Chama-se medula óssea e é uma espécie de fábrica do sangue, responsável por produzir diariamente no nosso corpo milhões de células essenciais à vida. É um espaço muito organizado, mas, por funcionar de forma silenciosa, acabamos por pensar e falar pouco dele, esquecendo-nos de que é na medula óssea que nascem células como os glóbulos vermelhos, que transportam o oxigénio, os glóbulos brancos, que nos defendem das infeções, ou as plaquetas, que ajudam a estancar hemorragias¹.

Cada uma destas células resulta de uma linha de produção própria. Dessas linhas de produção fazem também parte os linfócitos B que, no final, dão origem aos chamados plasmócitos, as células responsáveis pela produção de anticorpos¹. Cada plasmócito tem uma missão muito específica: produzir um único tipo de imunoglobulina, uma proteína altamente especializada que reconhece e combate agentes infeciosos. Quando há uma avaria nesta linha da fábrica, os plasmócitos continuam a reproduzir-se, apesar da anomalia, e vão ocupando o espaço de outras células saudáveis.

Em vez de trabalhar em harmonia com as restantes células, o plasmócito cria uma espécie de clone, uma população de células iguais que produz grandes quantidades de um único anticorpo defeituoso, conhecido como proteína monoclonal ou proteína M e que dá origem a uma doença conhecida como Mieloma Múltiplo. As células saudáveis deixam de ter espaço e recursos para se desenvolver, comprometendo as várias funções pelas quais a medula óssea é responsável no nosso organismo, deixando-o mais vulnerável. Esses plasmócitos alterados, também chamados de “células do mieloma”, podem por vezes formar um tumor único, no osso ou nas partes moles, designado por “plasmocitoma solitário” ¹.

O Mieloma Múltiplo é um cancro do sangue silencioso e pouco frequente, que vai estar no centro de um novo podcast que pretende dar voz à ciência, aos profissionais de saúde e a quem vive com a doença. No dia 25 de fevereiro, estreia “Mieloma Múltiplo: Conversas sobre o Invisível, uma iniciativa do Observador Lab, com o apoio da biofarmacêutica GSK, em parceria com a Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL).

“Na GSK, vemos a literacia em saúde como um fator determinante para melhores resultados clínicos. No Mieloma Múltiplo, uma doença frequentemente ‘invisível’ no seu início, juntar informação científica rigorosa à experiência de quem vive com a doença ajuda a encurtar o tempo até ao diagnóstico, a reduzir o estigma e a melhorar e prolongar a qualidade de vida de quem vive com a doença”, salienta Tânia Saraiva, Diretora de Public Affairs da GSK Portugal.

Para a responsável, este projeto reflete um compromisso claro da empresa com a aproximação da ciência às pessoas. “Este podcast é um exemplo concreto do nosso compromisso: traduzir ciência para linguagem clara, dar palco às vozes reais das pessoas com doença e criar pontes entre o sistema de saúde, a comunidade clínica e a sociedade civil. Com a APCL e o Observador, ampliamos o alcance e a credibilidade da mensagem.”

Ao longo dos episódios ficaremos a compreender melhor como é que a proliferação das células do mieloma afeta o organismo, isto porque, para além deste efeito local na medula óssea, os plasmócitos produzem substâncias químicas (citocinas) que têm diversos efeitos, entre os quais a estimulação de células que reabsorvem o cálcio dos ossos (osteoclastos), e o bloqueio ou inibição das que regeneram o osso (osteoblastos), tornando os ossos mais frágeis e com maior probabilidade de fraturas ou de desenvolvimento de lesões ósseas¹.

Com uma periodicidade quinzenal e um total de cinco episódios, o podcast será publicado no site do Observador e nas principais plataformas de streaming. A condução estará a cargo de João Miguel Santos.

Para Lara Cunha, Diretora Executiva da APCL, o Mieloma Múltiplo continua a colocar desafios significativos às pessoas que vivem com a doença. “Trata-se de uma patologia ainda pouco conhecida, com sinais e sintomas frequentemente inespecíficos, o que contribui para atrasos na suspeita inicial e no encaminhamento atempado para a hematologia. Muitos doentes chegam aos centros especializados já em fases mais avançadas da doença”, adianta.

Lara Cunha destaca ainda o peso de uma doença crónica marcada por sucessivas linhas de tratamento. “Muitos doentes mantêm uma aparência exterior de ‘normalidade’, mas vivem com dor, fadiga, fragilidade óssea e incerteza face ao futuro. Esta carga invisível é frequentemente pouco compreendida no contexto social e profissional, aumentando o risco de isolamento e desgaste emocional dos doentes e dos cuidadores”, sublinha, acrescentando que, neste contexto, iniciativas como este podcast assumem um papel essencial.

“Ao traduzir conteúdos técnicos em linguagem clara e acessível, o podcast contribui para a literacia em saúde e para a redução do estigma. O facto de os doentes se reconhecerem nos testemunhos de outras pessoas ajuda a quebrar o isolamento e tem impacto positivo na forma como encaram o percurso terapêutico”, reforça Lara Cunha.

