e a relação com o grime em Londres é imediata. Daí passamos para Burial e inevitavelmente para The Caretaker, onde finalmente houve um momento para interromper o fluxo da conversa e começar a gravar.

Conhece a música de The Caretaker, o que ele faz com gravações antigas, as reconstruções em loop?
Sim. Gosto muito do ponto de vista arquivista. Existem estes arquivos colossais de música que serão esquecidos. Sinto o mesmo com a literatura, temos estas bibliotecas mas ninguém as vai visitar. Temos estas bíblias, com graffitis espanhóis com setecentos anos de Jesus e ninguém pega nelas, temos de as meter cá fora, senão perdem-se para sempre. Coisas como aquilo que o Bastien Keb faz. Ele fez uma mix ótima na rádio, usa discos de soul antigos… enfim, mas devias começar a perguntar-me sobre o meu livro, antes que o tempo acabe.

Falar sobre isto também é falar sobre o seu livro. Porque está a falar de coisas que ficam perdidas. O digital criou a ilusão de que poderíamos salvar os arquivos, ter tudo disponível. Mas está a acontecer exatamente o oposto. Como vê isso?
Penso que é o tipo de buraco existencial em que podemos facilmente cair… O mundo está desfeito a vários níveis e nós, como humanos, deveríamos apreciar mais as coisas que nos assustam. Todas as manhãs podes tomar essa decisão, de agarrares em ti e ires para a frente. A maior parte do meu trabalho, hoje em dia, é colaborativo. À parte de 1 ou 2 eventos que fiz em volta do Shy, todos eles foram colaborativos, com contrabaixistas, atores, miúdos, pais, DJs de drum’n’bass, Feist, basicamente, quem se quisesse juntar e fazer isto comigo. Não ensaio, é tudo improvisado e cada apresentação de Shy é diferente da anterior: porque são miúdos diferentes, pais diferentes, uma audiência totalmente diferente, por isso a mensagem também tem de ser diferente. Faço isto porque é uma forma de sair do livro, celebrando-o. A tua leitura do Shy é totalmente diferente da minha, tão individual quanto uma impressão digital. E eu queria que isso estivesse presente na promoção do livro, não queria que fosse do tipo “olá, aqui estou, há cópias do livro ali ao fundo”. Para mim, fazer as coisas desse modo é a morte da cultura. Tem sido uma morte lenta, uma morte lenta que envolve meter os autores num pedestal, eu não quero estar num pedestal, quero falar contigo sobre música, ou ter alguém a vir ter comigo e falar do livro de uma forma diferente da que imaginei. Quero que o livro esteja vivo, da melhor forma que consiga. Isso começa na página, na sua forma híbrida, de como vai buscar coisas a diferentes estilos e formas. É assim que começo, é assim que quero que seja e que continue a ser ao longo de todo o livro e de toda a sua vida.

"Quando comecei a escrever assumi que a alegria e o desespero tinham de estar organicamente ligados. O amor dele pela música tem de ser tão grande quanto o pouco amor que tem pela vida. Senão, iria criar um retrato enviesado do que é o trauma, um artifício de pessoas deprimida para o meu próprio prazer literário."

Viver o agora?
E questionar o agora, virá-lo ao contrário. Um dos perigos do cânone da literatura é esta proposta de guardar o tempo na página, congelá-lo, mantendo o presente fora da conversa. Quero que o passado queira o presente, gosto muito de ler as coisas de forma ontológica, mas também de ouvir música assim ou ver arte. Acredito que deixamos rastos e que esse rasto afeta, conduz, manipula, influencia e submerge o presente. Cada gesto que qualquer artista faz, sobretudo nesta época de globalização e de tirania das plataformas globais, tem de ser na direção do pensamento próprio. E isso é estar assombrado. Tive de me aperceber que estava assombrado pelo meu passado e que tinha de meter isso na página e passá-lo para o leitor.

Olhar para os anos noventa através de um adolescente é uma forma de voltar a olhar para o mundo como um adolescente?
Ou seja, antes de o mundo deitar as suas garras em nós?

Exato.
Quando escrevi o Shy estava a tentar aceder a algo sobre o qual ele está certo e nós errados. E perguntava-me constantemente se era algo político, estético ou uma inconsciência natural de aproximação para com o mundo. Agora penso que é esta forma não processada, pouco refinada e extrema de ter uma opinião, de ter raiva e dizer que “não, esta merda não está bem”. Olha para o Reino Unido agora, há crianças a passar fome, atingimos níveis de pobreza que parecem saudosistas da época Vitoriana. Enquanto isso, oito pessoas ficam extremamente ricas à custa de um país que está a ser destruído. Não consegues andar de comboio, as prisões estão a cair de podre, os hospitais têm merda em todo o lado, os rios estão cheios de químicos. Isto é absolutamente barbárico, é uma masterclass em como destruir um país em dez anos. E nós andamos descontraídos, como se nada se passasse. Precisei de aceder ao adolescente dentro de mim e pensar, não, isto não está bem. Não quis fazer o livro sobre o presente, mas queria aproximar-me dessa sensação, dessa volatilidade ao extremo, à raiva e à sensibilidade. O que a música jungle faz pelo Shy é tirá-lo daquele lugar criado pelo sistema, que o enfia numa depressão, distraí-lo de todas as dificuldades e fazê-lo sentir-se vivo de novo. Com alegria. Quando comecei a escrever assumi que a alegria e o desespero tinham de estar organicamente ligados. O amor dele pela música tem de ser tão grande quanto o pouco amor que tem pela vida. Senão, iria criar um retrato enviesado do que é o trauma, um artifício de pessoas deprimida para o meu próprio prazer literário. E o Shy não é sobre isso.

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Goldie, Photek, Kali Malone, DJ Krust: quatro dos muitos nomes musicais que muitas vezes acompanham Max Porter, uns bem mais próximos dos 90s do que outros, todos com alguma correspondência na escrita

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A música jungle e o drum’n’bass são o escape do Shy em relação à ideia de uma Nova Inglaterra de Tony Blair durante os 1990s?
Essa ideia do que era cool… uma data de pedófilos e egomaníacos que passavam a vida no Soho a sniffar coca eram apenas um exercício de marketing do Tony Blair e do Murdoch. Houve uma geração de miúdos que mandou esse imaginário à merda, quis ficar nos seus quartos, a fazer músicas, a levá-la para clubes decrépitos em pequenas cidades e começar a sua própria cena. É uma música que veio de outras cenas, tradições, e o Shy fala disso, de como o jungle e o drum’n’bass lhe dão um sentimento de pertença, por ser um som que o representa, que o identifica. É uma sensação dos diabos. Porque para uma parte de uma geração, antes do jungle e do drum’n’bass, havia um síndroma do impostor: não podias ouvir rap porque não eras negro, não podias ouvir grunge porque não eras um norte-americano suburbano deprimido, não podias ouvir house de Detroit… percebes a ideias. De repente há este som que é teu. Para o Shy isso é importantíssimo, é o seu mundo, ele consegue localizar-se nele: nos lançamentos da Metalheadz [editora de Goldie], no som dos Photek. Aquele som era o que ouvia na sua cabeça.

Voltando ao que disse há pouco sobre o livro ser lido de diferentes formas. Adoro o momento dos texugos mortos. É como se o livro estivesse a voltar ao início.
Esse momento é muito importante para mim, porque este é um livro animista: há muita gente por aí, algumas são humanas e estão vivas agora, outras não. É um mundo muito cheio, mas concentramo-nos apenas no que tem carne e osso, no que os nossos pais e mães são. Mas podes ir lá fora e absorver num montão de coisas, os mortos, até podes deixar que o futuro comece. Queria, sem ser explícito, mostrar que, claro, claro que ele pode falar com os texugos mortos, eles podem ter algo a dizer-lhe e até podem salvar-lhe a vida. Todos temos esses momentos, algo na atmosfera ou que de repente nos atravessa o cérebro e que nos permite decidir o que quisermos. Eu queria almas ali, quero que os meus livros tenham uma presença mítica, não-humana, que permita perceber que aquilo que sentimos, como humanos, seja amor ou dor, ou confusão, é OK, faz parte da experiência.

Viver perto de Bath e Bristol, uma zona onde a natureza tem um papel tão preponderante e místico, ajuda-o a conceber o mundo assim?
Bom… Em Bath parece que estamos a viver num episódio de A Liga dos Cavalheiros, onde toda a gente já está morta. Onde vivo fica mais perto de Bristol. É muito bonito, eu gosto muito da minha cena pagã, por isso gosto de viver muito perto da floresta. Posso ir quando quiser a este lago secreto e nadar. Tenho a floresta a cinco minutos de mim, em qualquer direção. Vejo imensos animais mortos… e isso faz-me estar imerso na sensação do quão os humanos são pequenos. Não sentia isso quando vivia em Londres, vivi lá durante 25 anos, no sul, que é uma zona que adoro, os meus filhos nasceram lá, por isso devo muito àquela zona e cultura. Mas era tudo humano, urbano. Tudo o que fazia era no sentido do capitalismo: o meu vizinho está a vender a casa e vai construir uma nova, tenho de arranjar um trabalho novo, tenho de apanhar o comboio, o autocarro, etc., tudo era muito humano.

"Queria que o Shy fosse este símbolo algo ingénuo disto tudo. Sei que está lá o jungle, os 1990s, e que está tudo muito detalhado, mas queria que ele fosse uma representação de como é OK ser absolutamente envergonhado de quem se é, zangado, destruído, mas também é OK ser abraçado por gratidão e alegria."

Agora tem mais tempo para pensar no resto?
Aqui passo imenso tempo a pensar em mim, ou a ver a chegada dos andorinhões, a mudança das estações, a corrente do rio ou até um veado morto na floresta. Não é que esteja em modo “sou um gajo do campo”, até porque vivo perto da cidade, mas mudei substancialmente a minha capacidade para apreciar certas coisas. Sou uma pessoa muito mais grata hoje. Antes estava sempre ocupado a trabalhar, agora até estou mais ocupado, num sentido prático, porque faço um milhão de coisas diferentes – colaborações, filmes, música – mas estou mais comigo.