Um podcast para informar, esclarecer e acompanhar

O objetivo deste projeto é claro: aumentar o conhecimento da população portuguesa sobre o Mieloma Múltiplo (MM), uma doença silenciosa e complexa, e contribuir para uma maior literacia em saúde, tanto junto de quem vive com o diagnóstico como de familiares, cuidadores e da sociedade em geral.

Ao longo dos cinco episódios, especialistas e convidados com diferentes perspetivas irão abordar, de forma acessível, mas rigorosa, os principais momentos do caminho de quem vive com Mieloma Múltiplo, desde o diagnóstico até às opções de tratamento, passando pelo impacto emocional e qualidade de vida, e sem esquecer os avanços científicos que estão a transformar o paradigma da doença e a trazer mais esperança.

Entre os convidados estarão hematologistas, psicólogos e pessoas que vivem com Mieloma Múltiplo, assegurando uma abordagem multidisciplinar e centrada na experiência singular de quem diagnostica, acompanha ou vive com esta doença hemato-oncológica.

“Nenhum ator sozinho consegue responder à complexidade do Mieloma Múltiplo. As parcerias entre indústria, associações de doentes e meios de comunicação são catalisadores de impacto. A literacia e a capacitação das pessoas com doença não são um extra: são infraestrutura do sistema de saúde”, diz Tânia Saraiva.

“Ninguém tem de passar pela doença sozinho. Existem opções de tratamento, equipas especializadas e respostas de apoio psicológico e social. À sociedade, importa garantir acesso equitativo à inovação terapêutica e lembrar que, por detrás de cada diagnóstico, há uma pessoa e uma família”, acrescenta Lara Cunha.

Só existe um tipo de Mieloma Múltiplo?

No Mieloma Múltiplo os plasmócitos malignos produzem uma imunoglobulina anómala, conhecida como proteína M, e fragmentos dessa proteína (cadeias leves) que circulam no sangue. Existem diferentes subtipos de Mieloma Múltiplo, consoante a imunoglobulina produzida, e a doença pode evoluir de forma mais lenta ou mais agressiva, influenciando a intensidade dos sintomas e o prognóstico¹.

Uma doença rara e difícil de diagnosticar

Embora seja considerado um tumor raro, o Mieloma Múltiplo é o segundo cancro do sangue mais frequente. Afeta, sobretudo, pessoas com mais de 65 anos e é pouco comum antes dos 50. Em Portugal, registaram-se 709 novos casos em 2021, estimando-se atualmente entre 500 e 700 novos diagnósticos por ano¹.

Os sintomas iniciais deste cancro são pouco específicos e facilmente confundidos com outras condições associadas ao envelhecimento, o que dificulta e atrasa muitas vezes o diagnóstico. Importa por isso saber que entre os sinais mais frequentes desta doença podem estar as dores ósseas persistentes, sobretudo na coluna e nas costelas, anemia, associada a fadiga e fraqueza, infeções recorrentes, alterações dos níveis de cálcio no sangue e, em fases mais avançadas, pode surgir também insuficiência renal.

Esta “invisibilidade” da doença é um dos temas centrais do podcast e um dos motivos que tornam a informação e a vigilância médica tão importantes.

Tratamentos, inovação e esperança

O tratamento do Mieloma Múltiplo depende de vários fatores, como a idade, o estado geral do doente, as características genéticas da doença e a presença de outras patologias. Atualmente, as opções terapêuticas incluem diferentes combinações de fármacos, como inibidores do proteossoma, imunomoduladores, anticorpos monoclonais, corticóides e agentes alquilantes¹, bem como a utilização de anticopos-fármaco conjugados, anticorpos bispecíficos e terapêuticas celulares2.

A inovação científica é um dos motores da transformação do paradigma da doença, reforça Tânia Saraiva. “A última década trouxe avanços significativos na compreensão biológica do Mieloma Múltiplo e na diversificação de opções terapêuticas, permitindo maior sobrevivência e melhor qualidade de vida. Embora continue a ser uma doença crónica complexa, a inovação tem vindo a prolongar respostas clínicas e a reduzir o impacto no dia a dia das pessoas”, explica.

Embora o Mieloma Múltiplo ainda não tenha cura, os avanços científicos dos últimos anos permitiram aumentar significativamente a sobrevida e melhorar a qualidade de vida das pessoas com a doença.

Dar visibilidade ao que muitas vezes não se vê

“Mieloma Múltiplo: Conversas sobre o Invisível” pretende, precisamente, tornar esta doença visível, já que é o primeiro passo para um diagnóstico atempado e para melhores resultados. Ao longo dos seus cinco episódios, o podcast pretende esclarecer dúvidas, combater mitos, promover o diálogo entre especialistas e doentes e reforçar a necessidade de atenção, conhecimento e acompanhamento contínuo.

Não perca a estreia no dia 25 de fevereiro aqui, no site do Observador, e nas principais plataformas de podcast. Quinzenalmente, às quartas-feiras, poderá assistir a um novo episódio.

NP-PT-MMU-JRNA-260001 | 01/2026

Para mais informações, consulte o seu médico.

¹Associação Portuguesa Contra a Leucemia. Mieloma Múltiplo. Disponível em: https://apcl.pt/pt/doencas-do-sangue/mieloma-multiplo
2João C, Multiple Myeloma Treatment Guidelines by the Portuguese Group of Multiple Myeloma. Acta Med Port, 2023