As pessoas daí também são diferentes das da cidade.
Claro. E aprendi a gostar de falar com pessoas mais velhas. Sou obcecado com isso. São tão interessantes e a nossa cultura está tão pouca interessada neles, quer metê-los num armário. Ainda ontem conheci um tipo na Cornualha, fui lá a um festival, numa pequena vila. Ele é um poeta, mas foi vigário durante os 1970s e 1980s, era responsável por oito paróquias. Cada uma tinha o seu próprio centro de jovens: ele era responsável pelas emoções e educação de centenas de crianças. E ele disse-me “esse era o meu trabalho, não precisava de Deus para isso, só precisava de boas pessoas, de instrumentos, canetas, papel, tinta, bolas, dardos”. Os tories [conservadores] fecharam todos estes clubes e a igreja também já não faz esse trabalho porque já ninguém vai à igreja. Esse trabalho… eu fui afetado por isso, fiquei apaixonado quando descobri o teatro num desses clubes, há dias quando os Ezra Collective ganharam o Mercury Prize eles disseram “isto não foi um acidente, aconteceu porque íamos a um clube de jovens e havia por lá trombones, baterias e alguém nos ensinou o que era jazz”. Isso está tudo morto agora. Mas voltando ao velhote: trocava as redes sociais, os jornais, para estar uma hora por dia a falar com ele. Sou muito mais grato, presto mais atenção a tudo, às pessoas, aos meus filhos, aos detalhes, a tudo.

Há uns anos disse numa entrevista que lia muito literatura pagã. Ainda ocupa muito do seu tempo nesse mundo?
Parte da minha dieta são livros sobre árvores. Interessa-me muito o que ganhamos ao ter esse tipo de conhecimento, das florestas, das árvores, dos cogumelos. Atrai-me sempre… mas atualmente não leio tanto quanto desejava, porque me mandam imensos livros, os quais sou obrigado a ler. Por isso, não leio tanto por prazer como antes: até porque estou a fazer pesquisa para um livro sobre o século XIX.

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"O mundo é um desafio, para mim é difícil promover os livros, por isso é que os faço como se fossem concertos", diz-nos Max Porter

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Mas continua a ser central para a forma como vê o mundo?
Sim, claro. O animismo é essencial para o modo como vejo o mundo. Aqui à volta há construções magníficas do neolítico, círculos de pedras, imensa coisa que me interessa estudar e perceber. Ainda na semana passada, numa residência na Irlanda, fiz um filme sobre o círculo de pedras em Drombeg, em Cork, e li coisas extraordinárias sobre estes monumentos pré-históricos. Regresso sempre a esse tipo de coisas para clarificação… e isso é importante no Shy, quando o Steve a dado momento diz “estás na primavera de te conheceres a ti mesmo”. O autoconhecimento é um trabalho de várias estações. Para alguém como o Shy, se ele escolher sobreviver, irá apaixonar-se por isso. Quando estás naquela idade, onde a raiva, a depressão e as coisas específicas da tua tribo controlam tudo, é impossível adivinhares aquilo que te irá interessar. Ele não pode ter esperança no futuro. A história passa-se em 1995 e dali a oito anos surge o Burial e o Loefah e de certeza que mudarão a vida dele para sempre, como mudaram a minha. Há um momento em que ele está a cantarolar a linha de baixo de Warhead [de DJ Krust], que só foi escrita dois anos depois…

Como se o passado, presente e futuro estivessem lá para ele.
Exato, e isso vem daquilo que li sobre o tempo, sobre a forma como alguns povos indígenas viam estes ecos e ondulações entre nós como algo que pertencia aos antepassados mas também a quem ainda estava por nascer. Isso está relacionado com o nosso sentimento de não-dívida, de não-apreciação e não-compreensão daquilo que tiramos e damos. Queria que o Shy fosse este símbolo algo ingénuo disto tudo. Sei que está lá o jungle, os 1990s, e que está tudo muito detalhado, mas queria que ele fosse uma representação de como é OK ser absolutamente envergonhado de quem se é, zangado, destruído, mas também é OK ser abraçado por gratidão e alegria. Ele pode ser tudo isso.

Talvez por isso seja melhor ler o livro de uma vez? A forma como vive hoje em dia facilita essa fluência na sua escrita?
Não preciso de um quarto especial para escrever, não preciso de ir para uma longa caminhada ou meditar. Só preciso de meter os meus headphones, ouvir Kali Malone e estou pronto. Sempre senti que o meu trabalho está aqui, pronto a sair. Tenho três filhos, um cão, há imensa coisa a acontecer na minha vida, preciso de ser muito disciplinado. O meu problema é outro, meto-me no que faço e depois sinto que não é bom o suficiente. O mundo é um desafio, para mim é difícil promover os livros, por isso é que os faço como se fossem concertos, como mencionei há pouco. Escrever é o que amo. Espero escrever mais uns quantos livros.

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